quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Crítica de filme: Hell Ride


O nome de mais destaque no poster desse filme é de Quentin Tarantin mas não, não se trata de outro filme dirigido por ele. Tarantino, agora, emprestou seu nome para "apresentar" filmes, com o selo "Tarantino Presents", tudo como um chamariz para otários como eu assistir a filmes que, de outra maneira, eu nem chegaria perto.

Foi assim que assisti ao obscuro Hell Ride, de 2008, dirigido por Larry Bishop que, antes disso, só havia dirigido um outro ainda mais obscuro filme. Mas Hell Ride tinha outros dois atrativos: estrelam Michael Madsen, David Carradine e Dennis Hopper. Qualquer coisa com um desses três tem que ser ao menos divertido.

E, de fato, Hell Ride ao menos divertido é. A estória é pífia e apenas uma desculpa para sexo e violência: duas gangues de motoqueiros rivais brigam por um tesouro perdido no deserto americano.

Muito paulada, muita coisa inversossímil mas muita coisa divertida. Poderia ter mais paulada. Às vezes Hell Ride peca por uma certa calma, algo que não combina com esse tipo de filme. 

Tarantino, porém, tem que parar de "apresentar" e terminar logo de dirigir Inglorious Bastards.

Ah, Feliz Ano Novo para todos, repleto de filmes interessantes!

Nota: 6 de 10

Club du Film - Ano IV - Semana 01: Scarface


Há três anos, no dia 28 de dezembro de 2005, eu e alguns amigos decidimos assistir, semanalmente, grandes clássicos do cinema mundial. Esse encontro ficou jocosamente conhecido como Club du Film. Como guia, buscamos o livro The Great Movies do famoso crítico de cinema norte-americano Roger Ebert, editado em 2003. Começamos com Raging Bull e acabamos de assistir a todos os filmes listados no livro (uns 117 no total) no dia 18.12.2008. Em 29.12.2008, iniciamos a lista contida no livro The Great Movies II do mesmo autor, editado em 2006. São, novamente, mais 100 filmes. Dessa vez, porém, tentarei fazer um post para cada filme que assistirmos, com meus comentários e nota de cada membro do grupo (com pseudônimos, claro).
Filme: Scarface (1983)
Data em que assistimos: 29.12.2008
Crítica: Scarface é um clássico oitentista e um excelente veículo para a consolidação da imagem de Al Pacino. O cara está sensacional como Tony Montana, um refugiado cubano que só pensa em subir na vida da forma mais ilícita possível. Ele quer sempre mais e mais e acaba se tornando o rei das drogas da Florida, tomando o império de seu primeiro empregador, Frank Lopez (vivido por Robert Loggia). Ao atingir o topo, com o dinheiro, bens e mulheres que queria, Tony começa a cair em uma espiral descendente velocíssima. Em seu afã de ter mais e mais, comete as maiores atrocidades com o melhor amigo, irmã, mulher e associados. Não quer saber o que está pela frente.
Al Pacino encarnou o personagem - e acho que até hoje não se livrou completamente dele - e oferece uma performance exagerada, inflada, exatamente como Tony Montana exige. A quantidade de vezes que ele fala "fuck" no filme é impressionante... Michelle Pfeiffer, belíssima, faz uma mulher drogada, sem futuro, que casa com Tony depois dele despachar seu marido Frank.
O final é apoteótico e brilhante, em que Tony, manejando uma metralhadora com lança foguetes, combate uma horda de incompetentes sul-americanos que estão lá para acabar com a raça dele, tudo isso no hall de sua mansão, onde se lê em neon bem brega o clássico "The World is Yours".
Notas:
Minha: 8 de 10 

Klaatu: 10 de 10 

Barada: 10 de 10

Presente de Natal

Ops, que péssima notícia para a Warner e para os fãs de Watchmen. Como muitos devem saber, a Fox havia ingressado com uma ação contra a Warner alegando ter os direitos sobre Watchmen e que a Warner não poderia lançá-lo.

No dia 24 de dezembro, conforme noticiado na imprensa, o Juiz do caso resolveu dar um presente de grego de Natal para a Warner e prolatou uma decisão inicial indicando que a Fox tem ao menos os direitos de distribuição do filme e que o julgamento, marcado para o dia 20 de janeiro, determinaria a extensão exata desses direitos, a eventual indenização e se a Warner poderia lançar o filme na data prevista de 06 de março.

É um gigantesco golpe para a Warner, que parece já ter gasto mais de 120 milhões de dólares com esse filme. No entanto, a Warner manteve-se forte e emitiu um pronunciamento segunda-feira passada informando que respeita mas discorda veementemente da decisão e que espera que, em um julgamento, tudo seja esclarecido. Pode ser apenas pose de durão para fechar um acordo em seguida mas é um risco enorme.

Eu sou fã de Watchmen (a graphic novel) e tenho esperanças de que o filme será bom. No entanto, não estou morrendo de chateação por um eventual atraso no lançamento pois (1) o filme será lançado mais cedo ou mais tarde, podem ter certeza e (2) essa briga entre estúdios gigantes é quase sem precedentes e é extremamente interessante, ao menos para os advogados (como eu). Estou sendo meio egoísta mas o que posso fazer? 

Não conheço os detalhes da ação mas parece que os direitos sobre a adaptação dos quadrinhos para o cinema foram quicando de estúdio em estúdio até parar de algum jeito na Fox, que liberou os direitos para um produtor, mas com a promessa de que o produtor, se conseguisse fechar a produção, ofereceria a distribuição novamente para a Fox. Pelo que dizem, alguém comeu mosca na Warner e não viram essa cláusula.

Particularmente, acho difícil algo tão claramente errado como isso acontecer em estúdios dessa magnitude, mas tudo é possível. Resta saber o que acontecerá nos próximos capítulos dessa novela.

Uma coisa é certa: pelo menos publicidade gratuita esse filme está tendo, o que só aumenta suas chances de sucesso na bilheteria.

É esperar para ver. 

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Crítica de filme: Space Chimps (Space Chimps - Micos no Espaço)



Assisti Valiant, o desenho animado sobre o pombo que se alista na força aérea britânica para lutar na 2ª Guerra Mundial contra os nazistas. O desenho, produzido pela Vanguard Animation, era muito bacana. Isso me deu esperanças quando soube de Space Chimps, da mesma produtora.


E posso dizer que a Vanguard até que consegue extrair uma limonada dos limões que tem. Partindo do fato que macacos foram usados como cobaias no programa espacial americano, a produtora extrapola e manda uma tripulação desses bichos para um planeta distante. Lá, eles têm que enfrentar um E.T. ditador, que usa uma sonda espacial americana que apareceu por aquelas bandas para dominar o planeta.


Não é lá uma limonada suíça, encorpada. Está mais para aquelas limonadas que o Bolinha vendia em frente de casa, nas revistinhas em quadrinhos, ou seja, bem aguadas. O filme diverte mas de forma bem rala e simples, sem pretender ser muito mais do que um desenho animado do tipo "Sessão da Tarde". Algumas piadas inteligentes para adultos aqui e ali e várias piadas rasteiras para as crianças (que, infelizmente, são sempre subestimadas nesses desenhos). A computação gráfica também não compromete mas também não inspira...


Vale o aluguel do DVD ao menos (se você tiver criança em casa, claro).


Nota: 5 de 10

What we've got here is a... failure to communicate. Some men you just can't reach.

A frase do título povoa minha cabeça há anos, desde que escutei pela primeira vez a música Civil War do Guns 'n Roses. Depois da música, eu a ouvi algumas outras vezes em outras situações mas nunca soube de onde era. Descobri há pouco tempo, quando assisti Cool Hand Luke, um clássico de 1967, estrelando Paul Newman, falecido este ano.

A estória é bem simples e o título em português, bem básico, é bastante descritivo do personagem título: Rebeldia Indomável. Paul Newman faz Luke um rebelde sem causa que acaba na prisão fazendo trabalhos forçados, por cortar parquímetros só de onda. Na prisão, tendo em vista seu carisma e atitude, ele logo se torna um ícone e todos os demais prisioneiros passam a "viver através dele". Seus colegas o admiram e querem ser Luke, com seu espírito inconformista e agitado.

Luke tenta fugir algumas vezes e, a cada fuga, a prisão fica mais dura para ele, com penas mais severas. Seu espírito quer se livrar do cárcere mas seus companheiros quase que o querem lá, sempre rebelde, para poderem beber da vivacidade de Luke. É muito interessante a relação dos prisioneiros com Luke e de Luke com os prisioneiros. Não há explicação para os atos de Luke a não ser que eles fazem parte de sua personalidade. Luke é assim e nada pode mudá-lo. Luke inspira as massas.

Apesar de não ser um filme complexo ou religioso, ele toma uns contornos muito interessantes, que culmina em um paralelo muito forte entre Luke e Jesus Cristo, inclusive graficamente na famosa cena em que Luke come 50 ovos cozidos (só vendo para entender). Fica claro desde o início que o destino de Luke é um só, sem dúvida semelhante ao de Cristo. Não sei bem o que o diretor e o roteirista quiseram fazer ao criar esse paralelo mas sei que o filme ficou interessante e, definitivamente, sedimentou a carreira estelar de Paul Newman.

