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domingo, 15 de janeiro de 2012

Crítica de filme: Sherlock Holmes: A Game of Shadows (Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras)

A continuação do sucesso de 2009, Sherlock Holmes, estrelado por Robert Downey Jr. e Jude Law e dirigido por Guy Ritchie era algo completamente inevitável. Afinal, o filme custou 90 milhões de dólares e fez 524 milhões na bilheteria mundial. No entanto, o que poderia ter sido evitado é a irritante e desnecessária mania hollywoodiana de achar que mais lutas, mais explosões - em resumo, o "mais mais mais" - é sempre o melhor. Se o diretor tivesse se contentado em fazer a mesma estória que apresenta em SH2 mas sem as pirotecnias exageradas, o filme talvez tivesse sido tão divertido quanto o primeiro. Mas não é isso que acontece.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Crítica de filme: Happy Feet Two (Happy Feet 2: O Pinguim)

Nunca entendi o amor por Happy Feet. Ok, o primeiro filme é muito bom sob o ponto de vista técnico: a computação gráfica tem texturas incríveis e as paisagens são lindas e extremamente detalhadas. Além disso, claro, há criaturas fofíssimas e para lá de simpáticas. Mas o filme é, no máximo, morno, com uma estória estranha sobre um pinguim que não gosta de cantar, só dançar (Mano, no original com a voz de Elijah Wood).

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Crítica de show: Rock in Rio 2011 - Dia do Metal (25 de setembro)


Posso dizer, com orgulho, que sou veterano de Rock in Rio. Fui a todas as encarnações do evento no Rio e, claro, não poderia deixar de ir na mais recente, que ainda está acontecendo. Com Metallica na lista de bandas confirmadas, tratei de comprar meu ingresso e, apenas para registrar, farei algums comentários aqui sobre o que vi no dia. Uma coisa, porém, ficou clara: apesar de eu já ter ido a quase duas centenas de shows de música (de vários gêneros, mas muitas e muitas de metal), continuo um completo ignorante nessa área e vocês verão o porquê mais abaixo.

domingo, 28 de agosto de 2011

Crítica de filme: Green Lantern (Lanterna Verde)

Lanterna Verde é um filme que mostra algum potencial nos primeiros 40 minutos mas, depois, assim como um castelo de cartas, desmorona com um mero sopro. O diretor, Martin Campbell, que nos trouxe os ótimos 007 Contra Goldeneye, A Máscara do Zorro e Casino Royale, não aproveita o material de décadas que tem em mãos e faz um filme burocrático que, apesar de ser cheio de efeitos especiais, não empolga em momento algum.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Crítica de filme: Beneath the Planet of the Apes - 1970 (De Volta ao Planeta dos Macacos - 1970) - Parte 2

O enorme sucesso do filme original do Planeta dos Macacos deu origem a uma febre símia na década de 70. O resultado natural disso foi a encomenda, pela Fox, de uma continuação da série. Acontece que, por um desentendimento entre os produtores e Charlton Heston, a estrela do primeiro, sua participação acabou muito reduzida, somente um pouquinho no começo e no final do filme.

domingo, 29 de maio de 2011

Crítica de filme: The Hangover Part II (Se Beber, Não Case! Parte 2)

Eu me escangalhei de rir com o primeiro Hangover. Com o sucesso (custou 35 milhões e fez quase 470 milhões de dólares mundialmente), uma continuação era mais do que esperada. Desnecessária, com certeza, mas mesmo assim esperada. No entanto, apesar de os trailers já terem dado todas as indicações, não esperava que Todd Philips, o direitor dos dois filmes, fosse jogar de maneira tão simplória, basicamente refilmando o primeiro filme.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Crítica de filme: Sucker Punch (Sucker Punch - Mundo Surreal)

Sucker Punch - Mundo Surreal é o resultado de uma diarréia cerebral de Zack Snyder, em que ele misturou tudo o que ele já viu passar na frente dele em uma mixórdia pastosa de coloração parda. Alguém tinha que ter receitado uma dose tripla de Imosec para ele no momento em que leram o primeiro tratamento desse roteiro.

