sexta-feira, 31 de julho de 2009

Club du Film - Ano IV - Semana 19: Don't Look Now (Um Inverno de Sangue em Veneza)



Há pouco mais de três anos e meio, no dia 28 de dezembro de 2005, eu e alguns amigos decidimos assistir, semanalmente, grandes clássicos do cinema mundial. Esse encontro ficou jocosamente conhecido como Club du Film. Como guia, buscamos o livro The Great Movies do famoso crítico de cinema norte-americano Roger Ebert, editado em 2003. Começamos com Raging Bull e acabamos de assistir a todos os filmes listados no livro (uns 117 no total) no dia 18.12.2008. Em 29.12.2008, iniciamos a lista contida no livro The Great Movies II do mesmo autor, editado em 2006. São, novamente, mais 100 filmes. Dessa vez, porém, tentarei fazer um post para cada filme que assistirmos, com meus comentários e notas de cada membro do grupo (com pseudônimos, claro).

Filme: Don't Look Now (Um Inverno de Sangue em Veneza)

Diretor: Nicolas Roeg

Ano de lançamento: 1973

Data em que assistimos: 14.07.2009

Crítica: Reparem nos títulos em inglês e em português. O primeiro é sutil e delicado. O segundo é de uma cavalice só.

O filme é mais ou menos assim também. Tem excelente estória, sutil e belamente contada. Os 30 segundos finais são uma patada no estômago e isso não é um elogio.

Donald Sutherland vive John Baxter e Julie Christie vive sua mulher Laura. Ele trabalha em Veneza, restaurando Igrejas, um tempo depois da horrível morte da filha do casal. O filho ficou em um internato na Inglaterra. Laura nunca conseguiu deixar a morte de lado mas, ao encontrar duas irmãs em um restaurante, sua vida muda. Uma das irmãs, cega, literalmente "vê" a filha do casal e diz à Laura que ela está bem. Laura, depois, tem um treco no restaurante e, ao se recobrar, está mudada, feliz. Ela finalmente tem sua vida de volta.

John, por outro lado, combate o sobrenatural e não consegue acreditar no que a irmã cega disse. Preocupa-se com sua mulher de forma exagerada. Em uma sessão espírita, a cega informa Laura que seu marido também tem o dom de "ver" mas ele se recusa a aceitá-lo. Nesse momento, lembramo-nos da cena inicial quando John parece sentir que algo errado está para acontecer com alguém, só para, depois, encontrar sua filha morta.

Naquela noite, um telefone os acorda. É o diretor do internato do filho dizendo que ele sofreu um acidente. Laura corre para lá de manhã cedo e John, no mesmo dia, vê Laura, de preto, junto com as irmãs, no Grande Canal de Veneza. Sonho ou realidade? Por trás de tudo, há um fiapo de estória com um serial killer na cidade. Vemos, também, por diversas vezes, algo que parece ser uma criança com um casaco vermelho exatamente igual ao que a filha do casal usava ao morrer. É o fantasma da menina ou é o tal serial killer?

O grande trunfo desse filme é a atmosfera, não a estória. Ele se passa no fim de outono, com o começo do frio e com o literal fechamento da cidade. Tudo é escuro menos o tom vermelho que aparece aqui e ali de forma bem proeminente. Vermelho de morte? De sangue? Do casaco da menina? Do serial killer?

O filme genuinamente dá medo. Seja pelo uso da cidade como um labirinto ameaçador, seja pelas irmãs muito estranhas, seja pela reação do policial às preocupações de John. Fica sempre a impressão que há algo errado no ar. Algo incômodo, algo sorrateiro e terrível.

Essa atmosfera poucos filmes conseguem manter até o final. Don't Look Now mantém por 109 minutos e 30 segundos. A revelação dos 30 segundos finais é desnecessária e explícita demais e, pior, sem muita conexão com o filme. Mas vejam bem: aqui, o importante é a construção do medo e não exatamente como se resolve o filme que, decididamente, foi uma maneira fraca encontrada pelo roteirista.

Aliás, é esse final que gerou a grande diferença nas notas abaixo. Quanto mais o espectador der importância a ele, pior será o filme. Se for possível esquecê-lo, e apreciar o filme pelo "crescendo" de pavor (não sustos baratos), a nota vai aumentando. É a diferença entre assistir Don't Look Now e Um Inverno de Sangue em Veneza...

Notas:

Minha: 7 de 10
Barada: 3,5 de 10
Nikto: 2,5 de 10

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Crítica de show: U2 - 360º Tour no Stade France em Paris


Já tinha acertado toda minha viagem para o leste europeu quando o U2 anunciou sua turnê 360º. Só de curiosidade vi as datas dos shows e tinha um em Paris exatamente no dia que estaria voltando para o Brasil, exatamente via Paris. Não sou um grande amante do grupo irlândes mas era coincidência demais para eu simplesmente ignorar. Alterei minha volta para pernoitar na Cidade Luz e tratei de comprar um ingresso para o show, no dia 11 de julho desse ano. Faço logo de cara uma ressalva: as fotos e o vídeo foram tirados com celular e estão bem fraquinhos mas dá para o gasto.

A organização

Primeiro vale falar da organização. Lembram do fiasco organizacional do show do U2 no Rio de Janeiro lá pelos idos de 1998? Lembram da complicação que é pegar um transporte de volta de shows no Marcanã (o da Madonna foi um inferno nesse quesito). Lembram da desgraça que foi sair do show do Iron Maiden lá no autódromo de Interlagos?

Pois é, nada parecido com minha experiência no Stade France, em Paris. Cheguei no hotel, vindo do aeroporto, faltando 1h30 para o show. Fiz o check-in, troquei de roupa e arrumei troco para comprar os tíquetes do metrô. Peguei o metrô para literalmente atravessar a cidade. Eram umas 20 estações de onde estava e isso depois de uma baldeação.

