domingo, 16 de maio de 2010

Crítica de filme: Robin Hood (2010)

Robin Hood é um daqueles personagens lendários que todos acham que existiu. Mas ele é apenas isso, um lenda nascida por volta do século XV na Inglaterra. Todos nós o conhecemos como o aristrocrata que perdeu suas terras ao decidir se bandear para o lado dos fracos e oprimidos e arregimentou um pequeno exército para assaltar os nobre na floresta de Sherwood.

Talvez a imagem mais conhecida de Robin Hood no cinema seja a de Errol Flynn, com aquela ridícula roupa colante verde, conforme mencionei aqui.

Mais "recentemente", em 1991, Kevin Costner estrelou um bom filme que, porém, alterava bastante a lenda estabelecida. Naquele filme, porém, tivemos que aturar aquela música do Baianadas, ops, Bryan Adams, que nem gosto de lembrar...

Agora, foi a vez de Ridley Scott e seu ator favorito, Russel Crowe, tentarem a sorte com o galante ladrão que rouba dos ricos para dar aos pobres. Mas Ridley Scott é mais esperto que isso e, no lugar de contar pela enésima vez a mesma coisa, afinal Robin Hood já apareceu em dezenas de filmes, séries de TV e desenhos animados, decidiu fazer uma espécie de prelúdio. Sem estragar nada, o filme acaba no momento em que a lenda como a conhecemos começa e isso torna o filme bem mais interessante.

Russel Crowe vive o papel de Robin Longstride, arqueiro do exército de Ricardo Coração de Leão,  Rei da Inglaterra (Danny Huston). O Rei, completamente falido, resolve, em seu caminho de volta das custosas Cruzadas, saquear tudo quanto é castelo na Europa. O filme abre com a tentativa de invasão de um pequeno castelo e o resultado é dramático: o rei é morto. Essa mudança é considerável pois toda a lenda de Robin Hood se baseia na lealdade de Robin ao Rei, contra seu irmão malvado o Rei João. Assim, com a morte do rei, Robin e um grupo de amigos (incluindo Will Scarlet - Scott Grimes - e Little John - Kevin Durand) tentam voltar correndo para a Inglaterra mas se deparam com uma emboscada e Robin acaba tomando a identidade de Sir Robert Loxley (Douglas Hodge). Assim, ele chega à Inglaterra do fim do século XII como um nobre, já casado com Lady Marion Loxley (Cate Blanchet) pois o pai de Robert, Walter (Max von Sydow),  pede para Robin tomar o lugar do filho. Como se essa confusão toda não bastasse, a França está próxima a invadir a Inglaterra e os nobres ingleses, oprimidos pelos altos impostos pagos pela coroa, têm sua lealdade dividade.

Em suma, esse Robin Hood não tem nada do Robin Hood que conhecemos e estamos acostumados e isso pode fazer as pessoas torcerem o nariz para o filme. Talvez por isso ele tenha recebido críticas tão negativas. No entanto, eu as considero injustas pois Ridley Scott consegue, mais uma vez, fazer um filme épico muito eficiente que empolga o espectador, apesar de não ser tão espetacular quanto Gladiador. Fica mais ou menos na mesma linha de Kingdom of Heaven (a versão do diretor). Acho que a mudança total na fórmula padrão do Robin Hood que conhecemos foi o grande trunfo do diretor, ainda que, no final das contas, fique aquela impressão que o diretor quis fazer um novo Gladiador.

E, de fato, Gladiador e Robin Hood carregam muitas semelhanças, especialmente a tentativa de Scott de inserir personagem fictício dentro de fatos históricos (pelo menos segundo o próprio diretor pois Ricardo Coração de Leão não morre da maneira que o filme mostra, mas isso é detalhe). O que Scott faz como nenhum outro, é trazer para vida mundos diferentes, seja no passado, no futuro e em fantasias. Foi assim em Gladiador, Blade Runner, A Lenda, Os Duelistas e tantos outros. Os detalhes das cidades grandes e vilarejos em Robin Hood são sensacionais e a fotografia é belíssima.

As cenas de batalha, então, são na linha de Gladiador mas sem a mesma grandiosidade. Isso não é um ponto negativo, apenas uma constatação. Por mais que alguns queiram dizer, apesar das semelhanças com Gladiador (a presença de Russel Crowe nos dois filmes é fator chave para se achar isso), são duas obras bem diferentes. É evidente que Scott empresta sua marca ao filme mas não se pode chamar de um filme genérico. Ele tem pulso e personalidade. Vale muito ser apreciado em tela grande, especialmente a batalha final nos penhascos da costa da Inglaterra.

O filme tem seus momentos arrastados, especialmente no miolo e Scott também nos apresenta a personagens demais que são importantes para a trama. Isso acaba confundindo um pouco e tirando o foco da luta dupla de Russel Crowe para salvar a Inglaterra dos franceses e para pegar o grande vilão do filme, Godfrey, vivido pelo ótimo Mark Strong, também vilão em Sherlock Holmes.

Nota: 8 de 10

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