domingo, 30 de novembro de 2008

Decepção


Decepção não é a tradução de Deception, filme que vi com amigos em Blu-Ray há alguns dias, mas é o que senti ao seu fim. Pensando bem, sua tradução literal, Embuste, também descreve meus sentimentos sobre o filme.

O filme é dirigido pelo estreante Marcel Langenegger e é estrelado por Hugh "Wolverine" Jackman (no papel de Wyatt Bose) e Ewan "Obi-Wan" McGregor (no papel de Jonathan McQuarry). A premissa é interessantíssima: Bose, um advogado, aborda McQuarry, um contador , enquanto este último faz a análise contábil do escritório onde o primeiro trabalha. Os dois travam um bate papo interessante e acabam amigos. McQuarry, mais humilde, começa a viver a vida milionária de Bose e, em determinado momento, sem querer, o contador troca de telefone celular com o advogado. O telefone do advogado é uma ferramenta de encontros às cegas, em que mulheres solteiras (ou não) ligam para o número e perguntam se Bose está "disponível". Tudo por uma noite de sexo sem compromisso. McQuarry, muito retraído normalmente, acaba entrando na brincadeira e passa a usufruir da chamada "The List". Sempre que recebe uma ligação, passa a noite com a mulher que ligou. Enquanto isso, Bose está viajando a negócios e estimula McQuarry a continuar usufruindo do telefone enquanto ele não volta. Mas as regras da "The List" são: nada de nomes, nada de conversa. Seria perfeito se McQuarry não se apaixonasse por uma das mulheres com quem entra em contato.

Daí em diante, o filme se torna um thriller que brinca em torno das percepções. O jogo, na verdade, é o título do filme e contar muito mais que isso é "spoiler". 

No entanto, essa premissa para lá de bacana acabando se tornando um filme rasteiro, de resolução óbvia e forçada, sem qualquer valor para o espectador. Uma grande idéia e um grande elenco foram desperdiçados por que o roteirista Mark Bomback (que escreveu Die Hard 4, certamente longe de ser um primor em termos de estória) acabou escolhendo o caminho mais fácil. O terceiro "ato" do filme é tão fraco que estraga o divertimento que são as duas primeiras partes. 

Não vale à pena o esforço nem de alugá-lo para uma noite chuvosa...

Nota: 4 de 10

sábado, 29 de novembro de 2008

Crítica de filme: Burn After Reading


O mais novo filme dos irmãos Coen, Burn After Reading, é um alívio para a tensão que foi No Country for Old Men. Não que o No Country seja ruim, ao contrário, é uma obra-prima sensacional. Mas é que a mensagem triste e pesada do filme ganhador do Oscar é completamente diferente da mensagem de Burn After Reading.

Burn é, por excelência, uma comédia. No entanto, os Coen fizeram o filme como se estivessem filmando o mais novo filme de Jason Bourne ou de James Bond. Começa com uma imagem da Terra e um constante zoom até a sede da CIA. Lembra muito o começo de Enemy of the State, de Will Smith. Os cortes e a montagem são frenéticas, com muito uso de câmera na mão. A trilha sonora, também, tem o mesmo tom: é igualzinha ao padrão de filmes de espionagem, com suspense e mudanças de atmosfera todo o tempo.

A estória é brilhante: Osbourne Cox (John Malkovich) decide largar seu emprego na CIA e parte para escrever suas memórias. Em determinado ponto da estória, um CD contendo parte do que escreveu cai nas mãos de Chad Feldheimer (Brad Pitt), um personal trainer gay e de Linda Litzke (Frances McDormand), uma gerente de academia completamente desgostosa com seu corpo e com sua vida. Os dois, então, partem para chantagear Cox. Paralelamente, há a estória de Harry Pfarrer, um policial metido a garotão vivido por George Clooney e Katie Cox (Tilda Swinton), esposa de Osbourne Cox.

Só o elenco já é razão mais do que suficiente para se assistir ao filme. Não há adjetivos suficientes para qualificar a galera que listei aí em cima. Todos estão sensacionais. Talvez o melhor seja o mais improvável: Brad Pitt. Ele está arrasando como uma bichona das mais alegres. Clooney também está ótimo e merece destaque.