Cheguei na estação final correta faltando 40 minutos para o show. Andei calmamente até o estádio, comprei um cachorro-quente e um chá gelado no quiosque imediatamente atrás do portão que entraria. Comi calmamente minha "refeição" do lado de fora e entrei pelas catracas. Nada de fila. Virei para o lado e vi a loja oficial do U2 vendendo camisetas e entrei na fila (a única que vi). Estava complicado comprar e faltavam 15 minutos para o show começar. Insisti um pouco, dizendo para a moça que pagaria em dinheiro e consegui dar uma "furada" na fila pois todo mundo queria passar cartão.

Botei os pés na minha cadeira (todas numeradas no assento, com fila e número da cadeira) faltando 5 minutos de show e, na hora EXATA, ele começou. O estádio estava entupido mas não peguei nem uma nesguinha de fila momento algum, com exceção da hora da compra da camiseta.

Achei que a volta seria um inferno. Duas horas depois, porém, estava andando calmamente - junto com a multidão, também calma - em direção ao metrô. Entrei em 10 minutos no trem e fiquei apertado por umas 10 estações. Depois, tudo normal, como se nada tivesse acontecido. Impressionante.

Nós, definitivamente, temos que evoluir muito para chegarmos nesse patamar.

O U2

Sou parcial. Já vi dois shows do U2 antes, acho que tenho todos os CDs mas, de uns anos para cá, cansei dos caras. Muita repetição, apesar de, a cada disco, o Bono dizer que vai "revolucionar" a música. Sinto muito pois, o disco atual - No Line in the Horizon - é mais do mesmo. Não que o U2 seja ruim, só não é tudo isso que falam.

De toda forma, fizeram um show correto, com uma boa mistura de músicas do disco novo e de clássicos. A formação sólida e inabalável do grupo ao longo de seus 34 anos de existência fica clara no show. Eles são muito bem sincronizados, quase como se um conseguisse ler o pensamento do outro. Bono ainda canta muito bem, The Edge tem controle absoluto de sua guitarra, apesar de não ser nenhum virtuose. Por fim, Adam Clayton e Larry Mullen também não decepcionam.

Quando tocam os clássicos como The Unforgettable Fire, Sunday Bloody Sunday e Where the Streets Have No Name, o grupo é imbatível. As músicas do disco novo, que abrem o show e, depois, são polvilhadas aqui e ali, são razoáveis e não detraíram da experiência.

Bono, no topo de seu trono Pop, foi humilde o suficiente para homenagear o verdadeiro Rei do Pop, cantando um medley de trechos de Don't Stop 'Til You Get Enough e Billie Jean. Nenhuma palavra foi dita mas a mensagem foi passada. O público adorou.

Mas aí começaram as chatices típicas do U2, que só foram mesmo equilibradas pelo quinto componente do grupo - o Palco - que comentarei mais abaixo.

Essas chatices basicamente são os momentos politicamente corretos, começando pela tentativa de mostrar que a música é universal e blá, blá, blá, com um vídeo gravado na Estação Espacial Internacional. Se fosse algo ao vivo, eu teria achado medianamente bacana. Mas Bono avisou que era um vídeo gravado "mais cedo", quando os astronautas estavam acordados. Foi uma espécie de "perguntas e respostas". Todos os astronautas falaram que gostavam muito do U2 (dã...) e um dos integrantes do grupo fez a pergunta mais cretina de todas: "A música soa diferente aí no espaço?". Deu vontade de ir embora de tão constrangedor que foi...

Depois desse momento gélido, algumas músicas se seguiram e o Bono passou, então, a fazer sua pregação social do ano: libertem uma fulana lá de Burma que está há 19 anos presa em casa pois ganhou a eleição presidencial (ou algo do gênero) e o governo de lá se recusa a deixá-la tomar posse. Ok, causa nobre sem dúvida. Mas precisa ser chato com isso, com imagens no telão, música para a mulher e uma galera entrando com máscaras do rosto da prisioneira? Sei que o Bono quer passar essa imagem de bom moço mas, às custas de meus Euros, preferiria que ele tocasse mais músicas e passasse sua mensagem rapidamente, sem perder 20 minutos...

Em outra hora, Bono, todo feliz, projeta no telão uma mensagem de otimismo do Reverendo Desmond Tutu. Mais momentos chatos...

Sei que, para fãs do grupo, provavelmente eu estou sendo injusto e eu entendo a reclamação. Acho que diria o mesmo se falassem mal do show do Iron Maiden. Mas é que, como disse, já me enchi um pouco do U2 mas reconheço que é um super-grupo que sabe fazer um excelente show.

Segue o set list do show que assisti, para quem se interessar:

07/11/2009 Stade de France - Paris, France
Breathe, No Line On The Horizon, Get On Your Boots, Magnificent, Beautiful Day / Blackbird (snippet), I Still Haven't Found What I'm Looking For / Movin' On Up (snippet), Desire / Billie Jean (snippet) / Don't Stop 'Til You Get Enough (snippet), In A Little While, Unknown Caller, The Unforgettable Fire, City Of Blinding Lights, Vertigo, Let's Dance(snippet) / , I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight, Sunday Bloody Sunday, Pride (In The Name Of Love), MLK, Walk On / You'll Never Walk Alone (snippet), Where The Streets Have No Name / All You Need Is Love (snippet), One
encores: Ultra Violet (Light My Way), With Or Without You / Rain (snippet), Moment of Surrender

O palco

Agora é que vem o diferencial. Não é à toa que essa turnê se chama U2 360º Tour.

E por que 360º? Ora, a foto lá do começo explica tudo. O palco é uma estrutura redonda, sem frente, de forma que todo o estádio tenha a mesma visão do show. Além disso, as enormes "patas" do palco seguram uma estrutura de caixas de som, luzes e um telão sensacional.

