domingo, 28 de fevereiro de 2010

Crítica de filme: The Wolf Man (O Lobisomem)

Gostaria de entender como é que dois atores já estabelecidos no mercado como Benicio del Toro e Anthony Hopkins decidem efetivamente participar de filmes como O Lobisomem. É o dinheiro? O desafio do papel? Ou eles não leram o roteiro mas acharam que participar de filmes de lobisomem é bacana?

Com essa introdução já dá para vocês perceberem que não gostei muito do filme. O Lobisomem conta a estória de Lawrence Talbot (Benicio del Toro), um ator shakespeareano que, depois de muitos anos, a pedido da esposa de seu irmão desaparecido, volta para a enorme mansão da família em Blackmoor, Inglaterra. Ele não vê a família há anos mas quer saber o que aconteceu com o irmão. Ao chegar, o pior já aconteceu: o corpo dilacerado de Ben foi achado em um vala. Decidido a descobrir o que aconteceu, ele fica na mansão junto com seu pai, Sir John Talbot (Anthony Hopkins).

É evidente que seu irmão foi morto por um lobisomem e, exatamente em uma lua cheia, apesar dos avisos do pai, o idiota do Lawrence sai à noite para ir a uma acampamento cigano investigar. Justamente por lá, o lobisomem decide atacar e, depois de matar diversas pessoas, fere Lawrence, amaldiçoando-o a se tornar um lobinho sempre que houver noite de lua cheia. Chega na cidade um agente da Scotland Yard, Abberline, vivido pelo eterno Mr. Smith ou Elrond, Hugo Weaving e ele passa a liderar a caçada ao monstro.

O que acontece a partir daí é muito ridículo e uma colcha de retalhos em termos de furos de roteiro. Para começar, no ataque ao acampamento cigano, diversas pessoas são feridas mas só Lawrence vira Lobisomem. O filme é uma desculpa para intermináveis cenas de desmembramento (aparentemente, lobos matam sempre cortando cabeças com um golpe só...) e de tortura (Lawrence é levado a um manicômio). Todo o suspense gótico do filme original de 1941 foi arrancado do remake atual tornando o filme um genérico de monstro, com direito a embate entre duas feras ao final (e que vai ficar para a estória como uma das lutas mais ridículas já criadas). Rick Baker, o mago da maquiagem foi responsável pela transformação de Del Toro em lobo mas, nesse filme, nem os esforços dele resultaram em algo remotamente interessante. O bicho parece mais um orangotango com um problema de temperamento.

Talvez o fracasso do filme seja culpa do diretor Joe Johnston mas eu realmente acredito que tenha sido a conturbadíssima produção do filme pela Universal, com refilmagens, atrasos, mudanças de conceito e tudo o mais que tenha arruinado de vez um conceito razoavelmente fácil de se executar. Para piorar, a escalação de Benicio del Toro para viver o filho de um lorde inglês definitivamente não faz sentido. Ainda que o ator se pareça com um lobisomem, ele não tem nada a ver com um lorde inglês, tendo em vista sua forte aparência latina. Não é preconceito, apenas a constatação do óbvio.

O Lobisomem é um filme de talentos e dinheiro desperdiçados. Se querem ver bons filmes sobre o tema, que não seja o clássico de mesmo nome de 1941 com Lon Chaney Jr., procurem The Howling e An American Werewolf in London. Fujam desse lobisomem.

Nota: 2 de 10

Um comentário:

  1. Você saca muito mesmo, impressionante. Um grande talento!

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Pensem antes de escrever para escreverem algo com um mínimo de inteligência. Quando vocês escrevem idiotices, eu apenas me divirto e lembro de Mark Twain, que sabiamente disse "Devemos ser gratos aos idiotas. Sem eles, o resto de nós não seria bem sucedido."