É sensacional ver os Coen usando os clichês e chavões dos filmes de espionagem para demolir todas as convenções e mostrar que até essa profissão pode ser ridícula e completamente mundana. Todo o heroísmo dos super-espiões que vemos é pisoteado pelo jeito pretensioso de Cox e a completa burrice de Chad e Linda. Esse dois, chegam a levar o CD com as valiosas informações para a embaixada Russa, tentando reviver os tempos de guerra fria.

O mais bacana é ver que as pessoas podem ter problemas pessoais e familiares mais complicados que a relação dos EUA com a Rússia e esse jogo comparativo os Coen jogam com maestria, para o prazer da platéia. É traição de todos os níveis para tudo quanto é lado...

É um filme light, cujos elementos "sérios" estão à serviço da comédia e paródia. Os irmãos Coen acertaram mais uma vez. O mote do filme "Intelligence is relative" já diz tudo sobre o que esperar dessa grande obra.

Nota: 9 de 10

Gelo preto

O AC/DC entrou na mais nova onda: lançamentos de novos álbuns que são vendidos exclusivamente em determinadas redes. Isso já vinha acontecendo há algum tempo mas, de um ano para cá, essa moda tem se intensificado. Depois do AC/DC lançar seu primeiro CD de estúdio em 8 anos - Black Ice - exclusivamente pelo Wal Mart, o The Police lançou o álbum e DVD Certifiable, da nova turnê, unicamente pela Best Buy.

Não consegui comprar Black Ice durante minha viagem aos EUA pois achar Wal Marts em cidades grandes é tarefa difícil. Há necessidade de se sair um pouco do centro.

De toda forma, acabei comprando aqui no Brasil, por um preço até bastante razoável: menos de 20 reais.

O CD é classicamente um CD do AC/DC. A voz inconfundível do vocalista Brian Johnson continua em forma e os irmãos Young, que de jovens não têm nada, continuam escrevendo músicas bacanas, cativantes. Mas, talvez por ser classicamente um AC/DC o disco não é assim muito especial, muito diferente. Certamente agradará aos fãs da banda, eu inclusive.

Nota: 7,5 de 10
 

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Accelerate

























No dia 08, fui ao show do R.E.M. no HSBC Arena do Rio de Janeiro. Não conhecia o local, que foi construído para ser estádio de basquete para o Pan. Parece inacabado, com rampa de madeira. Típica coisa de obra super-faturada brasileira...

Bom, mas vamos ao show. Para começar, estava razoavelmente vazio, pelo menos nas arquibancadas. A pista estava moderadamente cheia, o suficiente para não fazer feio. Esperava um show muito bom pois o último álbum do grupo, Accelerate (que comentei mais abaixo) é muito bom.

Não foi um show muito bom não, foi excelente. Michael Stipe e sua trupe estão de volta ao topo, com uma apresentação lastreada nas músicas e na presença de palco, não na pirotecnia (como, suspeito, será o show da Madonna). E olha que as luzes e os telões do show era muito bacanas.

Michael Stipe tocou de tudo um pouco, passando pelos clássicos The One I Love, Driver 8, Orange Crush e It's the End of the World as we Know it (and I feeel fine). Mas não deixou de fora as melhores canções do disco novo: Hollow Man e Supernatural Superserious, por exemplo. O grupo tocou e cantou com garra, brindando os fãs com música do mais alto calibre. 

O setlist, que estou com preguiça de copiar, vocês acham aqui:


Nota: 9 de 10

domingo, 23 de novembro de 2008

Crítica de TV: Prison Break - 2ª Temporada


Não, não é Miami Ink. 

Prison Break talvez seja a série mais bem sacada dos últimos tempos. A primeira temporada foi sensacional. Isso, claro, se você conseguir se abstrair um pouco e acreditar que alguém consegue efetivamente levar à cabo um plano tal complicado para entrar e fugir de uma prisão. Para quem não sabe, a série conta a estória de Michael Scofield, que cria um fantástico plano para tirar seu irmão, Lincoln Burrows, da cadeira elétrica. O plano, de tão intricado, foi todo tatuado pelo corpo de Michael que consegue pensar em todas as alternativas possíveis de fuga.