Nota: 8 de 10

Sem imaginação


Nim's Island tem um trailer curioso. Mostra a garotinha Nim, que vive em uma ilha deserta com seu pai cientista. Um dia seu pai pega o barco  e não volta e Nim fica sozinha, tendo que pedir ajuda ao seu personagem favorito, uma espécie de Indiana Jones, que ela acha que existe de verdade. Só que esse personagem (Alex Rover, vivido por Gerard Butler, que também encarna o pai da garotinha), obviamente, não existe e o contato dela é com a autora dos livros (Alexandra Rover, vivida por Jodie Foster) em que o personagem aparece. A autora e o personagem têm o mesmo nome, apesar de serem completos opostos: a autora é uma ermitã que vive dentro de casa e sofre de agorafobia (medo de lugares abertos); o personagem é um homem atlético que vive aventuras pelo mundo afora. Com o grito de socorro da garota, a verdadeira Alex Rover acaba partindo em seu resgate. Isso tudo você no trailer. O filme, obviamente, seria sobre as aventuras de Alex com Nim na ilha, certo?

Errado.

O trailer é toda a estória. Como obviamente deduzimos no primeiro centésimo de segundo do filme que o pai da garota não morreu e voltará, o filme TODO é sobre Nim na ilha, com algumas aventurinhas idiotas e Alex Rover tentando chegar na ilha, o que só acontece quando faltam uns 20 segundos para acabar o filme...

Inacreditável a perda de tempo para ficar vendo uma garotinha de 11 anos dar uma de Esqueceram de Mim em um ambiente tropical, ajudada por uma foca e um pelicano.

Só funciona para crianças bem pequenas, o que foi minha "desculpa" para assistir essa pérola.

Nota: 3 de 10

E os remakes não páram

Um pouco mais abaixo eu falei de um remake de Yojimbo: Sukiyaki Western Django. Era um remake com alguma justificativa, com alguma originalidade, com alguma coisa que justificasse sua existência.

Definitivamente não é o caso do remake de The Hitcher (A Morte Pede Carona), um clássico de 1986, estrelando Rutger Hauer e C. Thomas Howell. 

Com o mesmo título, o filme de 2007 é um lixão, que não paga o celulóide em que foi filmado. É quase a mesma estória, cena a cena, sem nenhum originalidade qualquer. Humm, não, mentira. Tem algo MUUUUITO original: o brilhante do roteirista colocou o cara para ser cortado em dois na cena do caminhão e não a garota. Palmas para ele! O cara merece! Ele realmente deve ter se achado o máximo quando, na sala de reunião em que fez o pitch do roteiro, explicou essa mudança radical. Mais maneiro ainda devem ter sido as caras dos produtores (Michael Bay entre eles) ao notarem que essa idéia era uma mina de ouro de tão sensacional... Gênios!

Trocaram Hauer por Sean Bean, o Boromir de The Lord of the Rings, e colocaram mais explosões aqui e ali (além da sensacional mudança acima explicada) e voilà, mais um filme na lata.

Teria sido melhor se eles tivessem feito The Hitcher 2, com um Rutger Hauer geriátrico, matando velhinhos após pedir caronas naquelas scooters elétricas... 

Esse pessoal de Hollywood podia combinar de pensar um pouco antes de fazer mais remakes mas sei que isso é pedir demais já que em breve teremos Sexta Feira 13, Nightmare on Elm Street e várias outras pérolas completamente refeitas, re-empacotadas e re-vendidas como obras novas e sensacionais.

Ah, e tem mais: eu sei que o poster que coloquei acima é o do filme original. É que me recuso a prestigiar essa porcaria nova que fizeram...

Nota: 0,5 de 10

Crítica de filme: Madagascar: Escape 2 Africa (Madagascar 2 - A Grande Escapada)


Madagascar 2, que de Madagascar só tem os primeiros 5 ou 6 minutos, é muito divertido, quase tão divertido quanto o original. Voltam todos os personagens do primeiro filme: Alex (o leão), Marty (a zebra), Gloria (o hipopótamo) e Melman (a Girafa). No entanto, voltam, principalmente, Julien, o rei doidão dos macacos e os 4 impagáveis pingüins. Para dar o tom, o filme já abre com os personagens cantando "I like to move it, move it" (ou, "Eu me remexo muito", em português) em uníssono.

O filme tem um fiapo de estória: ao tentar voltar para NY, os nosso amigos selvagens vão parar na África e Alex reencontra de cara seus pais, Melman vira o curandeiro de seu povo, Marty descobre que não é único e especial como achava e Gloria procura o amor. Enquanto isso, os pingüins partem em missão para roubar carros de safári para remontar o avião quebrado e o Rei Julien acha que é o rei da selva.

A estória é só desculpa para boas piadas mas os roteiristas poderiam ter arrumado antagonistas mais interessantes. Há o clássico "leão malvado" que tem inveja do pai de Alex e, inusitadamente, colocam os turistas - liderados pela velhinha que espanca Alex na Grand Central Station no primeiro filme - como vilões. Não faz muito sentido mas, afinal, trata-se de um filme para crianças e sentido não é essencial.

O bacana é ver o Rei Julien falando as sandices dele e os pingüins tendo que lidar com a greve dos macacos, além do caso de Gloria com Moto Moto, um hilário hipopótamo "gostosão". Outro lance bacana é Marty quebrando a cara quando encontra centenas de outras zebras EXATAMENTE iguais a ele, da cabeça aos pés, inclusive a voz e com as mesmas habilidades. Melman, também, com sua hipocondria em hyperdrive, acha que vai morrer em 48 horas e se presta à um sacrifício.

No final de tudo, é o personagem Alex que se torna o mais insosso de todos, tendo que lidar com um draminha familiar na linha de The Lion King para pobres... Mas tudo fica perdoado quando lembramos que esse mesmo grupo de roteiristas criou os pingüins malandros, que são o ponto alto desse e do outro filme. 

Embalado por uma trilha sonora recheada de grandes sucessos da década de 80 e com computação gráfica realista fazendo contraste aos animais desenhados de forma cartunesca, o filme cumpre seu dever com louvor.

Nota: 7,5 de 10

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Crítica de TV: Desperate Housewives - 4ª Temporada


Desperate Housewives não é um seriado de mulherzinha como muitos pensam. Série de mulherzinha era Sex and the City.

Desperate é uma comédia das boas, com fortes críticas ao American Way of Life. A série conta as desventuras de 4 mulheres moradoras de um subúrbido típico norte-americano, com belas casas, tudo aparentemente calmo, mas escondendo os piores segredos por trás das portas. As 4 mulheres têm suas próprias características, ao ponto do cartunesco: Susan é a mãe estabanada e irresponsável de uma adolescente responsável; Lynette é a mãe perfeita de 4 filhos, que larga o emprego para cuidar deles; Bree é a dona-de-casa inigualavelmente perfeita, com excelentes dotes culinários, bom gosto, cuidado com a família e com a casa e Gabrielle é a dona-de-casa fogosa, que casou por dinheiro e não pode ver homem que já vai atrás.

Esses estereótipos são todos muito bem cuidados para não ficarem totalmente ridículos mas passam o recado direitinho. A primeira temporada gira em torno do suicídio de Mary Alice, a quinta dona de casa desesperada, que acaba não agüentando as pressões daquela vidinha. Tudo é narrado pela própria Mary Alice, do além, o que torna a série ainda mais interessante. Não parecia que a série sobreviveria à primeira temporada pois não havia estória para contar. Foi aí que os criadores, com o sucesso da primeira leva, arrumaram novos vizinhos misteriosos na segunda temporada, o que levou a estória para uma lado que forçou muito a barra narrativa. A terceira temporada, porém, trouxe de volta o mistério da primeira, sem precisar, necessariamente, introduzir novos personagens. O caminho parecia ter sido achado.

Agora, na quarta temporada, as mulheres de Wisteria Lane têm uma nova vizinha mas que não soa muito forçado como na segunda temporada pois os roteiristas conseguiram costurar muito bem um pano de fundo que mostra que essa nova vizinha é, na verdade, uma antiga moradora da rua, que acaba de voltar. O mistério é interessante e bem feito, as reviravoltas são inteligentes e a greve dos roteiristas de Hollywood, que fez com que várias séries fossem reduzidas, teve um efeito benéfico à essa quarta temporada. Só com 17 episódios, os roteiristas tiveram que encerrar o assunto com mais eficiência, tornando cada episódio relevante para a série. E, num twist bem bacana, uma nova situação é criada, que nos leva imediatamente para a quinta temporada, ainda sendo transmitida nos Estados Unidos. Vamos aguardar pois outra boa temporada pode vir por aí.

Nota da quarta temporada: 7,5 de 10 (para comparação, a primeira temporada leva nota 8, a segunda nota 5,5, a terceira nota 7)

A saga do Cabeça de Balde

Não, não vou escrever sobre o Buckethead, guitarrista maluco que toca com um balde da KFC na cabeça. Quero falar sobre o Cabeça de Balde original, o Nova.

Quando era criança, li muito as estórias desse herói e achava muito bacana. Saudosista, resolvi caçar as revistas originais em sebos virtuais e acabei achando a coleção completa, composta apenas por 25 números.

Publicada entre 1976 e 1979, Nova foi uma tentativa da Marvel de introduzir um novo herói na linha do Homem-Aranha. A capa do primeiro número da revista não escondia esse fato, como vocês podem ver acima: "In the marvelous tradition of Spider Man!".