Mas parece que Hollywood não tem bons médicos ou mesmo gente de bom senso. Deixaram Snyder seguir em frente com seu desarranjo audiovisual, investindo 82 milhões de dólares, além de anúncios e trailers em abundância.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Crítica de quadrinhos: Ultimate Marvel (Marvel Millenium)


No ano 2000, a Marvel fez algo bem inteligente mas com grande potencial para um desastre total: criou um novo universo Marvel, chamado de universo “Ultimate” com o objetivo de permitir que novos leitores pudessem se iniciar em seus quadrinhos. Digo que foi algo inteligente pois, basicamente, a Marvel teria carta branca para fazer o que quiser com seus grandes personagens, sem se preocupar com a continuidade normal. Digo que o potencial de desastre era grande pois mexer em heróis tão queridos é sempre um enorme perigo.

Mas a Marvel acertou em cheio em quase tudo que fez nesse seu novo Universo. A recriação dos personagens, principalmente os mais clássicos possíveis como Homem-Aranha, X-Men e Vingadores, foi um trabalho genial que basicamente continua até hoje. Em 2008, durante a saga Ultimatum, muita coisa mudou e, dizem alguns críticos, a qualidade piorou muito.

sábado, 13 de novembro de 2010

Crítica de TV: Lost - Última Temporada

Eu tinha esperanças que Lost seria encerrada de uma forma minimamente competente e que seus roteiristas iriam usar toda a última temporada, formada por 17 episódios, sendo que o último duplo e mais um epílogo curto, de 11 minutos, para criar alguma coesão à série. O que vi, porém, apesar da razoavelmente boa quinta temporada, foi um fracasso total de uma fórmula que começou bem, desandou no meio e se dilui completamente em seu último capítulo.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Crítica de filme: Ninja Assassin (Ninja Assassino)

Em tese, qualquer coisa com Ninja é bacana e acende aquela luzinha nerd em todos nós. No entanto, apesar de ser um conceito fácil, afinal um cara vestido de preto (ou branco, dependendo do caso), portando armas brancas super maneiras e desferindo golpes com precisão e velocidade deveria tornar um filme sobre ninjas muito fácil de ser feito, a grande verdade é que, friamente, não há nenhum filme dessa categoria que alcance o grau de "bom" ou mesmo "razoavelmente bom". Não estou falando de filme de artes marciais em geral pois, nessa categoria ampla, há vários muito bons, vindo à cabeça, imediatamente, Enter the Dragon, com Bruce Lee.

Ninja Assassin não muda em nada a sina dos filmes de ninja. É uma mal ajambrada estória de artes marciais em que o personagem principal, Raizo (Rain de Speed Racer), um ninja treinado por um clã que treina assassinos (obviamente), resolve trair seu treinador e proteger as vítimas do clã, de forma a se vingar de seu antigo mestre. Mesmo essa estória idiota é mal contada, não que eu queira uma estória inteligente de um filme de ninjas. No entanto, não precisava ser algo completamente simplista e previsível. James McTeigue, o diretor (fez V for Vendetta, que gostei), até que tenta dar ares de coisa mais inteligente mas falha absurdamente ao subestimar a inteligência do espectador, tentando enganar todo mundo ao dar a entender que Raizo é um dos bandidos.

Fora isso, o filme é uma desculpa de longos 99 minutos para se cortar cabeças, membros e torsos. Desde o primeiro segundo, o filme é uma sucessão disso, dos mais diversos ângulos e com as as mais diversas armas de corte. É bacana? Sim,certamente. Mas a repetição ad nauseam das mesmas cenas, muitas delas no escuro (já que os ninjas agem na sombra, como todos nós nerds sabemos mas que o filme faz questão de repetir umas 100 vezes) em que não entendemos exatamente o que está acontecendo chega a irritar.

