sexta-feira, 8 de julho de 2011

Crítica de livro: Harry Potter and the Deathly Hallows (Harry Potter e as Relíquias da Morte)

O oitavo e último filme da saga de Harry Potter será lançado mundialmente no próximo dia 15 de julho. Nada mais apropriado, assim, do que fazer a crítica do livro que deu base ao filme.

Para ser completamente transparente, devo esclarecer que nunca fui o maior dos fãs do bruxo favorito de todos, especialmente dos filmes mas, como há 14 anos (caramba, tudo isso?) eu li o primeiro livro e gostei, decidi que iria até o fim. Devo dizer que me diverti com o primeiro e terceiro livros mas não gostei do segundo, do quarto, do quinto e do sexto.


Aliás, o sexto é um tomo gigantesco em que absolutamente nada acontece e, quando acontece (nas últimas 50 páginas), tudo é rápido demais e mal acabado. Devo dizer que J.K. Rowling suscita em mim dois pensamentos diametralmente opostos: admiro-a por ter quase que sozinha instigado os jovens a ler novamente. Por outro lado, tenho receio que ela - e todos os vários escritores que se seguiram a ela, basicamente repetindo Harry Potter sob vários disfarces (sim, estou olhando para você Stephenie Meyer), tenham acostumado os jovens a esse tipo de literatura mais, digamos, simples, voltada unicamente à ação e com as miras apontadas para uma adaptação cinematográfica.

Mas Rowling, como disse, tem seu mérito e o mundo de Harry Potter é, de fato, muito bem pensado, ainda que a narrativa coesa dos primeiros livros tenha se perdido completamente nos livros seguintes, como se a qualidade fosse proporcional à quantidade de páginas.

Com toda essa minha má vontade, apesar de ter comprado um exemplar do livro 7 no seu lançamento, em 2007, apenas o li no final de 2010, logo antes do lançamento da primeira parte de sua adaptação cinematográfica. E devo confessar que tive uma grata surpresa.

Talvez voltando à forma mas creio que mais porque precisava amarrar as várias pontas soltas, Rowling escreveu um livro longo mas pontilhado de momentos relevantes, que não deixa apenas para os últimos capítulos. Há mais ritmo e cadência na estória.

Se você não leu os livros ou viu os filmes anteriores, sugiro que pare por aqui a leitura e pule para a nota no final pois haverá alguns SPOILERS inevitáveis sobre o que aconteceu até aqui, mas nada sobre o livro 7, pode ficar tranquilo.

A trama começa com Harry e seus amigos de luto pela morte de Dumbledore e temendo a inevitável ascensão de Voldemort no mundo mágico. Harry está prestes a completar 17 anos, quando a mágica protetora de sua mãe acaba e ele fica vulnerável ao mal. Assim, a Ordem da Fênix não perde tempo e põe em funcionamento um plano mirabolante para retirar Harry da cada de seus tios muggles e levar para um lugar seguro. Com isso, o livro já começa com uma ótima pancadaria aérea. Em seguida, Harry resolve exilar-se do convívio de seus pares e, junto com Ron e Hermione, desaparecem pelo mundo para tentar achar os demais horcruxes e, com isso, tentar destruir Voldemort. Acontece, claro, que os três não fazem ideia por onde começar e passam por maus bocados, com diversas aventuras até o gigantesco e épico final cujos detalhes não comentarei.

Em As Relíquias da Morte, J.K. Rowling escreveu a estória que enrolou para contar nos livros anteriores e, apesar de longo (umas 800 páginas no original em inglês com capa dura), o livro é fácil de ler e transcorre meio que naturalmente, com apenas um problema maior mas que já é comum na série e completamente esperado. Rowling não resiste à tentação e, de novo, insere elementos novos no mundo de Harry Potter, elementos esses que, ainda que possam ser interessantes, não acrescentam efetivamente muito à trama. No caso desse livro, temos o emprego de numerosas páginas dedicada à destrinchar um passado desconhecido na vida de Dumbledore. Não consegui deixar de lado a sensação que Rowling estava só acrescentando páginas vazias ao livro. Para os fãs incondicionais da série, tenho certeza que isso foi bem vindo mas, para alguém que consegue ver de fora, os trechos sobre a vida pregressa sobre o finado - e misterioso - mestre de Harry Potter são indesejáveis freios à fluidez do livro. Além disso, há os tais "deathly hallows" que, no frigir dos ovos, apesar de serem efetivamente mais interessantes que a vida de Dumbledore, não impulsionam a estória.