Vejam uma foto mais de perto.

Reparem que as caixas de som são aquelas faixas prateadas que saem das extremidades esquerda e direita da parte de cima do palco. O telão é aquela parte preta "flutuando" bem acima do palco. Para se ter uma idéia melhor, vejam o telão ligado:

Ele projeta imagens em 360º, mas que se repetem para todos os espectadores poderem ver a mesma imagem completa e não o pedaço de uma só imagem. Vale apenas lembrar que, diferentemente do que um amigo fã do U2 me disse, não foi o U2 que teve essa idéia genial. Palcos assim são usados em shows de música há muito tempo. Eu mesmo vi dois show com palcos redondos: o do Prince no Staples Center em Los Angeles e o do Metallica em Long Beach. Claro que não eram palcos com a psicodelia desse do U2 mas o conceito era o mesmo, ou seja, permitir que todo mundo ao redor assistisse ao show sem barreiras.

Mas isso certamente não tira o mérito do U2. Quem quer que tenha projetado esse palco é um gênio. É o mais bonito que já vi, mais bacana até do que o já sensacional palco da Madonna, em sua última turnê. Reparem que, ao redor do palco principal, há, ainda, um anel em que os componentes do grupo podem andar, ficando bem próximos dos espectadores. Para chegar ao anel, eles fazem uso de duas pontes móveis, que andam ao redor do palco.

Reparem que o telão é o que mais me surpreendeu. Eu já tinha ficado muito bem impressionado com a qualidade do telão mas não sabia que ele se expandia em gomos, quase tocando o chão, e sem perder a capacidade de projetar imagens de videoclips ou mesmo imagens do show em si. É até difícil de explicar e, por isso, vale ver a foto abaixo, que ilustra o que estou tentando descrever.
Outro lance bem bolado foi que, no telão, tudo que o Bono dizia (não "cantava") em inglês aparecia vertido ao francês em legendas. Isso eu nunca tinha visto antes!

Foi por isso que disse que o Palco (com P maiúsculo mesmo) era o quinto componente do grupo. Ele realmente funciona como uma atração à parte e merece todos os elogios. Musicalmente, porém, fiquei pensando que um grupo que precisa disso tudo para fazer um show de pop/rock não deve confiar muito nas músicas que tem... Mas é só um pensamento. Sei que serei xingado, mas não resisti...

Fiquem com um breve vídeo da engenhoca funcionando:

video

Nota: 7 de 10

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Club du Film - Ano IV - Semana 18: Beat the Devil (O Diabo Riu Por Último)


Há pouco mais de três anos e meio, no dia 28 de dezembro de 2005, eu e alguns amigos decidimos assistir, semanalmente, grandes clássicos do cinema mundial. Esse encontro ficou jocosamente conhecido como Club du Film. Como guia, buscamos o livro The Great Movies do famoso crítico de cinema norte-americano Roger Ebert, editado em 2003. Começamos com Raging Bull e acabamos de assistir a todos os filmes listados no livro (uns 117 no total) no dia 18.12.2008. Em 29.12.2008, iniciamos a lista contida no livro The Great Movies II do mesmo autor, editado em 2006. São, novamente, mais 100 filmes. Dessa vez, porém, tentarei fazer um post para cada filme que assistirmos, com meus comentários e notas de cada membro do grupo (com pseudônimos, claro).

Filme: Beat the Devil (O Diabo Riu Por Último)

Diretor: John Huston

Ano de lançamento: 1953

Data em que assistimos: 16.06.2009

Crítica: Beat the Devil é um filme enigmático. Não sabia o que esperar dele. Um drama? Um policial? Uma comédia?

Ele começa com a prisão de quatro pessoas que, de acordo com a narração de Billy Dannreuther (o inconfúndivel Humphrey Bogart), são bandidos muito inteligentes que foram pegos no desenrolar de um golpe. Em seguida, partimos para um flashback, em que somos jogados numa cidade portuária italiana. Billy lá vive com sua mulher (ou companheira, não sei bem) Maria (Gina Lollobrigida, no seu primeiro papel em inglês). Os dois fazem amizade com um casal que parece ser da aristocracia inglesa, Harry e Gwendolen Chelm (Edward Underdown e Jennifer Jones).

Fica logo claro que Billy e Maria querem extrair algum tipo de informação de Harry e Gwendolen. Ou será que não fica? A partir desse momento, o filme parece se tornar uma comédia, com os quatro bandidos mencionados no começo tentando descobrir o que Billy está tentando descobrir. A única coisa que fica clara é que tem alguma coisa a ver com urânio na África (!!!).

Acabamos descobrindo que todos os personagens estão esperando o conserto de um navio para que possam ir para o Continente Negro. Descobrimos, também, que, apesar da pose, Billy não é rico e que Harry não é aristocrata. Gwendolen cada hora diz uma coisa e nunca sabemos o que é verdade e o que é mentira. O filme começa a virar pastiche, mas nunca um pastiche totalmente pastiche, de forma que não é exatamente engraçado. É, na verdade, estranho.

Segue-se uma viagem de navio, um naufrágio, a captura dos náufragos por beduínos na África e aí voltamos para o começo. Nesse meio tempo, Gwendolen parece se apaixonar por Billy sem seu marido perceber ou ligar e Maria parece se apaixonar por Harry sem seu marido/companheiro perceber. Nessa hora, o filme descamba para o nonsense completo.

Não sei o que deu em John Huston para filmar esse filme. Não é de todo ruim. Tem cenas interessantes e os quatro bandidos são decididamente muito engraçados, especialmente O'Hara, vivido pelo naturalmente cômico Peter Lorre. Mas é só isso. Muita confusão, uma tentativa de ser algo que não é (ou não, posso estar enganado) e muita canastrice de Bogart (não dá, não consigo achar ele um bom ator pois seus papéis, seja em Sierra Madre, seja em Casablanca, seja em The Maltese Falcon, são sempre iguais, por mais diferentes que sejam).

