domingo, 11 de abril de 2010

Club du Film 5.38 - My Dinner with Andre (Meu Jantar com André)

O Club du Film (mais sobre ele ao final desse post) completou 4 anos de existência no dia 29.12.2009, quando assistimos Rouge (A Fraternidade é Vermelha), o terceiro filme da Trilogia das Cores do diretor polonês Krzysztof Kieslowski.  Rouge foi, na verdade, o primeiro filme do 5º ano. Mas consideramos toda a trilogia como uma sessão apenas, para não fazer muita confusão na contagem de filmes. Assim, My Dinner with Andre foi o quinto filme do 5º ano e o terceiro do ano de 2010, pois o assistimos no dia 02.02.10.

My Dinner with Andre foi dirigido pelo diretor francês Louis Malle e lançado em 1981. O filme é simples e ao mesmo tempo difícil de explicar. A premissa é simples e, em tese, não poderia nunca funcionar em um longa metragem. São 110 minutos apenas de diálogo entre dois amigos que não se viam há algum tempo, durante um jantar. Não há flasbacks, cenas fora do restaurante ou qualquer outro mecanismo para ilustrar a conversa entre os dois. É, literalmente, com exceção dos primeiros 5 minutos, um diálogo, uma troca de idéias entre duas pessoas. Ainda por cima, quase que todo o tempo, há um close em cada um dos atores em que não vemos a reação do outro.

Aí vem a parte complicada, que é exatamente justificar o quão maravilhoso esse filme é. Para dizer a verdade, ao ler sobre a premissa, fiquei extremamente desanimado, achando que o filme seria arrastado e sonolento. Bom, sem exagerar, posso dizer que fiquei muito acordado, mais ou menos como se estivesse vendo um daqueles filmes de suspense sensacionais em que cada piscadela pode nos fazer perder pérolas da trama. Não que o diálogo seja de suspense, nada disso. O diálogo é um entrave existencial entre a praticidade de Wallace Shawn e a utopia de Andre Gregory. Os dois, como disse, são velhos amigos mas que não se vêem há tempos. Wallace é um escritor teatral frustrado e, quando eles nos é apresentado, teme o iminente jantar com Andre por Andre ser um homem mais experiente em termos de viagens e experiências de vida diferentes mesmo, além de ser um bem sucedido diretor teatral. Wallace e Andre, vale deixar claro, atuam nos papéis deles mesmos e, mesmo assim, conseguem ter as atuações de suas vidas.

Wallace Shawn é, sem dúvida, o mais conhecido ator entre os dois, tendo participado de várias séries de televisão e dublado vários personagens em desenhos animados. Basta pesquisar no Google que imediatamente reconheceremos seu rosto. Wallace faz, em My Dinner with Andre, o papel que todos nós esperamos que faça: o de autor desiludido, fracassado, que só sabe reclamar da vida. Wallace é o estereótipo desse papel mas, mesmo assim, o faz de forma inacreditavelmente brilhante.

Andre Gregory, para mim, era um ilustre desconhecido até eu ver esse filme. E, de fato, em termos de filmografia, My Dinner with Andre é seu único crédito e que crédito. Tenho para mim que são as palavras que saem da boca de Andre que fazem esse filme funcionar de forma brilhante. Ele reconta suas experiências teatrais alternativas na Europa e toda sua perspectiva de vida de forma tão vívida, tão palpável que parece que vemos as imagens do que ele estar falando pular para fora da tela como se fosse um desenho animado em que aquelas nuvens de pensamento surgem acima da cabeça dos personagens. É complicado expressar a perfeição do que acontece mas acho a metáfora do desenho animado é a mais precisa. Andre torna tudo que fala - por mais surreal que seja - algo fácil de aceitarmos e de criarmos uma imagem em nossa mente. É como ler um livro e imaginar os detalhes do que está escrito como se fosse um filme em nossa cabeça. Não pensei que isso fosse possível em um filme mas Louis Malle e Andre Gregory conseguiram me deixar de queixo caído.

Em determinado momento, Wallace que tem como objetivo de vida apenas pagar suas contas, ficar com sua namorada, escrever suas peças e ler livros, passa a defender o método científico, arguindo que não faz sentido acreditar que qualquer coisa venha da sorte ou algo do gênero. Andre, de forma apaixonada, tenta derrubar a tese de Andre mas não derrubando o método científico mas sim defendendo que ele é inútil nos dias de hoje.

