sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Crítica de filme: The Mist (O Nevoeiro)



Quem acha que The Mist é meramente um filme de terror de monstros se encaixa em pelo menos uma das cinco opções que seguem: (1) é burro; (2) não entende nada de cinema; (3) está de má vontade; (4) não gosta de filmes que fazem pensar e/ou (5) preferem filmes feijão-com-arroz da sessão da tarde.

Para esse pessoal eu digo: assistam Ursinhos Carinhosos e fujam de The Mist (O Nevoeiro, em português).

The Mist é um excelente filme de terror psicológico que conta a estória de uma cidade que, de uma hora para outra, após uma tempestade, se vê invadida por um forte nevoeiro que traz um monte de monstros que gostam de carne humana. Não, não contei segredo algum. Os monstros são relevados logo nos primeiros 10 minutos de trama. Aliás, o diretor não perde tempo: o nevoeiro começa a aparecer com 1 minuto de filme e a situação se estabelece em 5 minutos no máximo e olha que o filme tem pouco mais de 2 horas. Voltando à estória, uma pequena parte da população fica presa em um supermercado e lá tem que travar batalhas com os bichos invasores. Thomas "The Punisher" Jane é a estrela do filme, junto com uma excelente atuação de Marcia Gay Harden, como uma insurportável beata.

Não interessa para o filme ou para o espectador o porquê do nevoeiro. Sua razão de ser é até explicada mas isso é o de menos. Asssim como é de menos o que tem dentro do nevoeiro. Poderia até mesmo ser a ameaçadora velhinha de Madagascar 2 que não faria a menor diferença. O importante é a criação da sensação de claustrofobia e de total desespero e falta de esperança que a situação gera. O mote do filme é estudar como as pessoas ditas civilizadas reagiriam diante de uma situação aterradora, em que não se vê possibilidade de saída. Quem faria o quê? Quem tem coragem de encarar a questão de peito aberto? Quem se esconde? Quem se desespera e perde o controle? Quem manipula os outros? Quem fraqueja?

The Mist é uma bela discussão sobre a condição humana. Ajuda ter sido baseado no conto homônimo do mestre de terror Stephen King, tantas vez muito mal adaptado para as telonas (vide o horrível Dreamcatcher, isso só para dar um exemplo recente). Ajuda também o diretor ser Frank Darabont, que parece adorar Stephen King ao ponto da idolatria pois, dos 5 longas que dirigiu na vida, nada menos que 3 são baseados em obras de King. Darabont, para quem não se lembra, foi o diretor do sensacional The Shawshank Redemption e do razoável (mas para a crítica em geral o sensacional também) The Green Mile, ambos baseados em Stephen King. Ele fez ainda um curta metragem (capítulo de série de TV) com base na obra de King: The Woman in the Room.

Aliás, Darabont tem "cojones" por ter filmado e projetado um final nihilístico e completamente anti-hollywoodiano para o filme. O filme não é feito para o "final bacana" como em regra são os filmes de Shyamalan (The Sixth Sense e The Village só para dar dois exemplos mais óbvios) mas certamente a abordagem franca de Darabont nos faz ficar desesperados com o que está prestes a acontecer. Também não é um final surpresa não. Na verdade, para quem está acostumado com cinema, dá para ver que ele é telegrafado desde o começo do filme mas o que é raro é efetivamente ver isso acontecer da forma como acontece. Hollywood, em regra, sempre dá um jeito de mostrar o lado positivo, o que não acontece nesse filme (ainda bem!).

Assim, quem espera um filme que levante o espírito, vá ver o já citado Ursinhos Carinhosos... Quem quer ver na tela uma metáfora sobre o que todos sabemos - mas não admitimos saber - sobre a nossa sociedade, veja The Mist.

Nota: 9 de 10

Um comentário:

  1. A crítica está muito boa, mas o primeiro parágrafo está soberbo.

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Pensem antes de escrever para escreverem algo com um mínimo de inteligência. Quando vocês escrevem idiotices, eu apenas me divirto e lembro de Mark Twain, que sabiamente disse "Devemos ser gratos aos idiotas. Sem eles, o resto de nós não seria bem sucedido."