Talvez o filme seja um reflexo da excentricidade de seu roteirista, o autor Truman Capote. Ou talvez não, nunca vou saber.

Notas:

Minha: 6 de 10
Barada: 6,5 de 10
Nikto: 7 de 10

Crítica de videogame: X-Men Origins: Wolverine - Uncaged Edition


Nunca fui um grande jogador de videogame. Tenho um PS3, um Wii, um DSi e um PSP mas não sou viciado nos jogos. Acho mais interessante as novidades em si. O PS3 eu tenho mais para ser meu Blu-Ray player, o Wii e o DSi são para minhas filhas e o PSP eu comprei para meu divertimento durante viagens.

Isso explica eu literalmente jogar muito pouco e raramente acabar um jogo que tenha começado. O próprio jogo que me dispus a comentar aqui eu ainda não acabei. Estou na última parte do último chefe. Falta só paciência para acabar, algo que definitivamente não tenho de sobra.

Mas tinha que comentar sobre o jogo de Wolverine (versão do PS3). Não sei se acompanha a estória do filme pois não o vi mas, pelo pouco que sei, parece que sim. A trama é bem idiota o que me faz ainda mais ficar feliz com minha decisão de não assistir o filme no cinema. Mas uma pessoa como eu não joga videogames pelo roteiro...

Vamos falar sobre o jogo. Jogos baseados em filmes, normalmente, são uma porcaria. Aliás, o mesmo se pode dizer de filmes baseados em jogos. Parece que não acharam o PH neutro da química entre as duas mídias. Algum dia acharão, tenho certeza. De toda forma, Wolverine é um jogo bom, muito bom para meus padrões que, decididamente, pelas razões acima, não são muito altos.

Em primeiro lugar, é um jogo fácil. Não é necessário decorar a combinação de 37 botões para se jogar com eficiência. Basta algumas teclas básicas para se arrancar bons efeitos do jogo. Em segundo lugar, não é um jogo de quebra cabeças e sim de porrada pura e simples. É andar em linha reta matando pessoas. Eu sei, eu sei, vão me chamar de insensível e violento. No entanto, sou maior de idade, trabalho, dirijo e convivo com balas perdidas no Rio de Janeiro. Desopilar o fígado é preciso e Wolverine é um bom remédio.

Basta estender as garras - ora de metal, ora de osso, dependendo do momento do jogo - e sair apertando botões para cortar braços e cabeças e, com algum expertise, fazer combos sensacionais, do tipo espetar a cabeça do bandido com uma das garras e cortar a cabeça do cara com a outra. Outro exemplo: pular para cortar o cara ao meio na vertical (da cabeça aos pés), não horizontal. Nada que, alguma vez na vida, você não tenha querido fazer com alguém que detesta...

Apesar da capacidade gráfica do PS3, Wolverine não é o melhor jogo para mostrá-la. Tem gráficos mais simples (para os padrões atuais) com algumas fases que são basicamente paredes brancas ao seu redor. Os inimigos são simples e repetitivos mas vêm em quantidade que sacia, em abundância, minha sede de cabeças rolando pelo chão de um lado e corpos sem a cabeça (e sem braços e sem pernas) estrebuchando de outro.

Os chefes de fase são bem fáceis também e os personagens Marvel que Wolverine enfrenta são jogados lá sem mais nem menos. Um deles vale nota: o Blob. Esse mutante é aquele gordão super-forte que aparece no filme (pelo que soube) e que faz parte do grupo de Magneto nos quadrinhos. Para pegar o Blob de porrada, você tem que pular nas costas deles e literalmente "cavalgá-lo" (sem conotação sexual, por favor), fazendo-o destruir um supermercado no processo. Bem bacana e diferente.

Minha maior ressalva ao jogo é a existêncai de algumas dificuldades que não combinam com a facilidade geral do jogo. Alguns pulos são irritantemente complicados (e é esse problema que estou tendo na fase final) e tem algumas câmeras lentas que são inexplicáveis, só para dificultar sua vida. Mas, em linhas gerais, até um jogador muito mais ou menos e casual como eu consegue passar as fases nesse jogo. Afinal, nada como pular em um helicóptero, arrancar o vidro, pegar o piloto e levantá-lo na direção das hélices para fazer sopa da cabeça dele...

Ah, e os efeitos de regeneração de Wolverine são muito legais. Ao tomar muita pancada, Wolverine começa a ficar ferido, com ossos e órgãos internos aparecendo. A regeneração - em tempo real - só acontece se você correr para algum lugar e ficar sem apanhar por alguns momentos.

Outro lance bem interessante é a possibilidade de você destravar três uniformes para Wolverine. Durante o jogo, você joga com Logan de calça jeans e camiseta branca. Ao destravar os uniformes, você pode se vestir exatamente como nos quadrinhos. E a forma de destravar também é boa: você acha "bonecos" de Wolverine durante o jogo e abre uma fase bonus em que você briga com você mesmo. Tem que ganhar do Wolverine no uniforme que você quer para pegar o uniforme. E a briga é bem difícil. Eu só consegui pegar todos os três quando meu Wolverine já estava bem bombado, com pontos de experiência e golpes novos destravados (algo que acontece meio que naturalmente no desenrolar do jogo).

Diversão garantida para quem gosta de espalhar as tripas de seus inimigos pelo chão.

Nota: 7,5 de 10

Crítica de filme: Let the Right One In (Deixe Ela Entrar)


Esse filme sueco de 2008 foi uma sensação internacional e, como de costume, já está sendo refilmado nos Estados Unidos, para lançamento previsto em 2010. Certamente tudo que de bom há com o original será perdido na refilmagem mas c'est la vie.