Mas Nova não era uma imitação de Homem-Aranha. A única coisa parecida era o fato de Nova ter como alter ego o adolescente Richard Ryder, estudante problemático tanto em sua vida na escola quanto em sua vida particular. Tirando isso, Nova tem uma origem mais parecida com a do Lanterna Verde, da concorrente DC. Vejamos: um extra-terrestre, depois de combater um monstro que dizimou seu planeta, chega próximo do planeta Terra com sua nave. Sabendo que vai morrer em vista dos ferimentos, ele transfere seus poderes aleatoreamente ao primeiro terráqueo que aparece, logicamente um americano. Com isso, Richard Ryder se transforma em Nova, um homem com poderes de vôo como um foguete, super-força, uma roupa que o protege das intempéries e, principalmente, um capacete amarelo que parece um balde.

É uma estorinha de origem tão vagabunda quanto outras de heróis semelhantes. É um adolescente picado por uma aranha radioativa, quatro amigos que, em vôo espacial são bombardeados por raios cósmicos, reagentes químicos que se misturam e coisas do gênero. Nada original, nada novo.

Nova, porém, era uma das esperanças da Marvel na turbulenta década de 70, que quase a levou à falência. As estórias apresentadas nos 25 números da finada série era bobinhas bobinhas mas tudo dentro do espírito da época. Lê-las hoje traz risos pela infantilidade e pouca complexidade. No entanto, isso também pode ser visto por um lado positivo: os quadrinhos, hoje, depois de obras seminais como Watchmen e The Dark Knight Returns, são extremamente sérios, além de necessitarem de um P.h.D. em história dos personagens (vide o estado lamentável de séries como X-Men hoje em dia, em que os personagens têm 40 anos de estórias nas costas, que precisam ser compreendidos e lembrados). Nova era um novo começo mas que, pelas poucas vendas, durou bem pouco. Sua estória nem acabou na verdade e foram necessários alguns números em séries contemporâneas como Fantastic Four e Rom para que a Marvel contasse tudo o que aconteceu com Nova ao final de sua série regular. Hoje, aparentemente, o personagem voltou com tudo mas, certamente, sem a inocência e a simplicidade dessa tiragem inicial.

Nota: 6 de 10

Um fenômeno de 50 anos

Não sou nem muito fã da Madonna. Resolvi assistir ao show só "por onda". Até gostava das épocas áureas dela, no começo da carreira, com Like a Virgin, Papa don't Preach, Borderline e outras clásssicas. Quando ela começou a fazer músicas dance, com hip hop, música eletrônica e outros gêneros que não gosto, larguei Madonna de lado. Assisti ao show dela no Maracanã há 15 anos e detestei, escutei o mais novo disco dela Hard Candy e detestei. Em outras palavras, tinha tudo para detestar o show dela mas, como sou um cara teimoso, resolvi tentar novamente.

O primeiro obstáculo foi a famosa dificuldade de se comprar ingressos pela internet. De fato, tentei, tentei e tentei por horas, mas acabei conseguindo, não exatamente o ingresso que queria mas algo suficientemente próximo (queria arquibancada central e acabei com a lateral - nada de pista para mim para esse tipo de show). Depois foi a dificuldade dos (des)organizadores para me entregar os ingressos. Paguei uma nota preta, aturei diversos telefonemas e e-mails de confirmação e, depois de quase uma eternidade, eu os recebi em casa.

No dia do show, nada de táxi ou carro. Caí na besteira de ir de táxi ao show do The Police e fiquei horas na volta tentando arrumar algum taxista que não estivesse querendo se aproveitar do momento para cobrar os tubos. Minha esposa teve a idéia de contratar uma van e assim fizemos. Ótima idéia.

Na hora do show, localizamos a entrada correta e começamos a procurar o final da fila. Quase demos uma volta inteira no Maracanã para achá-la. A desorganização era total, com policiais somente preocupados em se esconderem da chuva e nenhuma indicação pela (des)organização do evento...

Dentro do Maracanã, tudo cheio mas conseguimos um lugar debaixo do teto, para fugir de uma eventual chuva, que acabou chegando (fomos no domingo, dia 14/12). Na nossa frente, um bando de tietes imbecis...

Meu estado de raiva por ter entrado nessa roubada era indescritível.

Como se isso não bastasse, toma daquele DJ da Madonna de mandar músicas bate-estaca por intermináveis 40 minutos. E, para coroar tudo, a geriátrica Madonna se atrasou um bocado.

Dito tudo isso, estava, como podem imaginar, absolutamente pronto para odiar o show. E quebrei a cara...

Pode ser exagerado mas o show da Madonna foi o melhor espetáculo musical que já assisti. Não estou falando aqui da qualidade das músicas. Esse é o menor dos problemas. Estou falando de espetáculo com E maiúsculo. E olha que já assisti a muitos shows na minha vida...

Para começar, as músicas: ela conseguiu montar um set list que mesclou, de forma extremamente competente, as porcarias atuais com os clássicos de outrora ao ponto das porcarias ficarem boas. Mandou Spanish Lesson, do disco novo, juntamente com La Isla Bonita, um de seus clássicos. Tocou Vogue com a melodia de 4 Minutes do disco atual. Mandou um Borderline em estilo roqueiro trash. Arrrasou com Liike a Prayer que perdeu o viés católico de antes para abraçar uma celebração das religiões do mundo. Madonna ainda pediu para um fulaninho lá da fila do gargarejo escolher uma música para ela cantar mas avisou que só cantaria se ela gostasse da música. O cara, claro, escolheu errado e ela passou a bola para outra pessoa, que pediu Express Yourself. Acertou. Madonna cantou sem acompanhamento musical, junto com o público.

Tenho certeza que muitos leram que Madonna cantou algumas músicas com playback. Errado. Madonna cantou TODAS as músicas com playback (com exceção de Express Yourself, claro). A música de abertura, Candy Shop, já foi cantada com playback, sem a menor justificativa. No entanto, a pergunta é: isso estragou o espetáculo? A resposta é certamente não. Madonna não é uma roqueira. Canta músicas pop que, necessariamente, têm que ser acompanhadas de números de dança. Não tem como ela não usar playback, mesmo que tivesse 20 aninhos. O bacana é que ela não escondeu que usou playback pois toda hora abaixava o microfone para fazer algum passo e a música contiuava como se ela estivesse em estúdio. Há que se repetir: o show da Madonna transforma a música em um detalhe (se isso é bom eu não sei mas o que posso dizer é que não estava lá para um show intimista).

O palco do espetáculo parecia bem básico e tradicional, com a parte central, dois telões laterais e mais uma passarela que entrava na pista vip e terminada em um círculo. No entanto, de básico e tradicional esse palco não tinha nada. A passarela tinha uma esteira quase imperceptível. O círculo ao seu fim tinha iluminação no chão e tinha toda uma parte hidráulica para sua subida e descida. Acima desse círculo, havia uma estrutura que baixava um telão redondo, todo de LEDs, que criava sensacionais imagens em combinação com o telão atrás do palco.

O figurino de Madonna e de seus dançarinos também era muito bem pensado, assim como a coreografia. Dava para ver que a equipe criativa da auto-intitulada Rainha do Pop gastou muito neurônios - e muito dinheiro - na super-produção. Até carro antigo no palco tinha...

E a própria Madonna, costumeiramente fria e pouco comunicativa em seus shows, falou bastante com a platéia, muitas das vezes para reclamar da chuva, que foi inclemente.

De toda forma, o conjunto da obra do show de Madonna me fez esquecer todo o processo até a entrada no Maracanã e me fez apreciar a cinquentona de uma forma que jamais imaginei possível: ela realmente sabe o que está fazendo e realmente oferece aos seus fanáticos fãs um show de extrema qualidade, que consegue disfarçar suas fraquezas como cantora.

Espetáculo é isso: sensacional mesmo para uma pessoa como eu que não é fã, não gosta da fase atual da moça e detestou o último disco.

Nota: 10 de 10

Mais um remake

Yojimbo, A Fistful of Dollars, Last Man Standing e Sukiyaki Western Django. O que esses filmes têm em comum?

Simples: o primeiro é o pai dos demais. Yojimbo, do mestre Akira Kurosawa, está entre um dos melhores filmes já feitos e ponto final. Pode-se dizer que esse filme, sozinho, deu origem ao Western Spaghetti de Sergio Leone e tantos outros. A Fistful of Dollars é basicamente Yojimbo passado no velho oeste americano (ou seria italiano???) com cowboys no lugar de samurais. Last Man Standing é a refilmagem mais recente, com a transposição do western para um filme de gangster. As duas refilmagens funcionaram muito bem dentro de suas propostas.

Sukiyaki Western Django é a última novidade. O filme não transpõe a estória para um cenário futurista ou atual como alguns vão deduzir mas sim volta para o Western, em Nevada, nos Estados Unidos mas com cenários que lembram o Japão feudal, com "cowboys" que são samurais, usando espadas e pistolas, vestidos de túnicas. É uma mistureba danada, com direito até às músicas clássicas de Ennio Morricone. 

E então? O filme funciona? Fico feliz em dizer que sim, funciona muito bem. É estranho, verdade, mas um estranho fascinante, que instiga a imaginação. O filme abre com um estória que parece ser separada, estrelada por Quentin Tarantino, com cenários de papel e banhados em cores fortíssimas. Ao fim dessa estória, cortamos para a chegada de um cowboy/samurai solitário chegando à uma cidade (em Nevada) que, como disse, lembra uma cidade medieval japonesa. Lá, duas gangues dividiram o território, a gangue branca e a gangue vermelha, todas as duas formadas somente por homens. A gangue branca, porém, tem uma solitária mulher com um filho. 