No lado bom, temos o amadurecimento dos personagens com o longo exílio que a autora muito bem explora. O trio formado por Harry, Ron e Hermione sai fortalecido dessa estória mas, mesmo assim, Rowling mostra como a tentativa de dominação total de Voldemorto afeta a comunidade ao redor dos três. E Rowling não suaviza ou deixa barato: ela mata personagens mesmo, sem dó mas de maneira muito mais eficiente que com as mortes ocorridas nos livros anteriores. Sobre as mortes, o livro pode até fazer aqueles de coração mais mole deixarem uma lágrima furtiva cair. E só uma boa estória consegue isso, algo que Rowling finalmente, depois de seu ótimo terceiro livro, entrega para os ávidos leitores.

No final das contas, Rowling nos oferece o que talvez seja o segundo melhor livro da série (atrás somente do primeiro), com um encerramento completo, digno do legado que ela deixou. Gostaria muito de ver a autora deixar Harry descansando por muito anos e partir para criar outras obras, completamente sem relação com o mundo do famos bruxo.  

Nota: 8,5 de 10

6 comentários:

  1. Sou uma grande fã de Harry Potter e, por isso, meu comentário vai ser totalmente parcial. AMEI o último livro principalmente, como você disse, pela maturidade dos personagens. E, como fã, não achei tão "dispensável" a história de Dumbledore. Acho interesse para torná-lo, asbe, humano. Nos outros livros ele era um gênio que fazia tudo certo e sempre falava frases consoladoras e sábias. Todo mundo tem problemas e natural que ele tenha também.

    (p.s.: fui a única do meu grupo de amigas que gostou e terminou o livro. A maioria delas odiou as mortes! hahahaha. - mesmo o meu personagem favorito morrendo, eu gostei e, claro, estou contando os dias para a estreia do último)

    Tenho um blog também e adoraria se você desse uma passadinha lá. Ainda é novo, mas espero sua visita :)

    http://lardonerd.blogspot.com

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  2. Princesa Leia:

    Obrigado por visitar meu blog.

    Como disse, não sou um grande fã do bruxinho mas entendo perfeitamente o que amam apaixonadamente os livros e os filmes. É mais ou menos o que eu sinto pela trilogia original de Star Wars (e, pelo visto, você também!).

    Os livros são agradáveis de ler e os filmes bem passáveis. Subirei em breve a crítica da parte I do filme 7, em preparação para a crítica da parte II.

    E parabéns pelo seu blog. Já visitei algumas vezes.

    Volte sempre por aqui e mantenha contato!

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  3. Eu achei as suas criticas sobre o ultimo livro bem razoáveis ( com a pequena exceção do seu comentário em relação há vida passado do dumb) No entanto achei muito equivocada a sua visão com relação há saga ser simples e voltada unicamente voltada para a ação. Na verdade eu acho q pode ate ser uma leitura simples, mas eu acho q a autora deixou um aspecto moral nas entrelinhas q vai muito alem apenas da ação!! Mas no geral achei a sua critica bem razoável!!!

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  4. Conhecer a vida de Dumbledore não é dispensável a trama visto que a mesma trata exatamente do que a saga se propõem a falar.

    A vida de Dumbledore é um resumo das diversas lições que ficam e em especial sobre a dualidade da alma, " todos temos trevas dentro de nós" são nossas escolhas que importam. É sobre segundas chances, um ponto auto de toda a trama.

    Alem ainda de Dumbledore representar uma decepção de Harry para com ele e o perdão do mesmo para com seu mentor, que errou mas que voltou atrás em suas escolhas e se redimiu.

    Tudo a ver com trama.

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  5. i dont entendi somos todos anonimos

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  6. Como um adolescente eu adorava assistir a filmes da saga. Há poucos dias vi novamente Harry Potter en HBO e eu de bom grado recordar algumas das performances de Emma Watson e Daniel Radcliffe, também os cenários são surpreendentes.

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Pensem antes de escrever para escreverem algo com um mínimo de inteligência. Quando vocês escrevem idiotices, eu apenas me divirto e lembro de Mark Twain, que sabiamente disse "Devemos ser gratos aos idiotas. Sem eles, o resto de nós não seria bem sucedido."