Como se tudo isso não bastasse, a cereja no bolo são os poderes sobrenaturais dos ninjas. Particularmente, todos os filmes que mostram que ninjas são superpoderosos são automaticamente ruins. Para que isso? Quer dizer, então, que os ninjas têm o mesmo poder de Wolverine de se curar de qualquer ferida rapidamente? Podem correr que nem o Flash? São completamente invisíveis? Mesmo que eu fosse aceitar essas besteiras, é impossível conceber, então, que Raizo consegue derrubar dúzias e dúzias de seus pares ninjas apenas com alguns poucos golpes de katana e de outras armas. Os ninjas inimigos caem que nem maças podres. Raizo apanha, apanha, apanha, é cortado em pedacinhos e torturado e, mesmo assim, continua de pé, ágil como sempre. Ok, entendo que ele era o "melhor" do clã mas daí a haver esse abismo entre ele e seus pares é completamente ridículo, tão ridículo que impede que consigamos aceitar o filme. Fica parecendo uma coisa cartunesca, grotesca, sem nenhum propósito a não ser mostrar 1001 maneiras de ser cortar braços e pernas...

E fica pior: a luta final entre Raizo e seu mestre (por favor, não é spoiler, qualquer criança de 2 anos sabe que seria esse o final do filme) é a única luta que cria alguma dificuldade para Raizo e é lá que vemos o tal poder de super velocidade. Patético. E é mais patético ainda Raizo ter esse poder também mas só usar no final, exatamente nessa luta. Por quê? Alguma espécie de "código ninja" que só permite usar super velocidade em lutas mortais contra seu próprio mestre? Ou é mais uma falha tenebrosa de roteiro?

E, quando vocês achavam que não tinha como ficar pior, ainda tem uma estória sobre "corações especiais" que, devo confessar, morri de rir quando vi que os personagens não estavam brincando nem falando em metáforas. Não vou contar aqui mas é uma das coisas mais imbecis que vi em um filme, talvez só perdendo para o imbatível Battlefield Earth.

E olha que Rain é uma oportunidade desperdiçada. Basicamente é a única coisa boa do filme. Parece a reencarnação de Bruce Lee em termos de fator cool. A coreografia das poucas lutas que conseguimos ver também é muito boa e, devo confessar, me diverti com alguns aparos de escalpo... Essas três razões é que não me permitem dar zero ao filme...

Nota: 3 de 10

domingo, 31 de janeiro de 2010

Crítica de filme: Alvin and the Chipmunks: The Squeakquel (Alvin e os Esquilos 2)


Era óbvio que, com o sucesso do primeiro Alvin e os Esquilos, filme com atores reais e esquilos digitais baseado em desenho animado americano famoso por lá, a Fox não poderia resistir à tentação de fazer uma continuação. Eu, particularmente, tentei evitar assistir o filme pois já havia visto e detestado o primeiro. No entanto, às vezes (muito raramente, na verdade) ter filhos significa autoflagerlar-se e lá fui ver os esquilos no cinema novamente.

O que me chateia com esses filmes infantis é a necessidade que alguns estúdios têm de torná-los idiotas. E olha que isso é completamente desnecessário, bastando ver Up - Altas Aventuras, que, junto com Inglorious Basterds, foi o melhor filme de 2009 para mim. Filmes infantis podem e devem ser inteligentes, desafiantes e não  rasos e entendiantes.

Para manter os custos lá no chão, a Fox tratou de se livrar da única coisa boa do filme anterior: o ator Jason Lee (da excelente série My Name is Earl). Sua participação, na continuação, se resume a 2 minutos no início e mais 2 ao fim.

Vamos ao fiapo de estória. Querendo que os esquilos tenham uma vida normal, Dave (Jason Lee) os manda para a escola (de seres humanos!). Lá, Alvin e seus dois irmãos dão de cara com as "Esquiletes", três esquilos fêmeas que são, cada uma, a versão feminina dos esquilos. Só isso já torna a estória - muito batida - completamente imbecil. Evidentemente que o vilão do outro filme, o produtor Ian (David Cross) dá um jeito de voltar e de explorar as "esquiletes" cabendo a Alvin, Theodore e Simon irem ao resgate.