Segue uma disputa para saber quem vai ficar com o forasteiro, que se mostra um excelente pistoleiro. Depois disso, toma de flasbacks e flashbacks dentro de flashbacks, passados sombrios, tiroteios insanos com direito à balas curvadas e uma gatling gun, malabarismos mais ainda, revelações surpresa e morte atrás de morte até sobrar só um de pé.

E tudo isso com cores primárias fortes que, se não fosse a oportunidade de ver em alta definição, certamente "sangrariam" para fora de seus locais corretos. A direção é eficiente mas a cenografica e figurinos são o verdadeiro show aqui.

Muito divertido. Recomendo.

Nota: 7 de 10 

Crítica de TV: The Wire - 1ª e 2ª Temporadas


O título desse post é descritivo e eu poderia parar por aí. The Wire é, sem dúvida, a melhor série dramática feita para a televisão que já tive o prazer de ver em minha vida. Sopranos é brilhante, Battlestar Galactica (antes que me encham a paciência, essa série é dramática, não de ficção científica) é sensacional mas The Wire está dois patamares acima, hors concours

Essa série é da HBO e já havia lido críticas muito positivas há algum tempo sobre ela. Recentemente, um amigo me emprestou as 5 temporadas (a série acabou esse ano) e assisti a duas. Não preciso nem assistir as demais para ter a mais genuína certeza do que escrevi no título.

Cada temporada tem uns 12 episódios e conta um caso apenas, de seu começo ao seu fim. Na primeira temporada, Jimmy McNulty, um policial da divisão de homícidios de Baltimore, fica irado com a absolvição de um suspeito e parte para fazer mais do que seu trabalho normal e construir um caso que pode chegar até aos mais altos escalões. 

Mas o caso não importa. O que vale mesmo é a forma absolutamente realista que os criadores da série optaram por utilizar. Nada de explicações detalhadas do que está acontecendo. Nada de detetives brilhantes. Nada de tecnologica de ponta. Nada de ações policiais sensacionais. A série toda é construída em detalhes, mostrando a ineficiência da polícia, a corrupção até das melhores pessoas, a podridão da politicagem apenas para subir na carreira. McNulty é um rebelde e, como tal, é odiado pelos altos escalões da polícia, que só querem saber de resolver casos da maneira mais prática possível, seja chegando ao culpado sem se preocupar se ele tem um mandante, seja dando um jeito para que o crime investigado seja empurrado para outro distrito. 

Mas a série não se perde nesses meandros políticos apenas. Ela é baseada na obra de um jornalista investigativo e, por isso, mesmo, tem muitos detalhes policialescos interessantes, como a criação de unidades apartadas para a resolução de um caso apenas e a hierarquia dentro da polícia e suas várias divisões. No outro lado da moeda, a primeira temporada de The Wire mostra a hierarquia de um grupo de traficantes de drogas e seus esquemas altamente sofisticados para impedir a detecção pela polícia.

No entanto, para ver essa série, o espectador tem que ter perseverança. Seu estilo quase que de documentário pode afastar algumas pessoas menos pacientes. O mesmo se pode dizer dos episódios um pouco mais longos que o normal, uma hora no lugar de 42 ou 45 minutos. Mas, depois de uns 3 episódios, eu duvido que qualquer pessoa normal não esteja completamente fisgada pela série. 

Há um episódio em particular, que, para mim, foi o episódio que me fez parar e pensar: "Uau, essa série põe qualquer outra no chinelo". Nesse capítulo, McNulty e seu parceiro Bunk chegam à cena de um crime e, sem trocar uma palavra que não seja "fuck", a reconstróem no melhor estilo CSI mas sem a tecnologia e o palavreado irritante que explica ao espectador, tintin por tintin, o que está acontecendo, como se todos fôssemos completos iditotas. Depois desse episódio, não vou conseguir assistir a mais nenhum segundo de CSI sem rir dos palermas que ficam dizendo para a câmera o que está se passando, com a ajuda dos flashbacks, claro, como se falar não fosse o suficiente. 

A segunda temporada de The Wire conta outra estória diferente, envolvendo o sindicato dos estivadores do porto de Baltimore. Tudo começa quando uma policial acha 13 corpos de mulheres do leste europeu em um container. Na verdade, tudo começa da forma mais frívola possível: uma picuinha ridícula entre o chefão de polícia e o secretário-tesoureiro do sindicato em torno de um vitral de igreja. Aliás, essa jogada do vitral deve ser, na verdade, a norma para se iniciar casos e não a exceção. Isso mostra policiais que agem apenas guiados pelo seu ego, sem a menor vontade de efetivamente cumprir um dever. 

O caso, porém, é complicado e começa a tomar um vulto enorme, com várias ramificações. Não se preocupem pois a segunda temporada não é completamente diferente da primeira. Voltam os mesmos personagens, tanto do lado dos policiais quanto dos traficantes,  mas não da mesma forma. É brilhante. Só vendo para acreditar.

Na medida que eu assistir as outras temporadas, eu escrevo.

Nota da primeira temporada: 9,5 de 10 (perde meio ponto somente porque o último episódio tem sua resolução meio corrida)

Nota da segunda temporada: 10 de 10

Crítica de TV: My Name is Earl - 3ª Temporada


My Name is Earl é uma série divertidissíma. Conta a estória de Earl Hickey, um capiraço típico americano, de cidade pequena, que vive a vida de pequenos golpes, nutre um egoísmo absurdo que só é quebrado pelo amor que sente por seu irmão Randy, um gordo com apenas um ponto de QI acima do retardamento total. Com se isso não bastasse, Earl é casado com uma mulher "vagaba" que o trai com o dono de um bar. 

Mas a estória não é essa. Earl, no primeiro episódio da primeira temporada, ganha 100 mil dólares em uma raspadinha mas perde o bilhete quando é atropelado. Odiando-se pela desgraça que é sua vida, Earl, ao assistir a um programa de auto-ajuda, decide que tudo que ocorreu de ruim para ele foi por causa do Karma. Ele deduz que, como só faz coisas ruins para os outros, Karma o pune com coisas ruins. Earl cria, então, uma lista (bem grande, por sinal) contendo todos os atos ruins que ele fez com outras pessoas para que ele possa fazer coisas boas à elas. Essa é a premissa da estória e é com isso que a primeira temporada lida. São capítulos extremamente originais e engraçados de chorar, todos eles sobre Earl tentando fazer o bem para pessoas que maltratou.

A segunda temporada, quando achamos que só teríamos mais do mesmo, dá uma guinada e mostra Earl tentando resolver a vida da ex-mulher, que foi acusada de furtar um caminhão e de seqüestrar (sim, ainda com trema pois não estamos em 1º de janeiro) uma pessoa que estava dentro do caminhão. Muitos dos episódios giram em torno disso mas há outros não relacionados, uns se passando na América Latina e por aí vai. A série continuou forte.

Na terceira temporada, os criadores da série não se deixaram desanimar e criaram toda uma nova estrutura, com Earl preso em um prisão, não podendo, assim, lidar com a lista. Novamente, ótimas sacadas dos roteiristas e a série não perde o rebolado. 

É, talvez, a série mais politicamente incorreta da televisão e, por isso mesmo, talvez uma das melhores comédias de hoje. Vamos ver o que a quarta temporada tem para nós.

Nota (da terceira temporada): 8 de 10 (para comparação, a primeira é 9 de 10 e a segunda 8 de 10)

domingo, 30 de novembro de 2008

Decepção


Decepção não é a tradução de Deception, filme que vi com amigos em Blu-Ray há alguns dias, mas é o que senti ao seu fim. Pensando bem, sua tradução literal, Embuste, também descreve meus sentimentos sobre o filme.

O filme é dirigido pelo estreante Marcel Langenegger e é estrelado por Hugh "Wolverine" Jackman (no papel de Wyatt Bose) e Ewan "Obi-Wan" McGregor (no papel de Jonathan McQuarry). A premissa é interessantíssima: Bose, um advogado, aborda McQuarry, um contador , enquanto este último faz a análise contábil do escritório onde o primeiro trabalha. Os dois travam um bate papo interessante e acabam amigos. McQuarry, mais humilde, começa a viver a vida milionária de Bose e, em determinado momento, sem querer, o contador troca de telefone celular com o advogado. O telefone do advogado é uma ferramenta de encontros às cegas, em que mulheres solteiras (ou não) ligam para o número e perguntam se Bose está "disponível". Tudo por uma noite de sexo sem compromisso. McQuarry, muito retraído normalmente, acaba entrando na brincadeira e passa a usufruir da chamada "The List". Sempre que recebe uma ligação, passa a noite com a mulher que ligou. Enquanto isso, Bose está viajando a negócios e estimula McQuarry a continuar usufruindo do telefone enquanto ele não volta. Mas as regras da "The List" são: nada de nomes, nada de conversa. Seria perfeito se McQuarry não se apaixonasse por uma das mulheres com quem entra em contato.

Daí em diante, o filme se torna um thriller que brinca em torno das percepções. O jogo, na verdade, é o título do filme e contar muito mais que isso é "spoiler". 

