domingo, 27 de março de 2011

Crítica de filme: Limitless (Sem Limites)

Sem Limites faz a seguinte pergunta: o que você faria se, subitamente, tivesse acesso a 100% do que o cérebro humano tem a oferecer e não apenas aos usuais 20%? Com essa bacana premissa, o diretor Neil Burger (do ótimo O Ilusionista) constrói um thriller que começa muito bem, patina no meio e acaba satisfatoriamente.


Eddie Morra (Bradley Cooper, de Se Beber Não Case e Esquadrão Classe A) é um escritor que tem um contrato para escrever um livro mas que não consegue nem começar pois está com bloqueio criativo. Com isso, ele bebe, perde a namorada e vive em um chiqueiro total. Ao esbarrar em seu ex-cunhado na rua, ele acaba sendo presenteado com uma pílula que permite que ele fique super inteligente.

A partir desse momento, Eddie vê o mundo em cores mais vivas e consegue lembrar de cada detalhe de tudo que já viu, além de absorver conhecimento como uma esponja. Ele imediatamente sai  falando de Direito, questões médicas, além de jogar pôquer e apostar na bolsa como ninguém, tudo com base em fragmentos de informações que uma vez na vida absorveu e arquivou em algum lugar obscuro do cérebro. Até mesmo lutar lembrando-se de filmes de Bruce Lee e lutas de boxe ele consegue, como se estivesse recebendo um daqueles downloads que Neo recebe em The Matrix (aliás, o filme é referenciado claramente em Sem Limites).

Para ilustrar essa super consciência, o diretor conseguiu criar um efeito muito interessante de câmera, como se ele a colocasse em um foguete que voasse à toda por Nova Iorque. Além disso, da tonalidade azul fria, ele vai para o vermelho quente toda vez que Eddie ingere uma das pílulas milagrosas.

É claro, porém, que tamanha sorte não vem sem percalços e Eddie passa a ser perseguido por alguém que quer seu carregamento de pílulas, além de se meter com um violento agiota para conseguir capital inicial para suas jogatinas e ascensão no mundo dos negócios.

Mais para a frente no filme, Eddie acaba se tornando o braço direito de um magnata do petróleo, Carl Van Loon, vivido por Robert de Niro e seu estilo de vida muda completamente.

O filme tem um ar inteligente e é até bem construído mas Leslie Dixon, que escreveu o roteiro com base em livro de Alan Glynn, não consegue verdadeiramente engajar o espectador. Depois dos primeiros arroubos de brilhantismo de Eddie, a coisa começa a se repetir um pouco e, pior, o roteiro começa a mostrar furos enormes, abissais mesmo. Sem estragar muita coisa, é de se imaginar o porquê de alguém tão brilhante quanto Eddie precisar de 100 mil dólares emprestado de um bandido para catapultar seus investimentos. O roteiro tenta mostrar que ele está afoito, querendo fazer as coisas mais rapidamente mas o dinheiro que ele tinha (algo como 7.500 dólares) se bem jogado por alguém que usa 100% do cérebro, poderia muito bem se transformar em uma fortuna em bem pouco tempo.

E o problemas de roteiro também são sentidos por uma certa morosidade em se avançar a trama lá pelo segundo terço do filme. Há outros furos de roteiros incômodos mas falar mais seria estragar o filme para quem não viu, pelo que ficarei calado.

De toda maneira, em linhas gerais, Sem Limites diverte, especialmente por que Bradley Cooper é um ator carismático que prova que consegue carregar um filme nas costas. A briga no apartamento - e a cena interessante cena de, digamos, vampirismo - e o embate final entre Eddie e van Loon também ajudam. Se Neil Burger tivesse limpado as falhas de roteiro e cortado algumas cenas mais arrastadas aqui e ali, Sem Limites seria excelente. Como ficou, é apenas um bom passatempo.

Mais sobre o filme: IMDB, Rotten Tomatoes, Box Office Mojo e Filmow.

Nota: 7 de 10

2 comentários:

  1. Devemos ser gratos aos idiotas. Sem eles, o resto de nós não seria bem sucedido."

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Pensem antes de escrever para escreverem algo com um mínimo de inteligência. Quando vocês escrevem idiotices, eu apenas me divirto e lembro de Mark Twain, que sabiamente disse "Devemos ser gratos aos idiotas. Sem eles, o resto de nós não seria bem sucedido."