Em um subúrbio de Estocolmo, vive um menino de 12 anos chamado Oskar (Kare Hedebrant), muito pálido, fruto de um lar com pais separados e alvo de perversidades dos valentões de sua escola. Ele é sozinho até que repara que um senhor, junto com uma menina da sua idade, se mudam para o apartamento ao lado. O nome dela é Eli (Lina Leandersson), também solitária. Os dois se encontram no playground gelado do conjunto habitacional sem graça onde vivem e logo criam laços de amizade.

Ao mesmo tempo, descobrimos que o senhor que vive com Eli tem o hábito de assassinar pessoas para retirar seu sangue. Após seu mais recente assassinato, ele é quase flagrado por duas mulheres e tem que sair correndo sem levar o sangue que havia recolhido.

Apesar de desde o começo nós espectadores termos notado algo estranho com Eli, só quando a vemos sentir fome por que o senhor que cuida dela não trouxe o sangue de volta é que começamos a efetivamente acreditar no que ela é. A confirmação vem quando Eli, desesperada de fome, ataca um homem embaixo de uma ponte para sugar todo seu sangue.

É, Eli é definitivamente uma vampira e o senhor que vive com ela é seu guardião/serviçal.

Mas o que faz esse filme ser diferente e melhor que a maioria dos filmes de vampiro atuais, é a forma que o assunto é tratado. Eli é solitária mas precisa de um guardião para sobreviver. Seu guardião já está velho e falha muito. Ela encontra Oskar e certamente sente alguma atração por ele. Mas será que o que sente é 100% genuíno? Será que não está tentando atrair Oskar para sua armadilha e convertê-lo em seu futuro guardião?

O filme não tem respostas fáceis. É uma estória de amor e amizade com certeza. Eli, em algum momento, provavelmente teve sentimentos pelo seu idoso guardião mas, agora, ele está perdendo sua função. Oskar pode ser uma boa substituição. O garoto basicamente não tem para onde vir e, como fica claro logo no começo do filme, ele tem alguma compulsão por morte: sua primeira frase no filme é "Grite como um porco", enquanto simula com uma faca algumas estocadas em uma árvore. Ele também tem o hábito de guardar reportagens de jornal em que assassinatos são discutidos. Estranho para um garoto de 12 anos mas muito conveniente para uma vampira da mesma idade na aparência.

Mas também é evidente que Oskar realmente passa a gostar de Eli e é bem possível que ela tenha sentimentos verdadeiros por ele. O filme pode ser uma estória de amor (impossível?) verdadeiro e que tudo que mencionei acima esteja em minha imaginação. Você escolhe. O final também, pode ser feliz ou triste, dependendo de sua interpretação. É essa ambiguidade, representada também pela pergunta recorrente de Eli a Oskar: "Você gostaria de mim mesmo que eu não fosse uma menina?", que retira o filme da vala comum.

Aliás, interessante essa pergunta, não? Mais interessante ainda é o que ela deixa no ar e no que somos levados a crer por uma inteligente cena de um microsegundo mais para o final do filme que não revelarei aqui para não induzir ninguém a pensar uma coisa ou outra.

E, mesmo com essa ambiguidade toda, Let the Right One In não deixa de ser um filme de horror, com boas doses de sangue. Não tem nada gratuito e o sangue não jorra aos litros mas as cenas são perturbadoras o suficiente para ficar na mente muito tempo depois do final do filme. A cena final, em uma piscina, é o ápice do minimalismo e é brilhantemente executada. Tenho certeza que, na versão americana, tudo que fica para a imaginação nesse final, será mostrado em detalhes, com muita computação gráfica.

Outra escolha excelente do roteiro, vale dizer, é a manutenção dos mitos formadores das lendas dos vampiros, especialmente aquele que diz que um vampiro só pode entrar em algum lugar se for convidado que, aliás, inspira o nome do filme. Alguém alguma vez parou para pensar no que aconteceria com um vampiro se ele entrasse sem ser convidado? Pois bem, nesse filme vemos uma das possíveis respostas.

Let the Right One In é um filme de vampiros no meu estilo: pessoas normais, atuando normalmente, dentro do que é possível para um vampiro, claro. Near Dark, uma pérola vampiresca esquecida, é o que me veio à cabeça assim que acabei de assistir as desventuras da pequena Eli.

Pena que seja necessário fazer tanta porcaria para que se chegue a dois ou três filmes de vampiro que se salvem...

Nota: 9 de 10

terça-feira, 28 de julho de 2009

Crítica de filme: Ice Age: Dawn of the Dinosaurs (A Era do Gelo 3)


O primeiro A Era do Gelo era um filme bacaninha, com começo, meio e fim. O segundo, já começa a descarrilar mas tinha alguma coisa de coerente. O terceiro perdeu a pouca cola que tinha no roteiro e ficou, basicamente, um monte de quadros de comédia independentes, mal costurados sob uma mesma premissa.

Para quem não sabe, esses filmes contam a estória de amigos pré-históricos: um Mamute macho chamado Manny e outro fêmea chamada Ellie (esssa última só aparece no segundo filme), um tigre-dentes-de-sabre chamado Diego e um bicho-preguiça chamado Sid. No meio deles, há o famoso personagem Scrat, um esquilo que só quer saber de ir atrás de sua noz.

Em Era do Gelo 3, Sid acha ovos de dinossauro, que já deviam estar completamente extintos e resolve cuidar dos rebentos. Claro que a mamãe dinossauro aparece e acaba levando Sid para sua terra, onde vários outros dinossauros vivem. Os amigos de Sid, claro, vão atrás e lá encontram uma doninha caolha meio tantã que lembra muito o Tarzã (não fiz para rimar, juro).

O problema do filme não é exatamente a direção que ficou a cargo, novamente, do brasileiro Carlos Saldanha. Ele tem ótimo domínio do meio em que se especializou: o desenho de computação gráfica. No entanto, não há diretor que salve um roteiro fraco e Ice Age 3 é tudo que os filmes da Pixar não são: pouco original, incoerente, somente para crianças.

