quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Crítica de filme: Escape from the Planet of the Apes - 1971 (A Fuga do Planeta dos Macacos - 1971) - Parte 3

Terceiro filme na série setentista, A Fuga do Planeta dos Macacos é também o segundo melhor, só perdendo para o original. Desistindo das sandices que fizeram no filme anterior e trazendo Roddy McDowall de volta, os produtores acertaram na mosca e o diretor Don Taylor (que, em 1980, dirigiria The Final Countdown, um ótimo filme também sobre viagem no tempo) conseguiu extrair da trama um eletrizante filme que, basicamente, volta às raízes do primeiro sem efetivamente contar novamente a mesma estória.

Nós descobrimos, logo no começo do filme, que os chimpanzés pacifistas Cornelius (Roddy McDowall) e Zira (Kim Hunter), momentos antes do final apocalíptico do capítulo anterior, entraram na nave de Taylor (vivido por Charlton Heston nos dois filmes anteriores) e conseguiram chegar na Terra no século XX. Ao revelarem que são mais inteligentes que os macacos comuns e, principalmente, que falam, Cornelius e Zira são tratados como celebridades, com direito a banho de loja e de cultura humana, com intensa atenção da mídia. No entanto, aos poucos, os militares humanos (sempre eles) passam a indagar sobre o futuro que espera a Terra e, depois de um tempo, quando descobrem que Zira está grávida, os dois chimpanzés passam a ser temidos pelo que representarão aos humanos no futuro. É a inversão do tema "estranho em uma terra estranha" do primeiro filme, sendo que, dessa vez, aqueles que têm que fugir e se adaptar são os macacos. Com a ajuda de cientistas humanos, os macacos fogem apenas para se depararem com um excelente mas trágico final, com direito até a uma ponta de Ricardo Montalban no papel de Armando, o dono de um circo.

Ao colocar os macacos no lugar de perseguidos e utilizando-se novamente do artifício da viagem no tempo, os produtores conseguiram montar um filme que não só revigora a franquia, como também explica como é que ocorre a evolução dos símios. Os paradoxos temporais - um de meus artifícios preferidos da ficção científica - são muito bem explorados: será que os macacos teriam evoluído se Taylor não tivesse sido mandado para o espaço? Será que o tratamento dispensado a Cornelius e Zira é que catalisam a queda dos seres humanos? Essas e outras perguntas, todas pertinentes, ficam no ar com o perfeito final de "A Fuga" e poderiam ter ficado dessa maneira se os produtores tivessem se contentado em fechar a trilogia aqui. Mas não. Com o sucesso em mãos, partiram para mais dois filmes que, na verdade, acrescentam elementos desnecessários à trama.

O grande destaque, novamente, é Roddy McDowall como Cornelius. Sua atuação é muito boa, mesmo debaixo de uma óbvia máscara (mas que, considerando-se a época em que o filme foi feito, é ótima). Mesmo depois desse tempo todo, com a tecnologia atual na área de maquiagem e com efeitos de computação gráfica e captura de movimento (que foi usado no mais recente episódio da franquia, Rise of the Planet of the Apes, a ser lançado no Brasil no dia 26 de agosto), as máscaras de Cornelius e Zira não datam o filme. O que data o filme é a estética setentista inevitável, inclusive com hilários momentos de demonstração da cultura da época, com suas roupas e carros para lá de exagerados.

Obviamente que o roteiro poderia ter ido ainda além como, por exemplo, fazendo com que os macacos se encontrassem com Taylor antes que ele partisse para sua viagem fatídica. Outras questões paradoxais poderiam ser levantadas com isso. Mas "A Fuga" cumpre bem seu papel e Don Taylor entrega um filme redondo que poderia ter encerrado a série com chave de ouro.

Mais sobre o filme: IMDB, Rotten Tomatoes, Box Office Mojo e Filmow.

Nota: 8 de 10

3 comentários:

  1. Concordo que seja melhor que o péssimo segundo filme. Mas na minha opinião, esse e todos os outros são muito dispensáveis.

    O primeiro é um clássico com um roteiro sensacional e um final excelente! Não precisava de sequências!

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  2. Rafael:

    100% de acordo. O primeiro filme é completamente auto-contido e podia ter parado aí. Mas é Hollywood. Nada que faz dinheiro fica só na primeira parte. Assim, continuações são completamente inevitáveis.

    E hoje, mais do que continuações, temos rios de remakes, reboots, prequels e tudo mais. Não deixam o passado em paz!!!

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  3. Boa crítica. Só um detalhe, não foram os militares que desconfiaram dos macacos, fui um cientista preocupado com o futuro da humanidade, inclusive, com a poluição...

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Pensem antes de escrever para escreverem algo com um mínimo de inteligência. Quando vocês escrevem idiotices, eu apenas me divirto e lembro de Mark Twain, que sabiamente disse "Devemos ser gratos aos idiotas. Sem eles, o resto de nós não seria bem sucedido."