domingo, 15 de novembro de 2009

Crítica de videogame: Batman: Arkham Asylum


Acho que os dias dos videogames porcarias baseados em personagens de quadrinhos está chegando ao fim. Certamente teremos muitos outros jogos ruins com base nesse material mas o que está acontecendo agora é o aparecimento de jogos efetivamente muito bons e com uma certa frequência. Wolverine foi um desses exemplos: um jogo muito divertido, ainda que repetitivo.

Agora é a vez de Batman ganhar o tratamento definitivo e meus comentários se referem à versão em PS3.

E o mais legal é que não seguiram o caminho fácil, que seria simplesmente pegar The Dark Knight, um excelente filme, e convertê-lo para um jogo. Não. O pessoal da Rocksteady e Eidos se baseou de forma livre na clássica graphic novel Arkham Asylum de Grant Morrison e Dave McKean para criar o que talvez seja o melhor videogame de super herói de todos os tempos e um que certamente merece menção entre os melhores já feito e ponto.

A premissa é a seguinte: o Coringa é preso mais uma vez e levado ao sombrio Arkham Asylum, manicômio judiciário onde ficam enjaulados os piores vilões de Gotham City. Lá, o Coringa põe em funcionamento um plano complexo para criar seres mostruosos e prende Batman lá dentro, junto com os bandidos. Cabe então a você, controlando o herói mascarado, acabar com os planos do tresloucado Coringa e sua gangue.

Os controles e a mecânica:

O jogo é em terceira pessoa, o que significa que você vê Batman de costas o tempo todo. Nesse jogo, o personagem que você controla fica mais próximo que o normal da tela e, por isso, os produtores o deslocaram um pouco para a esquerda o que, no começo, dá uma sensação estranha.

Os controles são os mais simples possíveis, apenas com a utilização dos botões com as figuras geométricas. No entanto, essa simplicidade é apenas na superfície pois os botões, para se ter a máxima eficiência, devem ser apertados com alguma cadência,  acompanhando-se sinais no jogo e com a utilização do joystick da esquerda. É difícil explicar pois você até consegue ganhar uma briga só martelando o mesmo botão o tempo todo mas, para a luta ficar realmente bela e fluida, há que se ter alguma calma e reflexos rápidos pois cada golpe correto serve para você somar "combos" e quanto mais golpes certos forem dados em seguência, mais interessante ficam os "combos". Com algum treino, é possível chegar facilmente a combos de 20 golpes sucessivos corretos mas não há dúvidas que os "combos" de 40 ou até mais são os mais impressionantes (ainda que eu os tenha visto apenas uma ou duas vezes, por total incompetência minha, admito).

Fora isso, você tem os gadgets de Batman, claro. No começo tem-se apenas os batarangs simples e um gancho (grapple gun) que permite que Batman suba mais facilmente em alguns obstáculos. Depois, com o desenrolar do jogo, você vai ganhado outros aparelhinhos interessantes, alguns deles essenciais para se completar o jogo todo.

Tudo o que você faz, inclusive os combos especiais, faz com que o vigilante mascarado acumule pontos de experiência (XP). A partir de um determinado número, você consegue escolher um entre diversos upgrades para Batman. Não demora para conseguir o primeiro e, dentre as várias escolhas, pegue logo o inverted takedown, que essencialmente permite que Batman se dependure de gárgulas de pedra como um morcego e pegue um coitado pelo pescoço e o deixe pendurado. Brilhante!

Além disso tudo, há o modo "detetive", que permite que Batman saiba quanto inimigos estão na sala, se estão armados ou não e também permite que Batman desvende as 240 charadas que o Charada deixou espalhadas pelo Asilo. As charadas não são essenciais para se terminar o jogo mas sua resolução permite acumular mais XP para upgrades mais rápidos, permite o destravamento dos desafios (abaixo), além de serem muito divertidas.

O jogo:

Batman tem que percorrer os corredores mais sombrios do Asilo para derrotar o Coringa e seus asseclas. Isso significa dizer que não basta sair correndo e estapeando os bandidos. Assim Batman não sobreviverá por muito tempo. Há que se usar de alguma estratégia e de movimentos furtivos, como chegar por trás de um bandido e fazê-lo desmaiar. Há que se subir em obstáculos e atacar por meio de tubos de ventilação. Há que ficar pendurando em uma beirada, esperar o bandido passar e puxá-lo para baixo, jogando-o lá de cima. Arkham Asylum é um jogo inteligente mas que não deixa a ação de lado. Às vezes, é paulada pura mas outras vezes há que se fazer as coisa com mais calma.