Ok, eu entendo desenhos que são feitos somente para crianças e não tem problema. Acontece que o primeiro Era do Gelo tinha alguma inteligência. No terceiro, os roteiristas resolveram emburrecer completamente o nível e tratar todo mundo como criança de 4 anos. Uma besteira pois sei, por experiência com minha filha, que crianças de 4 anos adoram filmes altamente inteligentes como Wall-E e Ratatouille. Simplesmente não é necessário baixar o nível para agradar.

Mas Era do Gelo 3 nada mais é do que a versão diluída e repetitiva dos dois primeiros filmes. Ele funciona mais se o virmos como vários quadros cômicos separados. Isso fica ainda mais evidente quando notamos que Scrat, o tal esquilo maníaco pela sua noz, tem um papel muito proeminente nesse episódio, apesar de não interagir com os personagens principais. As cenas com Scrat, que poderiam, juntas, formar um filme independente, são as mais engraçadas mas, também, as que menos fazem sentido no contexto do filme.

É como se os roteiristas tivessem ficado sem idéias para os personagens principais ou como se tivessem notado que foi esse o personagem que mais fez sucesso desde o primeiro filme. E, de fato, Manny, Ellie, Diego e Sid não têm "personalidade" o suficiente para carregar um filme nas costas. São personagens mornos, simplistas, sem qualquer charme. Scrat é bem mais interessante, apesar de não falar uma palavra. É mais ou menos a mesma coisa que os pinguins de Madagascar são para os demais animais do desenho da Dreamworks/Paramount.

Ah, vi esse filme em 3D e posso garantir que, dessa vez, o 3D não ajuda em nada o filme. Fica efetivamente parecendo que Carlos Saldanha só decidiu usar o efeito para extrair sustos fáceis do público, bem diferente do uso sutil em Coraline, por exemplo. Uma pena que os estúdios não tentem ao menos uma ou duas vezes fazer o que a Pixar faz todos os anos.

Nota: 4 de 10

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Crítica de filme: 17 Again (17 Outra Vez)


Foi total falta de alternativas. Estava no avião, sem conseguir dormir e comecei a passar a seleção de filmes. A única coisa que eu não tinha visto era essa maravilha aí, estrelada por Matthew Perry e Zack Efron. De tão ruim que eu sabia que ia ser, eu nem me preocupei em colocar o fone de ouvido. Fiquei só nas legendas mesmo, que são muito mais do que suficientes para entender o que está acontecendo na complexa trama.

Os dois atores fazem o papel de Mike O'Donnell. Matthew Perry, péssimo ator, é o personagem nos dias de hoje, com dois filhos que ele mal conhece e um casamento em frangalhos. Zack Efron, também péssimo ator, é Mike com 17 anos, mas nos dias de hoje também, tentando reviver sua vida. Por um passe de mágica, o adulto se transforma no adolescente. Apenas gostaria de saber de onde o roteirista tirou essa "brilhante" e "original" idéia, que nunca tinha sido feita antes...

Ultrapassada a questão da originalidade e as inevitáveis comparações com Big (Big, na verdade, está para 17 Again assim como Shakespeare está para Sidney Sheldon...), não sobra nada para 17 Again. Perry é retirado do filme com 15 minutos de projeção e todo o foco se vira para Efron, que até chega a ensaiar uns passinhos de dança, claro, para lembrar as adolescentes de seus momentos High School Musical. Ah, ele até joga basquete no filme. Nem para trocar de esporte serviram os roteiristas...

Tudo é muito óbvio, do começo ao fim. A única coisa legal é o nerd do melhor amigo de Mike, Ned Gold (vivido pelo ótimo Thomas Lennon). O cara é milionário e só pensa em comprar espadas de elfos, bonecos de Star Wars, estátuas de Star Trek e por aí vai. A cama dele é o speeder de Luke Skywalker no primeiro Star Wars, só para vocês terem uma idéia. O diálogo dele em "élfico" com a diretora da escola - que se revela uma maluca que nem ele - é impagável. Mas é só. O resto é bem simples e rasteiro, sem a menor tentativa de quem quer que seja de trazer alguma coisa de razoável para a telona.

O que me irrita mais é que roteiros como esse são aprovados todos os dias pois nós, do público, acabamos assistindo e prestigiando lixos como esse.

Nota: 3 de 10 (unicamente em razão do personagem de Lennon)

domingo, 26 de julho de 2009

Crítica de filme: Public Enemies (Inimigos Públicos)


Vamos falar agora de um outro diretor chamado Michael: Michael Mann (bem diferente de Michael Bay). Ele dirigiu, dentre outros, Manhunter (que, com exceção de Silence of the Lambs, é o melhor filme com Hannibal Lecter já feito), Heat, The Insider, Collateral e Miami Vice. Em outras palavras, só filme de bom para excelente.

Desde Miami Vice, Mann partiu para o uso de câmeras digitais, muitas vezes "handycams" para dar um tom mais de documentário a seus filmes. Em Collateral, ele conseguiu um perfeito equilíbrio e a câmera digital ajudou muito na definição das cenas noturnas (todo o filme, na verdade). Duvidei muito da utilização dessa tecnologia de ponta em um filme de época como Public Enemies mas Mann é o cara e o filme é mais um bom exemplo de como se filmar.

John Dillinger (o sempre excelente Johnny Depp) é o Inimigo Público no. 1 dos Estados Unidos nos anos 30. O nascente FBI tenta capturá-lo mas, quando consegue, ele foge. Dillinger é um ladrão de bancos comum, adorado pela população pois é visto como uma espécie de Robin Hood. Do outro lado, temos o agente especial Melvin Purvis (Christian Bale, também excelente) empossado pessoalmente pelo sensacionalista diretor do FBI, J. Edgar Hoover (Billy Crudup, que aparece poucos minutos mas brilha). Purvis é um agente à moda antiga, quase um cowboy, que se vê envolvido em um caçada humana tendo todo o FBI por trás para ajudá-lo.