A primeira temporada acabou de forma explosiva e a segunda começa do ponto onde a outra acabou. O elenco todo - agora do lado de fora da prisão - está tentando se manter do lado de fora, enquanto o FBI, chefiado pelo agente Mahone, está ao encalço deles. Para quem achou que as tatuagens de Michael só serviam para sair da prisão, está enganado. O cara pensou em tudo e seu plano é muito maior do que só escapar. 

Na segunda temporada, os personagens, de várias maneiras diferentes, fazem viagens pelo interior americano, convergindo para determinados locais (sempre por razões suficientemente plausíveis) de tempos em tempos. A trama por trás da armação de altíssimo escalão que levou à prisão de Lincoln Burrows só vai se aprofundando mas, diferentemente de Lost, muita coisa é explicada logo na segunda temporada, que é muito bem amarrada.

O final é meio forçado mas é que a série fez tanto sucesso que eles tinham que esticar de alguma forma. Há um potencial interessante para a terceira temporada. Só espero, porém, que a Fox não queira ir muito além da quarta.

Nota: 8 de 10 (a primeira temporada, para comparação, merece uns 9 de 10)

E lá vai mais uma


Para compensar minha falta de postagens, vou mandar mais uma.

Como quase toda a população mundial, assisti Quantum of Solace. Se eu gostei? Sim, claro, como poderia deixar de gostar? É um filme de ação espetacular ininterrupta, que nem te deixa tempo para pensar. É uma invasão dos sentidos, com explosões, socos, tiros, quedas, batalhas aéreas, corridas de lancha, pulos de pára-quedas, perseguições automobilísticas e tudo mais que um filme de ação precisa ser para se qualificar como um filme de ação nos dias de hoje.

Como um filme de 007, ele, porém, não é bom.

Não me xinguem ainda. Deixa eu explicar.

Sei que Casino Royale, que eu adorei, é um 007 para a nova geração, com um Bond mais realista, violento, tosco. Sei também que Casino Royale era basicamente um reboot na série, um recomeço, contando a primeira missão "para matar" do agente secreto do MI-6. Sei disso tudo. No entanto, quando Bond dá um tiro no joelho de Mr. White ao final de Casino, ele se apresenta como "Bond, James Bond", dando a impressão que, na continuação, teríamos um vislumbre daquele cara que acostumamos ver nos 20 filmes anteriores. Não um cara igual, vejam bem, mas alguém que lembrasse o personagem querido por todos. 

Não foi o que aconteceu. Quantum of Solace (ô raio de título, não?) é Casino Royale elevado ao cubo em termos de ação e truculência do agente com licença para matar que quer por que quer se vingar da morte de Vesper, no outro filme. Aliás, licença para matar é algo que 007 não mais precisa aparentemente. Ele mata e pronto, com ou sem licença. E não só mata como também deixa morrer e não se preocupa muito com as conseqüências do que faz. Tudo que ele consegue pensar é em Vesper e a resposta à uma pergunta que não quer calar: ela gostava de Bond de verdade ou era encenação?

De toda forma, digo e repito: Quantum of Solace é um ótimo filme de ação mas, se comparado com seu predecessor imediato, é um tanto mais fraco, pois a estória é basicamente inexistente. Ele deve ser visto, na verdade, como uma continuação imediata de Casino Royale (o que efetivamente é) e como o fechamento do arco inicial da vida de 007. Espero que os produtores parem por aí e emprestem um pouco mais de charme ao agente no próximo filme, só um pouco mais. Precisamos de mais Martini e black-tie e menos dog fight no espaço aéreo da Bolívia. O final de Quantum parece ir nessa direção e é, sinceramente, o que espero. Caso contrário, 007 terá que ser comparado com Jason Bourne e, vocês vão me desculpar, porradaria por porradaria, sou mais o Bourne de Matt Damon. Se é para 007 ficar igual ao seu concorrente moderno, prefiro que os produtores parem por aqui pois eles não tem chance diante do agente sem memória.