No entanto, essa premissa para lá de bacana acabando se tornando um filme rasteiro, de resolução óbvia e forçada, sem qualquer valor para o espectador. Uma grande idéia e um grande elenco foram desperdiçados por que o roteirista Mark Bomback (que escreveu Die Hard 4, certamente longe de ser um primor em termos de estória) acabou escolhendo o caminho mais fácil. O terceiro "ato" do filme é tão fraco que estraga o divertimento que são as duas primeiras partes. 

Não vale à pena o esforço nem de alugá-lo para uma noite chuvosa...

Nota: 4 de 10

sábado, 29 de novembro de 2008

Crítica de filme: Burn After Reading


O mais novo filme dos irmãos Coen, Burn After Reading, é um alívio para a tensão que foi No Country for Old Men. Não que o No Country seja ruim, ao contrário, é uma obra-prima sensacional. Mas é que a mensagem triste e pesada do filme ganhador do Oscar é completamente diferente da mensagem de Burn After Reading.

Burn é, por excelência, uma comédia. No entanto, os Coen fizeram o filme como se estivessem filmando o mais novo filme de Jason Bourne ou de James Bond. Começa com uma imagem da Terra e um constante zoom até a sede da CIA. Lembra muito o começo de Enemy of the State, de Will Smith. Os cortes e a montagem são frenéticas, com muito uso de câmera na mão. A trilha sonora, também, tem o mesmo tom: é igualzinha ao padrão de filmes de espionagem, com suspense e mudanças de atmosfera todo o tempo.

A estória é brilhante: Osbourne Cox (John Malkovich) decide largar seu emprego na CIA e parte para escrever suas memórias. Em determinado ponto da estória, um CD contendo parte do que escreveu cai nas mãos de Chad Feldheimer (Brad Pitt), um personal trainer gay e de Linda Litzke (Frances McDormand), uma gerente de academia completamente desgostosa com seu corpo e com sua vida. Os dois, então, partem para chantagear Cox. Paralelamente, há a estória de Harry Pfarrer, um policial metido a garotão vivido por George Clooney e Katie Cox (Tilda Swinton), esposa de Osbourne Cox.

Só o elenco já é razão mais do que suficiente para se assistir ao filme. Não há adjetivos suficientes para qualificar a galera que listei aí em cima. Todos estão sensacionais. Talvez o melhor seja o mais improvável: Brad Pitt. Ele está arrasando como uma bichona das mais alegres. Clooney também está ótimo e merece destaque.

É sensacional ver os Coen usando os clichês e chavões dos filmes de espionagem para demolir todas as convenções e mostrar que até essa profissão pode ser ridícula e completamente mundana. Todo o heroísmo dos super-espiões que vemos é pisoteado pelo jeito pretensioso de Cox e a completa burrice de Chad e Linda. Esse dois, chegam a levar o CD com as valiosas informações para a embaixada Russa, tentando reviver os tempos de guerra fria.

O mais bacana é ver que as pessoas podem ter problemas pessoais e familiares mais complicados que a relação dos EUA com a Rússia e esse jogo comparativo os Coen jogam com maestria, para o prazer da platéia. É traição de todos os níveis para tudo quanto é lado...

É um filme light, cujos elementos "sérios" estão à serviço da comédia e paródia. Os irmãos Coen acertaram mais uma vez. O mote do filme "Intelligence is relative" já diz tudo sobre o que esperar dessa grande obra.

Nota: 9 de 10

Gelo preto

O AC/DC entrou na mais nova onda: lançamentos de novos álbuns que são vendidos exclusivamente em determinadas redes. Isso já vinha acontecendo há algum tempo mas, de um ano para cá, essa moda tem se intensificado. Depois do AC/DC lançar seu primeiro CD de estúdio em 8 anos - Black Ice - exclusivamente pelo Wal Mart, o The Police lançou o álbum e DVD Certifiable, da nova turnê, unicamente pela Best Buy.

Não consegui comprar Black Ice durante minha viagem aos EUA pois achar Wal Marts em cidades grandes é tarefa difícil. Há necessidade de se sair um pouco do centro.

De toda forma, acabei comprando aqui no Brasil, por um preço até bastante razoável: menos de 20 reais.

O CD é classicamente um CD do AC/DC. A voz inconfundível do vocalista Brian Johnson continua em forma e os irmãos Young, que de jovens não têm nada, continuam escrevendo músicas bacanas, cativantes. Mas, talvez por ser classicamente um AC/DC o disco não é assim muito especial, muito diferente. Certamente agradará aos fãs da banda, eu inclusive.

Nota: 7,5 de 10
 

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Accelerate

























No dia 08, fui ao show do R.E.M. no HSBC Arena do Rio de Janeiro. Não conhecia o local, que foi construído para ser estádio de basquete para o Pan. Parece inacabado, com rampa de madeira. Típica coisa de obra super-faturada brasileira...

Bom, mas vamos ao show. Para começar, estava razoavelmente vazio, pelo menos nas arquibancadas. A pista estava moderadamente cheia, o suficiente para não fazer feio. Esperava um show muito bom pois o último álbum do grupo, Accelerate (que comentei mais abaixo) é muito bom.

Não foi um show muito bom não, foi excelente. Michael Stipe e sua trupe estão de volta ao topo, com uma apresentação lastreada nas músicas e na presença de palco, não na pirotecnia (como, suspeito, será o show da Madonna). E olha que as luzes e os telões do show era muito bacanas.

Michael Stipe tocou de tudo um pouco, passando pelos clássicos The One I Love, Driver 8, Orange Crush e It's the End of the World as we Know it (and I feeel fine). Mas não deixou de fora as melhores canções do disco novo: Hollow Man e Supernatural Superserious, por exemplo. O grupo tocou e cantou com garra, brindando os fãs com música do mais alto calibre. 

O setlist, que estou com preguiça de copiar, vocês acham aqui:


Nota: 9 de 10

domingo, 23 de novembro de 2008

Crítica de TV: Prison Break - 2ª Temporada


Não, não é Miami Ink. 

Prison Break talvez seja a série mais bem sacada dos últimos tempos. A primeira temporada foi sensacional. Isso, claro, se você conseguir se abstrair um pouco e acreditar que alguém consegue efetivamente levar à cabo um plano tal complicado para entrar e fugir de uma prisão. Para quem não sabe, a série conta a estória de Michael Scofield, que cria um fantástico plano para tirar seu irmão, Lincoln Burrows, da cadeira elétrica. O plano, de tão intricado, foi todo tatuado pelo corpo de Michael que consegue pensar em todas as alternativas possíveis de fuga.

A primeira temporada acabou de forma explosiva e a segunda começa do ponto onde a outra acabou. O elenco todo - agora do lado de fora da prisão - está tentando se manter do lado de fora, enquanto o FBI, chefiado pelo agente Mahone, está ao encalço deles. Para quem achou que as tatuagens de Michael só serviam para sair da prisão, está enganado. O cara pensou em tudo e seu plano é muito maior do que só escapar. 

Na segunda temporada, os personagens, de várias maneiras diferentes, fazem viagens pelo interior americano, convergindo para determinados locais (sempre por razões suficientemente plausíveis) de tempos em tempos. A trama por trás da armação de altíssimo escalão que levou à prisão de Lincoln Burrows só vai se aprofundando mas, diferentemente de Lost, muita coisa é explicada logo na segunda temporada, que é muito bem amarrada.

O final é meio forçado mas é que a série fez tanto sucesso que eles tinham que esticar de alguma forma. Há um potencial interessante para a terceira temporada. Só espero, porém, que a Fox não queira ir muito além da quarta.

Nota: 8 de 10 (a primeira temporada, para comparação, merece uns 9 de 10)

E lá vai mais uma


Para compensar minha falta de postagens, vou mandar mais uma.

Como quase toda a população mundial, assisti Quantum of Solace. Se eu gostei? Sim, claro, como poderia deixar de gostar? É um filme de ação espetacular ininterrupta, que nem te deixa tempo para pensar. É uma invasão dos sentidos, com explosões, socos, tiros, quedas, batalhas aéreas, corridas de lancha, pulos de pára-quedas, perseguições automobilísticas e tudo mais que um filme de ação precisa ser para se qualificar como um filme de ação nos dias de hoje.

Como um filme de 007, ele, porém, não é bom.

Não me xinguem ainda. Deixa eu explicar.

Sei que Casino Royale, que eu adorei, é um 007 para a nova geração, com um Bond mais realista, violento, tosco. Sei também que Casino Royale era basicamente um reboot na série, um recomeço, contando a primeira missão "para matar" do agente secreto do MI-6. Sei disso tudo. No entanto, quando Bond dá um tiro no joelho de Mr. White ao final de Casino, ele se apresenta como "Bond, James Bond", dando a impressão que, na continuação, teríamos um vislumbre daquele cara que acostumamos ver nos 20 filmes anteriores. Não um cara igual, vejam bem, mas alguém que lembrasse o personagem querido por todos. 

Não foi o que aconteceu. Quantum of Solace (ô raio de título, não?) é Casino Royale elevado ao cubo em termos de ação e truculência do agente com licença para matar que quer por que quer se vingar da morte de Vesper, no outro filme. Aliás, licença para matar é algo que 007 não mais precisa aparentemente. Ele mata e pronto, com ou sem licença. E não só mata como também deixa morrer e não se preocupa muito com as conseqüências do que faz. Tudo que ele consegue pensar é em Vesper e a resposta à uma pergunta que não quer calar: ela gostava de Bond de verdade ou era encenação?

