quinta-feira, 23 de abril de 2009

Crítica de livro: The Dark Tower (A Torre Negra)

Stephen King é completamente maluco. O cara embarcou numa de escrever um épico em 7 volumes sobre um pistoleiro. O primeiro - e menor - volume foi lançado em 5 capítulos sob pseudônimo, começando em 1978 e acabando em 1981. No ano seguinte, o volume completo, batizado de The Gunslinger (O Pistoleiro) foi lançado. O volume 2, The Drawing of the Three (A Escolha dos Três) foi lançado em 1987 e o terceiro volume, The Wastelands (As Terras Devastadas), em 1991. 

Nesse ponto, King já havia se estabelecido como um conhecido escritor de terror e sua obra de mestre (como ele mesmo a denomina) ganhou um séquito de fãs. O quarto volume, Wizard and Glass (Mago e Vidro), só ficou pronto em 1997. 

E aí pareceu que King não queria mais escrever os últimos três volumes, para o desespero dos fãs. 

Mas o problema acabou entre 2003 e 2004, quando Stephen King finalmente fechou sua saga, lançando o volume cinco, seis e sete. São eles, respectivamente: Wolves of the Calla (Lobos de Calla), Song of Susannah (A Canção de Susannah) e The Dark Tower (A Torre Negra).

A editora Objetiva passou a publicar os livros no Brasil a partir de 2004 e eu caí na armadilha de comprar e ler o primeiro. Como sou um imbecil, se eu começo alguma coisa, eu acabo. Aí começou minha lenta marcha até esse mês, 5 anos depois, quando consegui acabar o último volume.

Para quem não sabe, uma breve sinopse: Roland Deschain é um pistoleiro solitário que atravessa um mundo pós-apocalíptico chamado Mundo Médio (qualquer semelhança com a Terra Média de Tolkien não é mera coincidência) com o objetivo de alcançar o centro dos multiversos, a Torre Negra. Durante sua busca, Roland se junta a um garoto chamado Jake Chambers, um drogado chamado Eddie Dean e uma negra sem as duas pernas e com distúrbios de personalidade que acaba sendo batizada de Susannah, todos de New York (a que nós conhecemos) Juntos eles formam um ka-tet, uma espécie de grupo com um só destino e passam por diversos perigos.

O primeiro livro, bem curto, é muito simples. Roland começa atrás do Homem de Preto e, no meio do caminho, encontra Jake. Não tem muita aventura e serve mesmo de introdução ao personagem principal e ao seu nêmesis. O segundo livro começa com Roland acordando em uma praia e sendo atacado por monstros que ele chama de "lagostrosidades". Elas arrancam alguns dedos do pistoleiro. Muito ferido, ele encontra portas para a New York que conhecemos mas em diferentes épocas: 1987, 1964 e 1977. De cada uma dessas portas, ele retira um dos componentes de seu ka-tet e, na terceira, um inimigo. Muito do livro se passa efetivamente em New York. O choque entre realidades torna esse livro bem interessante.

Já no terceiro volume, Roland se junta a Jake Chambers novamente e seu ka-tet está completo (junto com um bicho do Mundo Médio chamado Oi) e todos partem para Lud, através das Terras Devastadas. Lá encontram mutantes e o Homem do Tique-Taque (essa parte lembra muito The Road Warrior). O livro tem um bom teor de aventuras e perigo.

No quarto e melhor volume, Wizard and Glass, acabamos conhecendo parte do passado de Roland, quando ele era um jovem pistoleiro que acabara de receber suas armas. Junto com Alain Johns e Cuthbert Allgood - seu ka-tet da época - ele parte para sua primeira aventura no Baronato de Mejis, onde se apaixona por Susan Delgado. 

Nos três últimos volumes, os elementos sobrenaturais e estranhos da mente complicada de Stephen King acabam aparecendo de forma exacerbada e tudo começa a se desmoronar. Apesar de ter construído uma estória cativante com os 4 primeiros volumes, os 3 últimos meio que anulam os efeitos até então obtidos. 

Por exemplo, no quinto volume, o ka-tet de Roland tem que proteger os habitantes de Calla Brin Sturges de monstros que seqüestram seus filhos (a parte boa da estória) e, também, uma rosa vermelha em um terreno baldio da New York que conhecemos (a parte ruim da estória). Essa rosa é muito mal explicada mas, tendo em vista o tom sobrenatural da estória, até dá para deixar passar. Ah, não podemos esquecer que Susannah engravida de um demônio e uma nova personalidade toma conta dela, chamada Mia.

Mais para a frente, no sexto volume, o ka-tet se separa e Stephen King faz algo que me surpreendeu negativamente: ele se insere na estória como um personagem que está escrevendo o épico The Dark Tower. Realidade e ficção se confundem e eu fiquei pensando - e ainda penso - que o ego de King se inflou demais. As referências à outras obras do autor passam a se intensificar ao ponto do ridículo, com livros inteiros servindo de guias ao ka-tet. Esse volume é particularmente complexo e culmina com o nascimento do filhinho bonitinho de Mia/Susannah.

O último volume demora muito a decolar mas acaba decolando com um bom tiroteio num lugar chamado Dogan, onde psíquicos estão tentando destruir os feixes que mantém a Torre Negra (e, portanto, todas as realidades) em pé e acaba com uma longa jornada final até a Torre Negra, com um finalzinho que me agradou bastante, ainda que a batalha com o Rei Rubro (o grande inimigo por trás de tudo) seja ridícula.