Acontece que o filme é formuláico e, apesar de só ter 88 minutos, parece que tem 3 horas de tão chato. E, para dar um "ar de filme inteligente", os roteiristas jogaram várias frases de filmes adultos na boca dos esquilos. E que frases são essas vocês perguntarão? Bom, nada mais, nada menos, do que citações de Apocalypse Now, Taxi Driver e outros filmes desse tipo da década de 70. Ora, mostrar erudição fazendo citações dessa natureza é o cúmulo do esforço zero para fazer um filme inteligente. Os roteiristas devem ter se achado o máximo quando inseriram no roteiro frases clássicas de filmes clássicos. Se tivessem usado um décimo desse esforço para tratar a trama de uma forma um pouquinho menos rasteira, teriam feito um filme passável.

E o pior é que, apesar da (falta de) qualidade, a continuação também foi um sucesso...

Nota: 3 de 10

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Crítica de filme: Cloudy With a Chance of Meatballs (Tá Chovendo Hamburguer)

Quando soube do lançamento iminente desse filme animado, baseado em livro homônimo americano para crianças, achei que não dava uma boa estória para um longa metragem. Quando vi o trailer,  passei a ter certeza que o filme não seria bom: animação meio tosca e premissa idiota demais. No entanto, em um clara demonstração de falta de personalidade, comecei a ler as críticas que apareceram - em sua maioria elogiosas - e passei a querer ver, afinal, do que se tratava.

Eu sei, fui levado pelo canto da sereia...

Tá Chovendo Hamburguer conta a estória de um inventor maluco chamado Flint Lockwood. Ele mora com seu pai em um cidade em uma ilha perdida no Atlântico. Toda a vida da ilha gira em torno da pesca de sardinhas mas, com a queda do mercado desse peixe, os habitantes passam a ter que consumir o que produzem. Assim, claro, Flint inventa um aparelho que converte água em qualquer tipo de alimento: pizzas, almôndegas, hambúrguers e outros (nada saudável, aparentemente). Acontece um acidente e a maquineta vai parar literalmente nas nuvens e começa a gerar uma chuva de comida. Flint, levado pela fama instantânea e pelos pedidos do minúsculo prefeito da cidade, passa  a fazer chover comida três vezes por dia. Desnecessário dizer que dá tudo errado e cabe à Flint superar seus problemas, ajudado por uma repórter bonita que esconde ser nerd e por seu pai, que não tem olhos, só sobrancelhas.

É uma estória cheia de lições de moral que atrapalham seu desenrolar e, por incrível que pareça, não são claras o suficiente para as crianças entenderem. Em cima disso, há a animação bastante simples e caricata que simplesmente não gostei. Há uns exageros interessantes como o furacão de macarrão com almôndegas e outros simplesmente ridículos como o clímax em que Flint tem que enfrentar uma versão monstruosa de sua máquina fazedora de comida.

O desenho basicamente não tem estória para se sustentar por 90 minutos e os personagens não são nada cativantes. É um tanto surreal mas não como Up e sim como um desenho ruim do tipo Looney Tunes. A Sony até  já tinha feito um filme animado razoável (Surf's Up) mas sua nova tentativa não chegou nem lá. Chato para os adultos e sem sentido para as crianças.

Ah, esqueci de dizer, o filme faz uso da técnica 3D como é moda hoje em dia. Aliás, almondêngas e rosquinhas voando na direção do telespectador é prato feito (com trocadilho) para essa tecnologia. No entanto, a versão que vi foi 2D pelo que não dá para saber se o filme ficaria melhor em 3D. Eu particularmente parto da premissa que se o filme não funciona em 2D, não funcionará em 3D.

Nota: 3 de 10

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Crítica de filme: 17 Again (17 Outra Vez)


Foi total falta de alternativas. Estava no avião, sem conseguir dormir e comecei a passar a seleção de filmes. A única coisa que eu não tinha visto era essa maravilha aí, estrelada por Matthew Perry e Zack Efron. De tão ruim que eu sabia que ia ser, eu nem me preocupei em colocar o fone de ouvido. Fiquei só nas legendas mesmo, que são muito mais do que suficientes para entender o que está acontecendo na complexa trama.