De toda forma, digo e repito: Quantum of Solace é um ótimo filme de ação mas, se comparado com seu predecessor imediato, é um tanto mais fraco, pois a estória é basicamente inexistente. Ele deve ser visto, na verdade, como uma continuação imediata de Casino Royale (o que efetivamente é) e como o fechamento do arco inicial da vida de 007. Espero que os produtores parem por aí e emprestem um pouco mais de charme ao agente no próximo filme, só um pouco mais. Precisamos de mais Martini e black-tie e menos dog fight no espaço aéreo da Bolívia. O final de Quantum parece ir nessa direção e é, sinceramente, o que espero. Caso contrário, 007 terá que ser comparado com Jason Bourne e, vocês vão me desculpar, porradaria por porradaria, sou mais o Bourne de Matt Damon. Se é para 007 ficar igual ao seu concorrente moderno, prefiro que os produtores parem por aqui pois eles não tem chance diante do agente sem memória.

Bom, de toda forma, vale destacar três aspectos bem positivos de Quantum of Solace: (1) a bela homenagem a Goldfinger, o melhor filme da série; (2) a fantástica cena da ópera Tosca em Viena e (3) Olga Kurylenko, uma belíssima Bond girl. A foto acima prova isso, tenho certeza (vocês não achavam que eu ia colocar a foto do Neanderthal do Daniel Craig, não é? ;).

Nota: 7 de 10 (Casino, para comparação, é nota 8,5)

Esqueci-me do blog!


Caramba, o mês de novembro está voando e, junto com ele, o ano. Nem tive tempo de postar nada.

Bom, aí vai. 

Voltando de avião dos Estados Unidos, catei um filme que eu pudesse assistir durante o vôo. Vocês sabem o que isso significa: procuro filmes que não tenho a menor intenção de ver nem em DVD, por alguma implicância qualquer. Foi assim com Prince Caspian e de novo, agora, com Forgetting Sarah Marshall.

A implicância com Caspian era óbvia: havia detestado o primeiro filme e não tinha como eu gostar do segundo. Acertei em cheio. No caso de Sarah Marshall, o título e o fato de ser tachado de comédia romântica funcionaram em conjunto para me afastar. No avião, porém, vale tudo.

E, que bom, enganei-me. A implicância não era fundada e o filme merece ser visto pois é uma comédia inteligente, com boas atuações e excelentes piadas.

Trata-se da estória de Peter Bretter (o desconhecido mas excelente Jason Segel que atuou no também ótimo Knocked Up), um compositor de trilha sonora de seriado que namora - e é perdidamente apaixonado por - Sarah Marshall (Kristen Bell, conhecida de séries de televisão), atriz principal do show para o qual compõe as músicas. Ela é sexy e bela e ele efetivamente não acredita que ela pode estar apaixonada por ele. Obviamente, ela dá um pé na bunda nele e ele fica desesperado. Seguindo o conselho de um  amigo, ele parte para um resort no Havaí para esquecê-la mas dá de cara com Sarah e seu novo namorado roqueiro e doidão, no mesmo hotel.

A primeira metade do filme é de rolar de rir. Tive que me segurar para não gargalhar no avião e pagar mico. A segunda metade é a parte "romântica" mas que nunca é lugar comum ou simplista. O amigo que convence Peter a viajar, por exemplo, não vai com ele e fica dando conselhos via webcam em um laptop, junto com a chatíssima esposa. Peter faz os amigos mais insanos no hotel e, claro, encontra uma outra garota (a bela Mila Kunis de That '70s Show). Para se ter uma idéia da originalidade, o sonho de Peter é compor um musical sobre Drácula, usando marionetes e ele chega a cantar a canção principal do sonhado show - triste e com sotaque romeno, do Conde Vlad - em pleno bar havaiano...

Mas essa originalidade toda tem nome: Judd Apatow. Esse cara é o "cara". Produziu nada mais nada menos que muitas das melhores comédias dos últimos anos, tais como 40 Year Old Virgin, Anchorman, Talladega Nights, Knocked Up e Superbad. Produziu também o elogiado Pineapple Express que ainda não assisti. Está vindo aí com Ghostbusters 3. Vamos ver. Espero que continue com a qualidade que mostrou até aqui.

Nota: 7,5 de 10

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Mais um que se vai


Michael Crichton faleceu ontem, de câncer, aos 66 anos. Fiquei surpreso e triste. 

Surpreso pois não fazia idéia que ele tinha câncer. Triste pois eu gostava do cara. Talvez o livro "pop" que eu mais tenha gostado de ler seja Jurassic Park. Li antes do filme de Spielberg e simplesmente amei a estória e, principalmente, a ciência por trás dela. Quase xinguei Spielberg por ter mudado o sensacional final da estória mas acabei perdoando-o pelo assombro visual que foi o filme. 

Crichton sempre esteve na crista da onda tecnológica: falou de dinossauros ágeis e parecidos com pássaros logo quando as primeiras descobertas nessa linha estavam surgindo; viagem no tempo; nanotecnologia. Teve vários de seus livros adaptados para o cinema.

Ele próprio esteve muito envolvido com a indústria do entretenimento audiovisual, criando a famosíssima e ótima série E.R., roteirizando Twister, Westworld e vários outros filmes.  Chegou até mesmo a dirigir 8 filmes, incluindo o clássico e já citado Westworld. 

Fará falta. 

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Não conheço Minneapolis


É muito chato ir a um lugar e não conhecer o lugar. Foi o que aconteceu em Minneapolis. Estive lá ontem por menos de um dia, fiquei no hotel do aeroporto e só saí para visitar um cliente e para uma coisinha mais.

Essa "coisinha" foi o Mall of America. Se vocês pensam que o Barrashopping é grande, pensem novamente. O Mall of America é maior, muito maior. Nas suas esquinas, há as lojas de departamentos: Macy's, Bloomingdale's, Sears e Nordstrom. Só elas já são grandes o suficiente. No entanto, estou falando só das esquinas. Nas laterais, tem-se mais 520 lojas e restaurantes, basicamente todas as que existem nos Estados Unidos. No meio, há um parque de diversões. Mas não um parque meia boca. Um parque inteiro, com roda gigante e montanhas-russas (reparem o plural).

Tive que visitá-lo até porque o hotel ficava do outro lado da rua. Uma mostruosidade. Cansei só no primeiro andar. Eles alugam carrinhos de compras e tudo mais. Os hotéis tem transportes especiais de hora em hora para o Mall. É uma cidade nas imediações de Minneapolis.

Assim, acabei ficando sem ver Minneapolis. Tenho certeza, porém, que não perdi muita coisa...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Crítica de filme: Changeling (A Troca)

Triste pois parti de Los Angeles sem ver o novo filme dirigido por Clint Eastwood, que havia estreado no dia 24 em circuito limitado, cheguei em San Francisco e logo procurei saber se havia uma cópia por lá. Apesar de circuito limitado normalmente significar Nova Iorque e Los Angeles apenas, tive sorte que Changeling também estava passado em uma tela solitária em uma das cidades mais belas dos Estados Unidos.

Parti para o cinema esperando encontrar aquilo que achei dos últimos quatro filmes da batuta de Eastwood (Mystic River, Million Dollar Baby, Flags of our Fathers and Letter from Iwo Jima): primores de direção mas filmes deprimentes demais para eu realmente gostar. Vejam bem, Eastwood provou-se um dos maiores diretores vivos mas os filmes dele não fizeram aquele "clique" comigo. É uma questão de gosto apenas. Assim, tinha certeza que Changeling seria a mesma coisa.

E foi mais ou menos. Mas deixa eu explicar bem: o filme é tão deprimente como os outros quatro, a direção é sensacionalmente brilhante como os demais mas Changeling está, como os americanos dizem, "on a league of its own". Talvez junto com The Unforgiven, do mesmo diretor.

Changeling é ambientado na Los Angeles de 1928, quando o filho de uma mãe solteira trabalhadora (Angelina Jolie vivendo Christine Collins) desaparece sem qualquer explicação. O desespero e a recusa de esquecer o filho ao longo de 5 meses é retribuído com a maravilhosa notícia que o garoto foi achado e está chegando de trem. A polícia de Los Angeles havia feito um excelente trabalho investigativo. Acontece que, no momento em que o garoto sai do trem, a mãe diz que ele não é seu filho. Ela tem certeza disso, afinal, ela é mãe. A polícia, porém, tem certeza também que aquele é o filho dela. Laudos médicos são produzidos nesse sentido. É óbvio que a histeria da mãe tem relação com seu desespero ao longo de 5 meses. O mistério se prolonga e eu não posso dizer muito mais sob pena de estragar o filme.

A estória é sobre a podridão do ser humano em todos os seus sentidos e o amor de mãe, invencível e incansável. Angelina dá um show em sua interpretação. Ah, vale ainda dizer que a estória é real, o que a torna ainda mais desesperadora.

Mas o show mesmo é a direção de Eastwood. Esse senhor em avançada idade (78 anos!!!) dirige com um força e certeza que são raros de ser encontradas em outros diretores de hoje. Ele fez tudo em detalhes desde a escolha da paleta de cores que mostra o estado de espírito do filme até a trilha sonora que ele mesmo escreveu. Sua ambientação de Los Angeles na década de 20 é algo inacreditável. Cada detalhe, cada esquina parecem vivos como se tivessem sido filmados em locação. Para se ter uma idéia, a cena final, que mostra um cruzamento da cidade ao longo de vários minutos durante os créditos é, por si só, um tour de force maravilhoso, sem qualquer repetição de cena.