A roupa de Batman vai se rasgando ao logo do jogo e sua barba vai crescendo. É de um realismo impressionante.

Outro aspecto importante do jogo é o tempo investido pelos programadores em criarem situações que envolvem fases inteiras mas que não são realidade. Explico: em determinados momentos, Batman está sob a influência do Espantalho e começa a vivenciar seus piores medos. Coisas começam a acontecer que poderiam mesmo acontecer mas depois descobrimos que tudo está na mente de Batman. Em outro momento, há a luta com o Killer Croc nos esgotos do Asilo e vemos, novamente, o incansável trabalho dos programadores em apresentar o melhor trabalho possível.

Arkham Asylum não é o jogo mais difícil do mundo. Joguei em dificuldade "normal" e mesmo os chefes de fase foram medianos para fáceis. Mas eu não considero isso algo negativo. Sou jogador casual que quer apenas uma experiência bacana, com surpresas aqui e ali. Ficar horas na frente da televisão para aperfeiçoar um movimento específico para ganhar de chefes de fase é coisa que está além de minha capacidade e de minha paciência. O jogo é andar, lutar, resolver charadas, usar o modo detetive, lutar novamente, observar e por aí vai, sem nenhum obstáculo intransponível. Aliás, o bacana é que todo o mapa do Asilo é livre, ou seja, você pode voltar a qualquer ponto sempre que quiser.

Os desafios:

Mas os produtores não esqueceram de quem gosta de coisas difíceis. Na medida em que avançamos no jogo, destravamos "desafios" que são para serem jogados fora do jogo mas no ambiente e em fases específicas do jogo. São dois tipos de desafio: Combate e Predador.

O primeiro é só luta, o lugar perfeito para se aperfeiçoar táticas de luta e aumentar sua contagem de combos. Eu acabei com o jogo mas não consegui nem arranhar a superfície dos desafios pois são muito difíceis. Para se chegar a 100% do jogo, porém, os desafios são essenciais.

Os desafios do tipo Predador nos ensinam a lutar sem aparecer, pegando bandido por bandido, na maior tensão para não ser localizado pelos demais. A dificuldade é, também, extrema.

No PS3, esses desafios, depois de um download gratuito, podem ser jogados controlando o Coringa. São exatamente os mesmos mas a lógica de combate do Palhaço do Crime é diferente e exige um novo treinamento do zero. Coisa para quem gosta de perder horas a fio em frente à uma televisão para se tornar o Mestre dos Mestres.

Conclusão:

Batman: Arkham Asylum é uma obra-prima. A atenção aos detalhes é impressionante e, apesar de não enfrentarmos todos os vilões clássicos de Batman, eles estão todos lá presentes de alguma forma. É jogar para acreditar. Foi uma maravilha zerar o jogo e achar as 240 charadas. Pela primeira vez na vida tive vontade de jogar um jogo todo novamente, em dificuldade maior, algo que acho que farei nos próximos meses.

Esse jogo é altamente recomendável mas, apesar de Batman não matar ninguém, há muita morte e o uso de palavrões aqui e ali. Não é recomendado, assim, para crianças pequenas.

Nota: 9,5 de 10

7 comentários:

  1. calaboca o se não gosta tanto desse jogo por que não faz um jogo melhor hein sherlock aposto que vc não faz nem a metade

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  2. calaboca o se não gosta tanto desse jogo por que não faz um jogo melhor hein sherlock aposto que vc não faz nem a metade

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    1. Comentário típico de gente inteligente. Parabéns!

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  3. Li a critica, gostei bastante, obrigado pela opnião.

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  4. Gostei da critica, as observações são bem interessantes, agora falta jogar o jogo! Obrigado.

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    1. Obrigado! Vale muito a pena jogar. Hoje dá para encontrar esse jogo baratinho por aí. Volte sempre!

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Pensem antes de escrever para escreverem algo com um mínimo de inteligência. Quando vocês escrevem idiotices, eu apenas me divirto e lembro de Mark Twain, que sabiamente disse "Devemos ser gratos aos idiotas. Sem eles, o resto de nós não seria bem sucedido."