Os dois atores fazem o papel de Mike O'Donnell. Matthew Perry, péssimo ator, é o personagem nos dias de hoje, com dois filhos que ele mal conhece e um casamento em frangalhos. Zack Efron, também péssimo ator, é Mike com 17 anos, mas nos dias de hoje também, tentando reviver sua vida. Por um passe de mágica, o adulto se transforma no adolescente. Apenas gostaria de saber de onde o roteirista tirou essa "brilhante" e "original" idéia, que nunca tinha sido feita antes...

Ultrapassada a questão da originalidade e as inevitáveis comparações com Big (Big, na verdade, está para 17 Again assim como Shakespeare está para Sidney Sheldon...), não sobra nada para 17 Again. Perry é retirado do filme com 15 minutos de projeção e todo o foco se vira para Efron, que até chega a ensaiar uns passinhos de dança, claro, para lembrar as adolescentes de seus momentos High School Musical. Ah, ele até joga basquete no filme. Nem para trocar de esporte serviram os roteiristas...

Tudo é muito óbvio, do começo ao fim. A única coisa legal é o nerd do melhor amigo de Mike, Ned Gold (vivido pelo ótimo Thomas Lennon). O cara é milionário e só pensa em comprar espadas de elfos, bonecos de Star Wars, estátuas de Star Trek e por aí vai. A cama dele é o speeder de Luke Skywalker no primeiro Star Wars, só para vocês terem uma idéia. O diálogo dele em "élfico" com a diretora da escola - que se revela uma maluca que nem ele - é impagável. Mas é só. O resto é bem simples e rasteiro, sem a menor tentativa de quem quer que seja de trazer alguma coisa de razoável para a telona.

O que me irrita mais é que roteiros como esse são aprovados todos os dias pois nós, do público, acabamos assistindo e prestigiando lixos como esse.

Nota: 3 de 10 (unicamente em razão do personagem de Lennon)

domingo, 26 de julho de 2009

Crítica de teatro: Avenida Q


Humm, como posso começar?

Talvez pelo veredito, nu e cru: Avenida Q é uma porcaria, um lixo criativo que tenta ser uma coisa que acaba não sendo e se baseia apenas na idéia de colocar bonecos comandados por pessoas - que também atuam - para ser "diferente".

Sei que estou na contramão do que vem sendo dito por aí mas não posso fazer nada. Todos os críticos, nos Estados Unidos e no Brasil, adoraram essa peça e eu realmente esperava algo pelo menos razoável. No começo, achei que era problema da tradução do inglês para o português mas depois de uns 3o minutos reparei que não era nada disso. Depois, passei a achar que eram os bonecos o problema da peça mas logo vi que estava errado.

O problema é um só. Avenida Q começa politicamente incorreta, tratando de questões polêmicas como homossexualismo, pornografia na internet, prostituição e coisas do gênero mas acaba sendo, no final das contas, uma estória extremamente politicamente CORRETA e certinha, sobre o amor ultrapassando barreiras e por aí vai. Fala-se palavrões, trata-se de pornografia sem economia de palavras mas, no ato final, tudo magicamente volta ao ambiente asséptico que nos acostumamos a ver em quase qualquer coisa criada nos Estados Unidos.

Uma comparação justa é com Spamalot, a peça da Broadway baseada na obra Monty Python and the Holy Grail. Avenida Q é o humor americano, que tenta ser sacana, cínico e acaba caindo na vala comum. Spamalot é o humor britânico que é sacana e cínico e nunca cai na vala comum. O destaque de Avenida Q é um artifício: o uso de bonecos comandados por seres humanos também atuam como seus bonecos. Bacana? Com certeza? Mas nas mãos da galera do Monty Python esse artifício funcionaria como mágica, da mesma maneira que a cena com o coelhinho fofinho branquinho e MONSTRUOSO funciona ao final de Spamalot.

Avenida Q é sem imaginação (só uma idéia é realmente boa: o uso dos "Ursinhos Carinhosos" para serem os diabinhos que desviam o caminho virtuoso do personagem principal) e chato. Só funciona por uns 15 minutos, quando ainda estamos inebriados pelo eficiente uso dos bonecos que claramente homenageiam os Muppets.