Definitivamente, Eastwood está no ponto mais alto de sua carreira. Seu próximo filme, Gran Torino, promete também ser muito interessante, pois é a estória de um veterano da guerra da Coréia (ele próprio) que vive em um bairro povoado de coreanos. Ele é racista e recluso. No entanto, ao ver injustiça, encarna a persona Dirty Harry e sai distribuindo bordoada. Vai ser bom ver Eastwood fazendo um cara durão novamente.

Que ele continue fazendo muitos filmes!

Nota: 9 de 10

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Música no carro

Em L.A., obviamente, tive que alugar um carro. A cidade, literalmente, não permite que você ande ou use o sistema público de transporte pois andar por uma cidade tão grande quanto essa é loucura completa e, além do mais, o transporte público cobre apenas parte da cidade e exige uma capacidade de entender mapas que eu, definitivamente, não tenho. Assim, nada como um carro (de preferência bem grande) com um GPS.


Dito isso, há os engarrafamentos. Contra os engarrafamentos, só mesmo música. Assim, comprei 4 CDs e coloquei na disqueteira do carro. São discos recentes e quero passar brevemente minha opinião sobre eles.


Disco 1 - R.E.M. - Accelerate



É o R.E.M. de volta à bela forma da época de Automatic for the People e Out of Time. Músicas sensacionais, agradáveis de se ouvir, que dão vontade de cantar junto. Valeu cada centavo do meu dinheiro. E esse disco ainda me deixou mais feliz ainda por ter comprado às cegas ingressos para o show do grupo no RJ em Novembro. Será uma excelente apresentação, tenho certeza.


Nota: 8,5 de 10



Disco 2 - Madonna - Hard Candy

Meus comentários acima sobre o novo disco do R.E.M. se aplicam também ao novo da Madonna, só que no universo do Bizarro, onde tudo é o oposto do que é no mundo normal... Porcarias de músicas eletrônicas, com mistura de hip hop e batucadas nojentas. Nada que lembre a Madonna original, de Like a Virgin. O show dela até pode ser bom mas certamente não será por causa desse disco.

Nota: 1,5 de 10

Disco 3 - Metallica - Death Magnetic

É o Metallica se esforçando para voltar às suas raízes de metal pesado e corrido, no estilo de Ride the Lightning. Não consegue, claro. Apesar de algumas canções nesse estilo, eles logo se socorrem de mais melodias que agradam todo o tipo de público. Mas foi uma boa tentativa, certamente anos luz à frente de Load e Reload...

Nota: 6 de 10

Disco 4 - Enya - Amarantine

Ok, esse disco não é novo. Foi lançado em 2005 mas é o último da Enya e comprei pois em 11 de novembro ela vai lançar outro, chamado And Winter Came.

Bom, eu compro Enya para escutar Enya, com toda aquela melodia estilo medieval que ela faz. Não tem muita novidade nesse disco. É mais do mesmo. Não prejudica nem enaltece sua discografia. Tenho medo que, se ela tentar algo diferente, se transforme numa Madonna Celta...

Nota: 7 de 10

Um pequeno tour pelos bastidores de um grande cinema

Levaram-me para fazer um passeio pela história do cinema El Capitan, de propriedade da Disney. Ele fica localizado na Hollywood Boulevard, em Los Angeles, em frente ao Hollywood & Highland (onde fica o Kodak Theatre, sede da noite do Oscar).

Trata-se de um cinema único e especial, que a Disney comprou junto com o Pacific Theatres (dono do Cinerama que discuti abaixo) em 1989 e restaurou ao seus mínimos detalhes originais de 1926, quando foi inaugurado. Isso quer dizer que a decoração é bastante brega, com detalhes dourados, papéis de parede coloridos e carpetes em tons de verde. Acontece que, para obter os incentivos fiscais para a reforma, a Disney teve que fazer o cinema voltar a ser como era em sua origem. Na década de 20, Charles Toberman, chamado de "pai de Hollywood", foi responsável pela construção de diversos cinemas, sendo que três deles eram especiais e temáticos, construídos junto com Sid Grauman. O El Capitan era um deles, junto com os também famosos Chinese e Egyptian Theatres. Obviamente, não eram cinemas em sua origem, mas sim teatros.
De 1926 a 1989 o El Capitan passou por diversas reformas, sendo pintado e repintado diversas vezes. Foi uma verdadeira escavação arqueológica o que a Disney fez pois tudo está de volta como era e, agora, 100% dedicado a dar a melhor experiência cinematográfica possível ao espectador. O grande diferencial do El Capitan não é que ele seja o cinema em que todos os lançamentos da Disney estréiam. Na verdade, a grande jogada é o oferecimento de algo a mais. Phil Collins cantou lá na abertura de Tarzan. Sting fez o mesmo no lançamento de The Emperor's New Groove. Só de curiosidade, o primeiro filme da Disney que estreou por lá depois da reforma foi o ótimo The Rocketeer.

No dia que visitei o cinema, estavam projetando A Nightmare Before Christmas em 3D. Caso não saibam, desde o lançamento desse filme há 15 anos, ele é reprisado por uma ou duas semanas logo antes do Halloween e, nos últimos 3 anos, foi convertido para o 3D. Vi 10 minutos e posso dizer que é sensacional.

Voltando ao cinema propriamente dito, antes da abertura dos filmes, um órgão dourado surge do chão e é tocado para a platéia. Senti-me como se estivesse assistindo ao Fantasma da Ópera. O orgão foi outra achado da Disney que o comprou das sobras de um outro cinema em San Francisco que tinha nada mais nada menos que 6 mil lugares (o El Cap tem 1.100)! Imagina só um cinema com 6 mil pessoas assistindo a um filme. Devia ser uma experiência impressionante. Pena que não existe mais. Depois, o orgão desce novamente e um show de cortinas (!!!) começa. É que, lá pelos idos de antigamente, a sofisticação de um teatro era medida pela quantidade de cortinas que tinha. O El Capitan tem 3, cada uma diferente da outra, sendo que a últimá é um show de luz digno de uma parada na Disneyworld.

O El Capitan é definitivamente um grande cinema mas, sem querer ser chato, empalidece diante do Cinerama Dome.

domingo, 26 de outubro de 2008

Tão real que dá medo


Sabe quando você assiste a filmes que não são nenhuma "Brastemp" mas que uma ou duas caracteristicas dele o faz ficar maravilhado, com vontade de repetir a dose?

Pois é, W. é um desses filmes.

Oliver Stone, seu diretor, já passou há muito da sua melhor era. Dirigiu obras-primas como Platoon, Wall Street, Natural Born Killers e The Doors. Dirigiu bons filmes como JFK, Born on the Fourth of July e Any Given Sunday. Depois, dirigiu a bomba Alexander e o mediano World Trade Center. Agora vem W., na categoria de mediano mas com aquela característica especial que o distancia um pouco dos outros medianos de Stone.

Se tem algo que Oliver Stone faz bem é escolher seus atores. Em The Doors, transformou Val Kilmer em Jim Morrison ao ponto que ficava difícil perceber que estávamos vendo um filme sobre Morrison mas SEM o cara. Essa mágica Oliver Stone fez novamente em W.

O filme conta a estória de George W. Bush, o atual presidente americano. Aborda o assunto em dois momentos: logo antes da invasão do Iraque e, em flashback, começa a contar os anos de Bush longe da política, ainda na faculdade. O primeiro diálogo é uma tirada de gênio pois é a cúpula do governo americano tentando nomear a trinca de países "do mal", até chegarem ao famoso Axis of Evil.

O brilhantismo dessa cena, porém, vai além do diálogo. É a oportunidade de Stone de mostrar todos os atores que escolheu para viverem os membros do governo e, também, seus posicionamentos políticos. Josh Brolin é George W. Bush assim como Val Kilmer era Jim Morrison em The Doors. Os trejeitos são perfeitos: aquele olhar idiotizado, a ignorância. Está tudo ali na atuação de Brolin, que merece um Oscar. Mas não pára por aí. Vejam só os nomes e os papéis:

Richard Dreyfuss - Dick Cheney
Scott Glen - Donald Rumsfeld
Thandie Newton - Condoleezza Rice
Jeffrey Wright - Colin Powell

A lista continua, mas esses quatro mais Josh Brolin formam o primeiro time e são sensacionais. Rice é mostrada como uma completa débil mental, que mal tem opinião. Cheney e Rumsfeld são retratados como radicais de direita, partidários da tese do "atire antes e pergunte depois". Powell, por outro lado, é mostrado como um homem inteligente e comedido, um verdadeiro gênio no meio de tantos imbecis.

Mas Bush é mesmo o ponto alto: o tempo todo ele é mostrado como um filhinho-de-papai que nunca fez nada na vida e que, de uma hora para outra, sem ter vocação, partiu para a política. Stone deve odiar Bush pois sempre que pode mostra o presidente comendo de boca aberta e falando, que nem um homem das cavernas.