Bom, de toda forma, vale destacar três aspectos bem positivos de Quantum of Solace: (1) a bela homenagem a Goldfinger, o melhor filme da série; (2) a fantástica cena da ópera Tosca em Viena e (3) Olga Kurylenko, uma belíssima Bond girl. A foto acima prova isso, tenho certeza (vocês não achavam que eu ia colocar a foto do Neanderthal do Daniel Craig, não é? ;).

Nota: 7 de 10 (Casino, para comparação, é nota 8,5)

Esqueci-me do blog!


Caramba, o mês de novembro está voando e, junto com ele, o ano. Nem tive tempo de postar nada.

Bom, aí vai. 

Voltando de avião dos Estados Unidos, catei um filme que eu pudesse assistir durante o vôo. Vocês sabem o que isso significa: procuro filmes que não tenho a menor intenção de ver nem em DVD, por alguma implicância qualquer. Foi assim com Prince Caspian e de novo, agora, com Forgetting Sarah Marshall.

A implicância com Caspian era óbvia: havia detestado o primeiro filme e não tinha como eu gostar do segundo. Acertei em cheio. No caso de Sarah Marshall, o título e o fato de ser tachado de comédia romântica funcionaram em conjunto para me afastar. No avião, porém, vale tudo.

E, que bom, enganei-me. A implicância não era fundada e o filme merece ser visto pois é uma comédia inteligente, com boas atuações e excelentes piadas.

Trata-se da estória de Peter Bretter (o desconhecido mas excelente Jason Segel que atuou no também ótimo Knocked Up), um compositor de trilha sonora de seriado que namora - e é perdidamente apaixonado por - Sarah Marshall (Kristen Bell, conhecida de séries de televisão), atriz principal do show para o qual compõe as músicas. Ela é sexy e bela e ele efetivamente não acredita que ela pode estar apaixonada por ele. Obviamente, ela dá um pé na bunda nele e ele fica desesperado. Seguindo o conselho de um  amigo, ele parte para um resort no Havaí para esquecê-la mas dá de cara com Sarah e seu novo namorado roqueiro e doidão, no mesmo hotel.

A primeira metade do filme é de rolar de rir. Tive que me segurar para não gargalhar no avião e pagar mico. A segunda metade é a parte "romântica" mas que nunca é lugar comum ou simplista. O amigo que convence Peter a viajar, por exemplo, não vai com ele e fica dando conselhos via webcam em um laptop, junto com a chatíssima esposa. Peter faz os amigos mais insanos no hotel e, claro, encontra uma outra garota (a bela Mila Kunis de That '70s Show). Para se ter uma idéia da originalidade, o sonho de Peter é compor um musical sobre Drácula, usando marionetes e ele chega a cantar a canção principal do sonhado show - triste e com sotaque romeno, do Conde Vlad - em pleno bar havaiano...

Mas essa originalidade toda tem nome: Judd Apatow. Esse cara é o "cara". Produziu nada mais nada menos que muitas das melhores comédias dos últimos anos, tais como 40 Year Old Virgin, Anchorman, Talladega Nights, Knocked Up e Superbad. Produziu também o elogiado Pineapple Express que ainda não assisti. Está vindo aí com Ghostbusters 3. Vamos ver. Espero que continue com a qualidade que mostrou até aqui.

Nota: 7,5 de 10

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Mais um que se vai


Michael Crichton faleceu ontem, de câncer, aos 66 anos. Fiquei surpreso e triste. 

Surpreso pois não fazia idéia que ele tinha câncer. Triste pois eu gostava do cara. Talvez o livro "pop" que eu mais tenha gostado de ler seja Jurassic Park. Li antes do filme de Spielberg e simplesmente amei a estória e, principalmente, a ciência por trás dela. Quase xinguei Spielberg por ter mudado o sensacional final da estória mas acabei perdoando-o pelo assombro visual que foi o filme. 