Dillinger, enquanto isso, vive a vida numa boa, desfrutando do bom e do melhor e apaixonando-se por Billie Frechette (Marion Cotillard, sem sotaque), uma humilde trabalhadora. Dillinger é, talvez, o último dos ladrões sofisticados, o representante de uma espécie em extinção. Em seu lugar, máfias de jogos e de crimes altamente sofisticados, começam a aparecer. Assim como Purvis, Dillinger representa o passado, o charme de algo que está desaparecendo. Em uma cena isso fica muito claro: Dillinger tenta descobrir porque não mais recebe ajuda de outros bandidos e dá de cara com o chefão da máfia de jogos local, que está na sala onde as apostas são recebidas ao telefone. Ele claramente diz a Dillinger que ele faz em um dia, apenas com telefonemas, aquilo que Dillinger fatura a cada roubo de banco. Em outra cena, o mesmo mafioso fica preocupado quando percebe que o governo, por causa de Dillinger, está tentando fazer passar lei que determina que é crime federal qualquer crime que ultrapasse a barreira de um estado americano. Os ladrões modernos não querem mais chamar a atenção da mídia como Dillinger. Para eles, Dillinger é um problema e deve ser eliminado.

O mundo vai se sofisticando e Purvis tem que se adaptar. No entanto, mesmo assim, ele acaba em diversos tiroteios, bem no estilho velho oeste, com Dillinger e sua gangue. O ataque à estalagem onde Dillinger está hospedado após ser ferido em uma tentativa de roubo é uma típica cena que veríamos em filmes de Sam Peckinpah, mas tudo no estilo digital e tremido de Mann. Não se preocupem, porém, aqueles que acham que Mann se vale o tempo todo de câmera na mão. Ele só o faz em situações de extrema ação, para dar um efeito de "correspondente de guerra" ao filme. O resultado é muito interessante e a câmera digital permite que o diretor faça uso de pouca luz, criando excelentes contrastes e contra-luzes.

Uma outra cena que vale destaque é a fuga de Dillinger de uma prisão em Indiana. Armado apenas com um revólver de brinquedo, Dillinger dá um show e sai mansamente dirigindo o carro do xerife local e isso tudo é verdade, exatamente como ocorreu. Mann, claro, não perde a oportunidade para inserir suas próprias idéias sobre Dillinger e o quanto ele se acha invencível. Nenhuma outra cena demonstra isso mais do que o momento em que Dillinger, sem disfarces, simplesmente entra no andar do esquadrão designado para capturá-lo, chegando a perguntar o placar de um jogo do baseball aos agentes que se amontoam em cima de um rádio. Isso certamente não aconteceu na vida real mas Mann, com sua câmera natural, nos faz acreditar naquilo ou, ao menos, torcer para que tenha sido verdade.

Não há glorificação do gângster no filme mas também Mann não deixa uma mensagem muito positiva do FBI. Vê-se um órgão dirigido ditatorialmente por Hoover, com agentes que a qualquer sinal de problema partem para medidas extremas e covardes. Purvis, o "herói", é visto quase que como um Dillinger do lado da lei, ou seja, nada para se orgulhar.

Mann, no entanto, certamente tem muitas razões para se orgulhar de seu filme.

Nota: 8,5 de 10

Crítica de filme: Transformers: Revenge of the Fallen (Transformers: A Vingança dos Derrotados)


Esse é um filme com Megan Fox. Assim, qualquer nota que eu der estará fortemente influenciada pela mera presença dela no filme. Como vocês podem ver pela foto acima (retirada do filme, claro), a moça merece...

Bom, vamos ao filme. Transformers, de Michael Bay, foi um filme bacana, ainda que completamente descerebrado (com ênfase no completamente) e um festival pirotécnico de efeitos especiais. A filmagem de Bay é tão frenética que mesmo depois de ver o primeiro filme por umas 3 vezes, ainda não sei que robô é um Autobot (robôs "bonzinhos") e que robô é um Decepticon (robôs "malvados"). Não que isso importe mas qualquer cineasta com uma mão menos, digamos, pesada, teria conseguido dar alguma coerência às cenas de ação... Mas eu gostei do primeiro filme, exatamente por ser um festival de peças de metal descendo o malho em outro festival de peças de metal, tudo isso com Megan Fox no meio, claro...

O segundo filme, com o subtítulo A Vingança dos Derrotados, é mais do mesmo, ou melhor, MUITO MAIS do mesmo. Michael Bay enlouqueceu de vez e criou as duas horas e meia mais incoerentes possíveis. Não vou nem entrar na questão da geografia usada no filme pois ela é risível mas basta dizer que os robôs vão das pirâmides do Egito à Petra, na Jordânia, como se fossem um do lado do outro literalmente. Bay poderia ter usado monumentos menos óbvios para fazer o que queria fazer mas não, vamos contar com a burrice do público...

De toda forma, o fiapo de estória é algo assim: Sam Witwicky (Shia LaBeouf) encontra um pedaço do cubo do primeiro filme e absorve, sem querer, todo o conhecimento lá contido. Com isso, os Decepticons passam a persegui-lo enquanto os Autobots tentam salvá-lo. Bem complexo, não?

Bom, depois de apresentar uns robôs monstruosos logo no início, Bay parte para o clímax mais longo que já vi em minha vida. A batalha "final" no deserto deve ter facilmente uma hora de duração e não dá para entender quase nada que está acontecendo. Só sei que, de repente, robôs que eram super-poderosos, começam a cair facilmente com meia dúzia de tiros. E isso sem falar nos mais absurdos furos de roteiro (que idiota, como posso reclamar de furos em algo que não existe?).