Essas assombrosas semelhanças dos atores com as pessoas reais e o hábito repugnante do presidente em comer mostrando a comida também "jogam" contra o filme pois um assunto que é sério acaba virando uma comédia. É impossível não gargalhar com Bush atacando um sanduíche na Casa Branca enquanto Cheney mal consegue tocar na comida de nojo. Acho que foi essa a intenção de Stone mas o filme acaba oscilando entre um drama e uma comédia, sem muita definição, talvez até retratando com fidelidade a vida como ela é mas que, para um filme, fica um pouco estranho.

O certo é que cada um dos atores desse filme merece aplausos de pé por encarnarem tão bem seus papéis. O filme fica em segundo plano.

Nota: 7 de 10

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Estrelas e mais estrelas


Sobre Appaloosa eu não sabia quase nada. Vi um poster e percebi que era um Western. Olhei mais de perto e reparei no elenco:

- Ed Harris

- Viggo Mortensen

- Jeremy Irons

- Lance Henriksen

- Renée Zellweger

Definitivamente, era um grande elenco. Bem, talvez com exceção da eterna Bridget Jones, que tem uma cara tão idiota que não consigo levar muito a sério. Mas os demais, sem dúvida grandes atores. E a direção, vocês hão de me perguntar? Do próprio Ed Harris, que já se dirigiu em Pollock.

Isso foi suficiente para que eu entrasse às cegas no cinema. Sempre gostei de Westerns e gosto muito dos atores listados. É interessante como os "filmes de cowboy" conseguem reunir super-elencos. Essa expansão para o oeste americano deve realmente repercutir fundo no subconsciente coletivo americano pois os atores são levados à esse gênero de filme como abelhas ao mel (na verdade ao pólen mas o ditado diz ao mel e quem sou eu para alterá-lo?).

Vejamos a safra "nova" de filmes desse gênero: (a) Silverado, talvez o primeiro da geração recente, tinha Kevin Costner, Danny Glover, John Cleese, Kevin Kline, Jeff Goldblum, Rosanna Arquette e Brian Denehy; (b) Unforgiven tinha Clint Eastwood, Gene Hackman, Morgan Freeman e Richard Harris; (c) 3:10 to Yuma (o recente) tinha Russell Crowe e Christian Bale e (d) Tombstone tinha Kurt Russell, Val Kilmer, Sam Elliott, Bill Paxton, Charlton Heston e Powers Boothe. É, deve ser um fetiche fazer ao menos um filme de cowboy na carreira cinematográfica de atores estabelecidos.

Bom, estou divergindo. Voltemos a Appaloosa. O filme conta a estória (narrada por Viggo) de Virgil Cole (Harris) e seu parceiro Everett Hitch (Viggo) que são chamados para impor a lei em uma cidade (Appaloosa, claro) dominada pelo rico fora-da-lei Randall Bragg (Jeremy Irons) que fuzila o xerife local e seu dois ajudantes. A jogada é que Cole e Hitch só atuam de uma forma: tudo o que eles dizem ou fazem tem que se tornar lei na cidade, senão eles dão as costas e vão embora. Assim começa o embate entre eles, a cidade e Bragg.

Mas a estória tem um tom de autocrítica com Cole vivendo um homem durão que tenta ser refinado. Ele sempre lê livros e tenta usar palavras difíceis que ele não conhece ou não consegue pronunciar e Hitch - "naturalmente" culto - o ajuda sempre. No meio da bagunça, chega Allison French (vivida adivinha por quem) que acaba formando um curios triângulo amoroso com Cole e Hitch.

O filme é sobre lei e poder e, claro, o abuso de poder mas, sobretudo, é sobre amizade. Definitivamente não é um filme de tiroteio como se pode esperar. Está muito mais para Unforgiven e Tombstone do que para filmes efetivamente de ação. Ed Harris tem uma direção segura e as paisagens do Novo México emolduram bem sua obra. A dupla principal tem ótima química e passa completa segurança ao espectador. Zellweger foi mal escalada em minha opinião, pois ela parece uma boneca de porcelana, completamente diferente da mulher que ela interpreta. Mas o maior pecado da fita - assim como o de muitos filmes atuais - é ser um pouco longo demais.

De toda forma, vale ser visto.

Nota: 7,5 de 10

domingo, 19 de outubro de 2008

Crítica de filme: Max Payne

Não conheço todos os cinemas do mundo mas posso garantir que não existe um cineplex melhor do que o Arclight Cinemas, especialmente quando se assiste algum filme no chamado The Dome.

Para quem não conhece, a rede Arclight é uma rede modesta de cinemas feita para aquelas pessoas que realmente gostam de apreciar um filme em tela grande. Eles passam não somente os grandes blockbusters como, também, filmes de arte e reprises especiais de grandes filmes antigos. Para usar como exemplo, em Novembro agora, para comemorar o trabalho de Paul Newman e em homenagem ao grande ator que ele foi, a rede Arclight passará vários filmes dele em sessões únicas, ao longo do mês. Eles mostrarão Butch Cassidy and the Sundance Kid, Cool Hand Luke, The Hustler, entre outros. No lado blockbuster de ser, o Arclight, em outubro, em virtude do lançamento de Saw V, fará uma maratona dos outros quatro filmes da série. Em suma, tem para todos os gostos.

Mas não é só isso. A rede Arclight não passa anúncios, somente trailers. Só permite a entrada de espectadores até logo antes do início da sessão, nunca depois de ela começar. As salas são no estilo black box (totalmente escuras), têm formato stadium e cadeiras muito confortáveis. Tem algumas sessões que são para maiores de 21 anos (independente do tipo de filme, o objetivo é não ter criança "atrapalhando") com direito a drink e tudo. E a cereja em cima do bolo é o The Dome, um domo enorme, com uma tela arqueada feita originalmente para passar filmes no forma Cinerama (daí o grande logotipo da Cinerama na frente do local que vocês verificam na foto). Lá eles mostram os grandes blockbusters, como The Lord of the Rings, Spider-man e outros.

Por tudo isso, a rede cobra um ou dois dólares a mais que uma rede de cinemas comum mas podem ter certeza que esse valor premium mais do recompensa a experiência.

Foi lá que assisti um filme ontem: Max Payne.

O filme é o segundo filme desse ano tendo como estrela principal o Mark Wahlberg. O primeiro foi o estranho The Happening, dirigido pelo Shyamalan.

Acho que o ex-"Marky Mark and the Funky Bunch" não está com muita sorte para filmes depois que o fez o magistral The Departed, em um papel pequeno mas memorável.

Max Payne é uma adaptação de um videogame com o mesmo nome. Nunca o joguei mas o grande "tchan" do jogo é ser quase como um filme em sua movimentação de câmera e fazer o uso do "bullet time", criado para o filme Matrix. Pelo que sei, o jogo, e sua continuação, foram grandes sucessos de venda.

O filme conta a estória de Max Payne (Wahlberg) que ficou psicologicamente perturbardo (e quem não ficaria) após os cruéis assassinatos de sua esposa e de sua filhinha recém-nascida. Três anos se passaram e ele agora está na divisão de "Cold Cases" da delegacia, sempre investigando a morte de sua família. O que ocorre é que Max chegou em casa no momento do crime, matou dois criminosos mas um escapou pela janela. A incessante busca pelo terceiro homem fez com que Max chegasse ao fundo do poço, tornando-o um pouco louco. Ao esbarrar em um pista, encarnada por Natasha (Olga Kurylenko em uma ponta - ela fez a prostituta em The Hitman, outra adaptação de videogame e será a Bond Girl em Quantum of Solace), Payne descobre uma trama envolvendo drogas e muitas mortes que, no final das contas, ora, ora, quem diria, tem relaçao com a morte de sua esposa.

Os problemas do filme começam com a trama furada. Max Payne passou três anos dedicado ao estudo da morte de sua mulher e nunca, em momento algum, desconfiou da pista mais óbvia de todas: a tatuagem de asas no braço de um dos assassinos de sua família. Lembram em séries como CSI e outras de detetive que a tatuagem sempre leva ao assassino? Pois é: aparentemente Payne nunca assistitiu esses seriados. A trama continua capenga com mortes sem razão de ser e resoluções imbecis.

Mas o pior é a direção, ou melhor, o exagero na direção. John Moore (que, antes, dirigiu a refilmagem de The Omen que não tive o desprazer de ver e o mediano Flight of the Phoenix) começa bem, com a escolha de uma paleta de cores escura, tendendo quase para a ausência de cores. O filme, com isso, ganha visuais depressivos que mostram bem o estado de espírito de Payne. Ao mesmo tempo, permite uma bela fotografia. No entanto, o que ele fez de bom pára por aí. O resto são usos indevidos de câmeras lentas, closes e travellings que irritam o telespectador. Em determinada cena, Payne se joga de costas atirando com sua Doze. O momento é hilário tamanha foi a estilização que o diretor impôs. Todo mundo no cinema riu. Para que isso???

Ah, o filme tem também Beau Bridges e um evelhecido Chris "Robin" O'Donnell no elenco. Ou eles precisavam muito de trabalho ou a produção pagou muito bem pois vá escolher mal roteiros para atuar assim lá no inferno...

Acho que Max Payne só deve ser interessante - ou não, sei lá - para os fãs do jogo. No final das contas, a única coisa "boa" do filme é Olga Kurylenko, o que não é suficiente para compensar o preço do ingresso...

Sei que 90% dos críticos brincarão com o título do filme mas eu não resisto: dói assistir Max Payne.

Nota: 3 de 10