domingo, 29 de março de 2009

Crítica de show: A-ha no Rio de Janeiro

Nota 5. 

Essa era a nota que eu decidi dar ao show no momento em que acabei o processo de compras dos ingressos pela internet. Minha esposa queria assistir mas estava indecisa e eu resolvi comprar logo. Não me levem a mal. Sempre gostei das músicas do grupo norueguês, tenho os CDs e sei várias de cor. 

No entanto, trata-se de um popzinho bem rasteiro e simples, diria até pasteurizado, para reproduzir adjetivo cruel usado por um crítico do jornal O Globo, que foi crucificado pelos leitores. O uso constante de teclados e sintetizadores, bem no estilo década de 80, não podia justificar um show ao vivo. Até mesmo já havia assistido a pelo menos um show deles antes, acho que no Hollywood Rock ou Rock in Rio, mas certamente não estava lá por causa deles.

De fato, o show foi como eu achava que seria: uma experiência semelhante a assistir um DVD do show do A-ha na televisão (ok, um blu-ray então). As músicas foram tocadas exatamente nos mesmos arranjos dos discos, sem tirar nem por, com a exceção de alguns refrões que foram exclusivamente cantados pela platéia, o que nostalgicamente me lembrou da sensacional platéia do grupo Queen - eu incluído - no primeiro Rock in Rio em 1985 cantando Love of My Life. Não é uma comparação justa (para o A-ha, claro) mas foi o que me passou pela cabeça na hora.

Nota 4.

Essa foi a nota que, já dentro do Citibank Hall, eu passei a ter certeza que ia dar ao show pois o A-ha se atrasou 30 minutos para começar o show. Tudo marcado para começar às 21:30h e eles só pisaram no palco às 22h. Ok, grupos podem se atrasar mas não o A-ha e certamente não meia hora.

Aguentar 1 hora de atraso do Iron Maiden vá lá pois o grupo efetivamente toca os instrumentos que traz para o palco e precisa afiná-los, deixando-os tinindo. Além disso, um show como do pessoal da Inglaterra exige um corre-corre danado, uma parafernália impressionante e por aí vai. Mesma coisa com a Madonna, já na seara do pop. Nada disso, porém, era necessário no A-ha pois o baterista deve ser o único que suou no show (e pouco). O guitarrista passa os dedos pelas cordas de vez em quando e o show é feito mesmo pelos teclados e computadores sintetizando sons e  imitando voz (sintetizador imitando voz é o cúmulo dos anos 80, diga-se de passagem).

Nota 5.

Voltei para essa nota assim que notei que o trio estava empolgado, realmente felizes por tocarem no Brasil. Apesar de não se movimentarem muito no palco, eles são simpáticos e, aparentemente, gratos por terem tantos fãs no Brasil (o Citibank Hall tinha gente saindo pelo ladrão). 

Além disso, o A-ha engatou um sucesso atrás do outro, o que me fez fazer um paralelo com o The Police. É que o The Police se reuniu ano passado para tocar sucessos de 20 e poucos anos atrás, sem nem se preocuparem em lançar discos novos, o que me irritou um pouco. A qualidade musical do The Police é bem superior ao do A-ha mas, em termos de criatividade, até dá para dizer que o A-ha é melhor pois, no mínimo, eles têm mais discos de estúdio e talvez a mesma quantidade de hits.

Nota 4,5.

Baixei meio ponto na hora que ouvi Morten Harket soltar uns agudos que trucidaram meu tímpano. O cara tá velho (tem 50 anos) e todo mundo sabe e respeita isso. Ele deveria saber também mas não se deu por rogado e mandou terríveis agudos dos quais ele poderia muito bem ter poupado a galera. 

Nota 6.

Não esperava subir minha nota mas, depois de 40 minutos de show, Morten disse que iriam cantar duas músicas de um disco novo que lançariam nos próximos meses. Isso me fez ficar feliz pelo grupo e respeitá-lo ainda mais pois eles estão batalhando para sair do marasmo. Com essa, no meu livro e nesse quesito, eles ganharam do The Police de lavada. 

As duas músicas não foram nada especiais - mais do mesmo na verdade - mas também não comprometeram. 

Nota 7. 

E toma de mandar sucessos um atrás do outro: Stay on These Roads, Hunting High and Low, Scoundrel Days, The Swing of Things, Crying in the Rain, I Dream Myself Alive, a sensacional The Living Daylights (uma das melhores músicas de abertura do 007) e um bis com The Sun Always Shine on TV, Analogue e, claro, Take on Me. Foram duas horas, não 60 minutos ou 90 minutos de show. Foram DUAS HORAS sem parar e você tem que respeitar isso. Os agudos desafinados ficam para trás quando você vê uma banda dessas com tanta garra. 

Definitivamente, mereceram que eu subisse a nota para 7. 

Já ao final, eu, que havia chegado com toda a predisposição para no mínimo "não gostar" da apresentação, estava tentando descobrir que sucessos eles não tocaram nesse completíssimo show (só para constar deixaram de fora Touchy! e You are the One). Estava empolgado pela empolgação dos caras.

Parabéns A-ha e tenho que agradecer minha esposa por ter me "forçado" a ir ao show.

Nota final: 7,5

2 comentários:

  1. Amei o show!!!!
    Quem não gosta, que não vá!!!!

    Atenciosamente,

    Hannah Graziela

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  2. Crítica pé no chão. Valeu mesmo.

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Pensem antes de escrever para escreverem algo com um mínimo de inteligência. Quando vocês escrevem idiotices, eu apenas me divirto e lembro de Mark Twain, que sabiamente disse "Devemos ser gratos aos idiotas. Sem eles, o resto de nós não seria bem sucedido."