My Dinner with Andre é um drama eletrizante, inteligente e que nos faz questionar e discutir muitos dos pontos trazidos pelos dois amigos horas depois do filme acabar. Vejam esse filme pois ele derruba essa necessidade hollyoodiana imbecil de ilustrar ou narrar em detalhes tudo o que está na tela. My Dinner é uma obra verdadeiramente sensacional que já alcei ao panteão de meus filmes favoritos.


Sobre o Club du Film:

Há pouco mais de quatro anos, no dia 28 de dezembro de 2005, eu e alguns amigos decidimos assistir, semanalmente, grandes clássicos do cinema mundial. Esse encontro ficou jocosamente conhecido como "Club du Film". Como guia, buscamos o livro The Great Movies do famoso crítico de cinema norte-americano Roger Ebert, editado em 2003. Começamos com Raging Bull e acabamos de assistir a todos os filmes listados no livro (uns 117 no total) no dia 18.12.2008. Em 29.12.2008, iniciamos a lista contida no livro The Great Movies II do mesmo autor, editado em 2006. São mais 102 filmes. Dessa vez, porém, tentarei fazer um post para cada filme que assistirmos, com meus comentários e notas de cada membro do grupo.

Nota:

Minha: 10 de 10
Barada: 9,5 de 10
Nikto: 8,5 de 10
Gort: 9,5 de 10

3 comentários:

  1. Wexler Dias Klien8 de agosto de 2011 23:04

    "Eletrizante"... quanto amadorismo. Me desculpe, mas forçou [muito] a barra. Tentou gostar do filme com todas as forças, achar os diálogos maravilhosos e "cult" ... mas de verdade, percebe-se que você nem ao menos os "entendeu".Seus comentários são muito superficiais, 90% são superlativos jogados ao vento. Antes de se meter a crítico, leia pelo menos um manual de cinema, conheça o realizador, contextualize a obra... Desculpe se pareço rude, mas são comentários sinceros. Eu me incomodo às vezes com quem força a barra, ambos sabemos que este filme não é isso tudo, você quis parecer "intelectual" gostando de um filme com diálogos idem. Só uma dica: este filme é bastante pessoal. Busque substrato no realizador.

    ResponderExcluir
  2. Wexler, eu passo minhas impressões amadoras sinceras sobre o que sinto vendo determinado filme. Não quero e nem preciso parecer cult (pesquise e você vai descobrir vários outros filmes pretensamente cults que odiei com todas as forças).

    Eu gostei sinceramente desse filme. Quando li a sinopse, achei que seria um lixo gigantesco mas, depois que vi, adorei cada segundo. Eu não preciso ler "manual de cinema" para escrever sobre cinema. Não sou crítico profissional. Apenas alguém que gosta de escrever depois de ver um filme para quem se interessar ler.

    Você pode não achar o filme "isso tudo" mas eu achei. Cada um com seu cada um, não é mesmo?

    Não busco "substrato no realizador" pois nem mesmo sei que raios é isso.

    ResponderExcluir
  3. My dinner with Andre
    Eh – talvez- um dos melhores filmes que ja vi. Filmado em 81, acabo de reve-lo (porque dei de cara com Wally Shawn na saida do cinema outro dia (filme ruim do Sidney Lumet, algo about the Devil): Esse "jantar entre Wally Shawn e Andre Gregory" eh algo de profetico. Me lembro do cinema vir abaixo aqui em NY na epoca. Mas vendo ele agora, quantas profecias saem da boca do Gregory (sobre Orwell, sobre os proprios novayorkinos, sobre nos mesmos como robots, sobre o "futuro" e…….quantas verdades sao ditas por Shawn sobre o quao necessaio eh dar valor as pequenas coisas fisicas de todos os dias: as coisas fisicas e triviais, justamente aquilo que Gregory rejeita…..e por isso foi parar, entre outros lugares do planeta, na colonia de Jersey Grotowski.
    Uma maravilha
    Triste. Lindo. Apaixonante. Nao ha filme melhor, mais inteligente. Nao adianta ficar idolatrando essas bobagens que andam por ai. Nem Guns nem Roses. Aluguem. Prestem atencao. Acordem. Eu, pelo menos, acordei de novo. Sensacao muito boa.
    Gerald

    Vide: Gerald Thomas Blog

    ResponderExcluir

Pensem antes de escrever para escreverem algo com um mínimo de inteligência. Quando vocês escrevem idiotices, eu apenas me divirto e lembro de Mark Twain, que sabiamente disse "Devemos ser gratos aos idiotas. Sem eles, o resto de nós não seria bem sucedido."