Depois que a poeira abaixa e nos acostumamos com os bonecos, tudo que resta é a vontade de ir embora...

Nota: 3 de 10

domingo, 19 de outubro de 2008

Crítica de filme: Max Payne

Não conheço todos os cinemas do mundo mas posso garantir que não existe um cineplex melhor do que o Arclight Cinemas, especialmente quando se assiste algum filme no chamado The Dome.

Para quem não conhece, a rede Arclight é uma rede modesta de cinemas feita para aquelas pessoas que realmente gostam de apreciar um filme em tela grande. Eles passam não somente os grandes blockbusters como, também, filmes de arte e reprises especiais de grandes filmes antigos. Para usar como exemplo, em Novembro agora, para comemorar o trabalho de Paul Newman e em homenagem ao grande ator que ele foi, a rede Arclight passará vários filmes dele em sessões únicas, ao longo do mês. Eles mostrarão Butch Cassidy and the Sundance Kid, Cool Hand Luke, The Hustler, entre outros. No lado blockbuster de ser, o Arclight, em outubro, em virtude do lançamento de Saw V, fará uma maratona dos outros quatro filmes da série. Em suma, tem para todos os gostos.

Mas não é só isso. A rede Arclight não passa anúncios, somente trailers. Só permite a entrada de espectadores até logo antes do início da sessão, nunca depois de ela começar. As salas são no estilo black box (totalmente escuras), têm formato stadium e cadeiras muito confortáveis. Tem algumas sessões que são para maiores de 21 anos (independente do tipo de filme, o objetivo é não ter criança "atrapalhando") com direito a drink e tudo. E a cereja em cima do bolo é o The Dome, um domo enorme, com uma tela arqueada feita originalmente para passar filmes no forma Cinerama (daí o grande logotipo da Cinerama na frente do local que vocês verificam na foto). Lá eles mostram os grandes blockbusters, como The Lord of the Rings, Spider-man e outros.

Por tudo isso, a rede cobra um ou dois dólares a mais que uma rede de cinemas comum mas podem ter certeza que esse valor premium mais do recompensa a experiência.

Foi lá que assisti um filme ontem: Max Payne.

O filme é o segundo filme desse ano tendo como estrela principal o Mark Wahlberg. O primeiro foi o estranho The Happening, dirigido pelo Shyamalan.

Acho que o ex-"Marky Mark and the Funky Bunch" não está com muita sorte para filmes depois que o fez o magistral The Departed, em um papel pequeno mas memorável.

Max Payne é uma adaptação de um videogame com o mesmo nome. Nunca o joguei mas o grande "tchan" do jogo é ser quase como um filme em sua movimentação de câmera e fazer o uso do "bullet time", criado para o filme Matrix. Pelo que sei, o jogo, e sua continuação, foram grandes sucessos de venda.

O filme conta a estória de Max Payne (Wahlberg) que ficou psicologicamente perturbardo (e quem não ficaria) após os cruéis assassinatos de sua esposa e de sua filhinha recém-nascida. Três anos se passaram e ele agora está na divisão de "Cold Cases" da delegacia, sempre investigando a morte de sua família. O que ocorre é que Max chegou em casa no momento do crime, matou dois criminosos mas um escapou pela janela. A incessante busca pelo terceiro homem fez com que Max chegasse ao fundo do poço, tornando-o um pouco louco. Ao esbarrar em um pista, encarnada por Natasha (Olga Kurylenko em uma ponta - ela fez a prostituta em The Hitman, outra adaptação de videogame e será a Bond Girl em Quantum of Solace), Payne descobre uma trama envolvendo drogas e muitas mortes que, no final das contas, ora, ora, quem diria, tem relaçao com a morte de sua esposa.

Os problemas do filme começam com a trama furada. Max Payne passou três anos dedicado ao estudo da morte de sua mulher e nunca, em momento algum, desconfiou da pista mais óbvia de todas: a tatuagem de asas no braço de um dos assassinos de sua família. Lembram em séries como CSI e outras de detetive que a tatuagem sempre leva ao assassino? Pois é: aparentemente Payne nunca assistitiu esses seriados. A trama continua capenga com mortes sem razão de ser e resoluções imbecis.