Quando o tal Fallen chega, que em tese é o mais poderoso dos Decepticons, bastam dois petelecos de Optimus Prime para que ele seja destruído. A única coisa que se salva no filme - tirando Megan Fox, claro, - é o aparecimento do robô idoso Jetfire, um ex-Decepticon que se tornou um Autobot, além de se transformar em um SR-71 Blackbird, um dos aviões mais bacanas já feitos. Como se isso não bastasse, Jetfire até uma bengala tem. Basicamente, ele, Prime e Bumblebee (o Camaro amarelo) são os únicos robôs que são discerníveis na fenomenal bagunça que é esse filme.

Nota: 5 de 10 (seria muito menor se não fosse Megan Fox, claro)

Crítica de teatro: Avenida Q


Humm, como posso começar?

Talvez pelo veredito, nu e cru: Avenida Q é uma porcaria, um lixo criativo que tenta ser uma coisa que acaba não sendo e se baseia apenas na idéia de colocar bonecos comandados por pessoas - que também atuam - para ser "diferente".

Sei que estou na contramão do que vem sendo dito por aí mas não posso fazer nada. Todos os críticos, nos Estados Unidos e no Brasil, adoraram essa peça e eu realmente esperava algo pelo menos razoável. No começo, achei que era problema da tradução do inglês para o português mas depois de uns 3o minutos reparei que não era nada disso. Depois, passei a achar que eram os bonecos o problema da peça mas logo vi que estava errado.

O problema é um só. Avenida Q começa politicamente incorreta, tratando de questões polêmicas como homossexualismo, pornografia na internet, prostituição e coisas do gênero mas acaba sendo, no final das contas, uma estória extremamente politicamente CORRETA e certinha, sobre o amor ultrapassando barreiras e por aí vai. Fala-se palavrões, trata-se de pornografia sem economia de palavras mas, no ato final, tudo magicamente volta ao ambiente asséptico que nos acostumamos a ver em quase qualquer coisa criada nos Estados Unidos.

Uma comparação justa é com Spamalot, a peça da Broadway baseada na obra Monty Python and the Holy Grail. Avenida Q é o humor americano, que tenta ser sacana, cínico e acaba caindo na vala comum. Spamalot é o humor britânico que é sacana e cínico e nunca cai na vala comum. O destaque de Avenida Q é um artifício: o uso de bonecos comandados por seres humanos também atuam como seus bonecos. Bacana? Com certeza? Mas nas mãos da galera do Monty Python esse artifício funcionaria como mágica, da mesma maneira que a cena com o coelhinho fofinho branquinho e MONSTRUOSO funciona ao final de Spamalot.

Avenida Q é sem imaginação (só uma idéia é realmente boa: o uso dos "Ursinhos Carinhosos" para serem os diabinhos que desviam o caminho virtuoso do personagem principal) e chato. Só funciona por uns 15 minutos, quando ainda estamos inebriados pelo eficiente uso dos bonecos que claramente homenageiam os Muppets.

Depois que a poeira abaixa e nos acostumamos com os bonecos, tudo que resta é a vontade de ir embora...

Nota: 3 de 10

Crítica de TV: Prison Break - 3ª Temporada


Estou de volta, depois de mais de um mês sem postar. Mas há uma razão para isso: estive viajando por 3 semanas e, depois, precisei de mais 2 para arrumar minha vida. Agora, preparem-se para vários posts seguidos.

Antes de começar, vale deixar claro que esse post aqui tem SPOILERS. Fica muito difícil comentar a terceira temporada de Prison Break sem ao menos falar como acabou a segunda. Assim, se vocês não viram a segunda temporada, talvez queiram pular essa crítica. Não estragarei, porém as surpresas da própria terceira temporada.

Eu avisei...

No final da segunda temporada, Michael Scofield que, na primeira temporada, libertou seu irmão Lincoln Burrows e mais uma cabeçada de uma prisão em Chicago, é encarcerado em Sona, a prisão mais barra pesada do mundo, localizada no Panamá. Agora, cabe a Lincoln, que está livre, leve e solto, ajudar seu irmãozinho a fugir.

Sona é um prisão em que a polícia não entra e é "governada" por um dos detentos (Lechero), que a tudo controla. Junto com Michael, estão o pervertido (e, porque não, muito divertido) T-Bag e o policial viciado Alex Mahone. No começo é cada um por si, mas ao longo da temporada, descobre-se, claro, que "The Company" queria Scofield lá para ele planejar a fuga de um dos detentos, um tal de James Whistler. Do lado de fora, o filho de Lincoln, LJ e a namorada de Scofield, Sarah, foram seqüestrados, para forçar os irmãos a trabalharem juntos.

Quando a segunda temporada acabou e vi Scofield preso, o primeiro pensamento que passou em minha cabeça foi: ah, claro, isso tinha que acontecer... Já imaginava uma porcaria de terceira temporada.

Bom, se conseguirmos nos abstrair do absurdo da situação, até que a terceira temporada é bem divertida. Dessa vez, Scofield não tem mais planos super elaborados. Tudo é criado no momento e com o que ele tem nas mãos. Evidentemente que há vários momentos absurdos como Scofield querendo basear toda a fuga da prisão em alguns segundos em que o sol reflete na torre de vigilância e faz com que o policial desvie o olhar. Mas todos esses absurdos criativos cumprem seu papel de dar uma sobrevida que até pode ser interessante para a série.

Tudo dependerá, na verdade, do que acontecerá na quarta e última temporada. São tantas pontas soltas ao fim da terceira temporada que espero com todas as forças que os roteiristas consigam amarrá-las sem partir para explicações escalafobéticas. Se eles conseguirem isso, terão criado uma série muito boa, altamente recomendável como um todo.

Nota: 7,5 de 10