Crichton sempre esteve na crista da onda tecnológica: falou de dinossauros ágeis e parecidos com pássaros logo quando as primeiras descobertas nessa linha estavam surgindo; viagem no tempo; nanotecnologia. Teve vários de seus livros adaptados para o cinema.

Ele próprio esteve muito envolvido com a indústria do entretenimento audiovisual, criando a famosíssima e ótima série E.R., roteirizando Twister, Westworld e vários outros filmes.  Chegou até mesmo a dirigir 8 filmes, incluindo o clássico e já citado Westworld. 

Fará falta. 

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Não conheço Minneapolis


É muito chato ir a um lugar e não conhecer o lugar. Foi o que aconteceu em Minneapolis. Estive lá ontem por menos de um dia, fiquei no hotel do aeroporto e só saí para visitar um cliente e para uma coisinha mais.

Essa "coisinha" foi o Mall of America. Se vocês pensam que o Barrashopping é grande, pensem novamente. O Mall of America é maior, muito maior. Nas suas esquinas, há as lojas de departamentos: Macy's, Bloomingdale's, Sears e Nordstrom. Só elas já são grandes o suficiente. No entanto, estou falando só das esquinas. Nas laterais, tem-se mais 520 lojas e restaurantes, basicamente todas as que existem nos Estados Unidos. No meio, há um parque de diversões. Mas não um parque meia boca. Um parque inteiro, com roda gigante e montanhas-russas (reparem o plural).

Tive que visitá-lo até porque o hotel ficava do outro lado da rua. Uma mostruosidade. Cansei só no primeiro andar. Eles alugam carrinhos de compras e tudo mais. Os hotéis tem transportes especiais de hora em hora para o Mall. É uma cidade nas imediações de Minneapolis.

Assim, acabei ficando sem ver Minneapolis. Tenho certeza, porém, que não perdi muita coisa...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Crítica de filme: Changeling (A Troca)

Triste pois parti de Los Angeles sem ver o novo filme dirigido por Clint Eastwood, que havia estreado no dia 24 em circuito limitado, cheguei em San Francisco e logo procurei saber se havia uma cópia por lá. Apesar de circuito limitado normalmente significar Nova Iorque e Los Angeles apenas, tive sorte que Changeling também estava passado em uma tela solitária em uma das cidades mais belas dos Estados Unidos.

Parti para o cinema esperando encontrar aquilo que achei dos últimos quatro filmes da batuta de Eastwood (Mystic River, Million Dollar Baby, Flags of our Fathers and Letter from Iwo Jima): primores de direção mas filmes deprimentes demais para eu realmente gostar. Vejam bem, Eastwood provou-se um dos maiores diretores vivos mas os filmes dele não fizeram aquele "clique" comigo. É uma questão de gosto apenas. Assim, tinha certeza que Changeling seria a mesma coisa.

E foi mais ou menos. Mas deixa eu explicar bem: o filme é tão deprimente como os outros quatro, a direção é sensacionalmente brilhante como os demais mas Changeling está, como os americanos dizem, "on a league of its own". Talvez junto com The Unforgiven, do mesmo diretor.

Changeling é ambientado na Los Angeles de 1928, quando o filho de uma mãe solteira trabalhadora (Angelina Jolie vivendo Christine Collins) desaparece sem qualquer explicação. O desespero e a recusa de esquecer o filho ao longo de 5 meses é retribuído com a maravilhosa notícia que o garoto foi achado e está chegando de trem. A polícia de Los Angeles havia feito um excelente trabalho investigativo. Acontece que, no momento em que o garoto sai do trem, a mãe diz que ele não é seu filho. Ela tem certeza disso, afinal, ela é mãe. A polícia, porém, tem certeza também que aquele é o filho dela. Laudos médicos são produzidos nesse sentido. É óbvio que a histeria da mãe tem relação com seu desespero ao longo de 5 meses. O mistério se prolonga e eu não posso dizer muito mais sob pena de estragar o filme.

A estória é sobre a podridão do ser humano em todos os seus sentidos e o amor de mãe, invencível e incansável. Angelina dá um show em sua interpretação. Ah, vale ainda dizer que a estória é real, o que a torna ainda mais desesperadora.