Minha jornada até a Torre Negra foi basicamente de altos e baixos mas os baixos foram muito mais baixos do que os altos foram altos... 

Se eu tivesse que dar nota para cada livro, elas seriam mais ou menos assim:

Volume I - The Gunslinger: 5 de 10 (nada realmente acontece)
Volume II - The Drawing of the Three: 7 de 10 (interessante o choque entre mundos)
Volume III - The Wastelands: 7 de 10 (boa aventura)
Volume IV - Wizard and Glass: 9 de 10 (o passado de Roland dá de 10 em seu "presente")
Volume V - Wolves of the Calla: 6 de 10 (a boa aventura contra os tais lobos é estragada pela procura da rosa)
Volume VI - Song of Susannah: 4 de 10 (a entrada de Stephen King como personagem é ridícula)
Volume VII - The Dark Tower: 6 de 10 (a nota seria mais alta se não fosse a intensificação da participação de Stephen King e a briga patética com o Rei Rubro, que é descrito durante a série como um ser extremamente poderoso)

Nota final (não é uma média): 6 de 10

14 comentários:

  1. Bom, li todos eles, acabei o ultimo faz 3 dias, li em disparada, as quase 3000 paginas, e tenho todos os HQs, acho que vc cometeu farias falácias, de inicio me decepcionei com o 2 coisas.
    1) o homem de preto, o nêmesis do pistoleiro nao é morto por ele, e sim por modred.
    2) oque leva a entender que o nêmesis de roland seria o Rei rubro. que por incrível que pareça, n houve o duelo épico que todos esperavam...
    pra finalizar, um personagem recém apresentado no livro que da um basta no RR. decepcionante..
    fora isso a história foi criativa, digna de mestre. no inicio nao me convenci com o final, tive que ler + 3 vezes, fechei o livro, e tchu..
    perfeito, o final muito bom.
    ao alcançar o topo da torre as suplicas de roland, fez valer a pena!
    "mais uma vez o pistoleiro estava em busca doque acabara de encontrar... para roland, sempre será a primeira vez"
    a torre diz: "talvez dessa vez a coisa seja diferente, pode haver até salvação"
    minha nota final é 9,0. só nao foi 10 devido oque falei a cima.
    lembrando que a torre negra, nao tem final alternativo, nao fica a cabo da imaginação do leitor, tem um único significado, uma unica conclusão!

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  2. Uma das falácias que você cometeu, foi criticar um livro pela quantidade de paginas, e não pelo conteúdo em si!
    e houveram varias outras, no entando, sua critica está mal bolada, e sem sentido. a nota nao posso discuti-la, pois isso é contigo, pode dar nota 0 se quiser, só não critique um livro pela capa!
    vlw...

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  3. Você diz que eu escrevi "várias falácias" mas só falou de uma, que eu teria criticado o livro pela quantidade de páginas. Bom, não sei se você leu direito mas eu não critiquei a série pelo tamanho. Onde está isso?

    Mas, mesmo que eu tenha dito isso, quais foram as outras falácias? Minha crítica pode não fazer sentido mas, sinceramente, não entendi seu comentário também...

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  5. spoiler filha da puta, tem gente que ainda não leu caraio

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  6. spoiler filha da puta, tem gente que ainda não leu caraio [2]

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  7. Não dê spoilers, maldito!

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  8. Eu respeito sua opinião. Vc fez sua crítica, que nada mais é a exteriorização do seu sentimento em relação aos livros.
    Concordo com vc quando diz que a luta final deixa a desejar, mas acho que o conjunto completo é uma obra fantástica.
    Particularmente gostei muito de Terras Devastadas, fez minha imaginação viajar por muito tempo.

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    1. Alexandre, obrigado por sua mensagem. Convido-o a visitar meu novo site: planocritico.com.

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  9. olha é a primeira crítica que me deu uma vontadezinha de seguir o primeiro volume, pq é críptico demais... vou "tentar" seguir lendo, de qualquer forma, obrigada pela resenha.

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  10. Eu estou terminando o sétimo, e até aqui, minha sensação foi justo essa, que as coisas estavam boas até o ego de king ferrar tudo, concordo plenamente com vc, no que tange a como ficou ridículo a forma como o autor se inseriu na história, bem como referências aos demais livros do mesmo. Pra mim, até aqui o livro 4 foi de longe o melhor, mas as partes do mono blaine também foram muito boas.

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  11. dois sites com criticas idênticas... quem copiou de quem?

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  12. dois sites com criticas idênticas... quem copiou de quem?

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  13. Cassio, eu sou o autor das duas críticas. Esse aqui é meu antigo blog pessoal que larguei em prol do meu site atual, o Plano Crítico, onde uma versão parecida, mas não idêntica da crítica acima foi publicada por mim mesmo. Portanto, eu me copiei...

    Gostando, sugiro que me acompanhe pelo planocritico.com.

    Abs,
    Ritter Fan

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Pensem antes de escrever para escreverem algo com um mínimo de inteligência. Quando vocês escrevem idiotices, eu apenas me divirto e lembro de Mark Twain, que sabiamente disse "Devemos ser gratos aos idiotas. Sem eles, o resto de nós não seria bem sucedido."