Mas o pior é a direção, ou melhor, o exagero na direção. John Moore (que, antes, dirigiu a refilmagem de The Omen que não tive o desprazer de ver e o mediano Flight of the Phoenix) começa bem, com a escolha de uma paleta de cores escura, tendendo quase para a ausência de cores. O filme, com isso, ganha visuais depressivos que mostram bem o estado de espírito de Payne. Ao mesmo tempo, permite uma bela fotografia. No entanto, o que ele fez de bom pára por aí. O resto são usos indevidos de câmeras lentas, closes e travellings que irritam o telespectador. Em determinada cena, Payne se joga de costas atirando com sua Doze. O momento é hilário tamanha foi a estilização que o diretor impôs. Todo mundo no cinema riu. Para que isso???

Ah, o filme tem também Beau Bridges e um evelhecido Chris "Robin" O'Donnell no elenco. Ou eles precisavam muito de trabalho ou a produção pagou muito bem pois vá escolher mal roteiros para atuar assim lá no inferno...

Acho que Max Payne só deve ser interessante - ou não, sei lá - para os fãs do jogo. No final das contas, a única coisa "boa" do filme é Olga Kurylenko, o que não é suficiente para compensar o preço do ingresso...

Sei que 90% dos críticos brincarão com o título do filme mas eu não resisto: dói assistir Max Payne.

Nota: 3 de 10

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Crítica de filme: Journey to the Center of the Earth (Viagem ao Centro da Terra)

Pelo menos de uma coisa Hollywood não pode ser acusada: de ficar parada esperando a pirataria tomá-la de assalto. Não que eles estejam fazendo muita coisa para mudar seu método de fazer negócio mas, diferente da indústria fonográfica, que demorou mais de 10 anos para começar a pensar em fazer alguma coisa, Hollywood ao menos se movimentou mais rápido e está tentando mudar o panorama. Uma dessas tentativas - e das mais divertidas - é o renascimento da tecnologia 3D, aquela mesma dos anos 50.

A diferença, agora, é que não estamos lidando com aqueles óculos de lentes coloridas, mas sim algo bem mais confortável, os chamados óculos polarizados. A tecnologia de filmagem também avançou e ver um filme todo em 3D já não é mais um problema.

Viagem ao Centro da Terra é o primeiro filme live action em 3D depois do recente revival da tecnologia que somente tem razão de ser para se dar uma experiência aos espectadores que a pirataria não pode proporcionar. Ele é live action em termos pois são 3 atores atuando em frente a uma tela verde quase o tempo todo, para posterior inserção de cenários e efeitos digitais.

Brendan Fraser faz o professor de geologia (ou algo do gênero) que é odiado pelo sobrinho mas os dois têm que ficar juntos por alguns dias enquanto a mãe do garoto vai arrumar sua vida no Canadá. O descaso do garoto pelo tio desaparece em 2 segundos e ambos partem para uma aventura na Islândia, para encontrar o pai do garoto e acabam esbarrando em uma bela garota montanhista. Não vale nem tentar explicar o fio de estória que segura o filme. Esqueçam a trama pois é algo sem importância. O bacana, aqui, são os efeitos, que certamente divertem a garotada. Para os adultos, não sobra muita coisa senão ficar de cabelo em pé pelas "liberdades" que o roteirista tomou com a estória clássica de Jules Verne.

De toda forma, vale a experiência - cara, diga-se de passagem - de receber umas duas ou três cusparadas, de desviar de piranhas gigantes e outras coisinhas. Nada que quem já tenha ido à Disney não tenha visto (e em 4D, que é mais legal ainda).

Fico imaginando o que James Cameron pretende com Avatar, um filme que é para ser sério e totalmente filmado em 3D. Sinceramente, não consigo levar muito a sério filmes em 3D mas é James Cameron, o cara que nos trouxe Alien e Terminator, além de ser o diretor do filme que mais faturou na estória do cinema (se não levarmos em conta a atualização monetária, claro). Ele merece um crédito.

Nota: 3 de 10