Mas o show mesmo é a direção de Eastwood. Esse senhor em avançada idade (78 anos!!!) dirige com um força e certeza que são raros de ser encontradas em outros diretores de hoje. Ele fez tudo em detalhes desde a escolha da paleta de cores que mostra o estado de espírito do filme até a trilha sonora que ele mesmo escreveu. Sua ambientação de Los Angeles na década de 20 é algo inacreditável. Cada detalhe, cada esquina parecem vivos como se tivessem sido filmados em locação. Para se ter uma idéia, a cena final, que mostra um cruzamento da cidade ao longo de vários minutos durante os créditos é, por si só, um tour de force maravilhoso, sem qualquer repetição de cena.

Definitivamente, Eastwood está no ponto mais alto de sua carreira. Seu próximo filme, Gran Torino, promete também ser muito interessante, pois é a estória de um veterano da guerra da Coréia (ele próprio) que vive em um bairro povoado de coreanos. Ele é racista e recluso. No entanto, ao ver injustiça, encarna a persona Dirty Harry e sai distribuindo bordoada. Vai ser bom ver Eastwood fazendo um cara durão novamente.

Que ele continue fazendo muitos filmes!

Nota: 9 de 10

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Música no carro

Em L.A., obviamente, tive que alugar um carro. A cidade, literalmente, não permite que você ande ou use o sistema público de transporte pois andar por uma cidade tão grande quanto essa é loucura completa e, além do mais, o transporte público cobre apenas parte da cidade e exige uma capacidade de entender mapas que eu, definitivamente, não tenho. Assim, nada como um carro (de preferência bem grande) com um GPS.


Dito isso, há os engarrafamentos. Contra os engarrafamentos, só mesmo música. Assim, comprei 4 CDs e coloquei na disqueteira do carro. São discos recentes e quero passar brevemente minha opinião sobre eles.


Disco 1 - R.E.M. - Accelerate



É o R.E.M. de volta à bela forma da época de Automatic for the People e Out of Time. Músicas sensacionais, agradáveis de se ouvir, que dão vontade de cantar junto. Valeu cada centavo do meu dinheiro. E esse disco ainda me deixou mais feliz ainda por ter comprado às cegas ingressos para o show do grupo no RJ em Novembro. Será uma excelente apresentação, tenho certeza.


Nota: 8,5 de 10



Disco 2 - Madonna - Hard Candy

Meus comentários acima sobre o novo disco do R.E.M. se aplicam também ao novo da Madonna, só que no universo do Bizarro, onde tudo é o oposto do que é no mundo normal... Porcarias de músicas eletrônicas, com mistura de hip hop e batucadas nojentas. Nada que lembre a Madonna original, de Like a Virgin. O show dela até pode ser bom mas certamente não será por causa desse disco.

Nota: 1,5 de 10

Disco 3 - Metallica - Death Magnetic

É o Metallica se esforçando para voltar às suas raízes de metal pesado e corrido, no estilo de Ride the Lightning. Não consegue, claro. Apesar de algumas canções nesse estilo, eles logo se socorrem de mais melodias que agradam todo o tipo de público. Mas foi uma boa tentativa, certamente anos luz à frente de Load e Reload...

Nota: 6 de 10

Disco 4 - Enya - Amarantine

Ok, esse disco não é novo. Foi lançado em 2005 mas é o último da Enya e comprei pois em 11 de novembro ela vai lançar outro, chamado And Winter Came.

Bom, eu compro Enya para escutar Enya, com toda aquela melodia estilo medieval que ela faz. Não tem muita novidade nesse disco. É mais do mesmo. Não prejudica nem enaltece sua discografia. Tenho medo que, se ela tentar algo diferente, se transforme numa Madonna Celta...

Nota: 7 de 10

Um pequeno tour pelos bastidores de um grande cinema

Levaram-me para fazer um passeio pela história do cinema El Capitan, de propriedade da Disney. Ele fica localizado na Hollywood Boulevard, em Los Angeles, em frente ao Hollywood & Highland (onde fica o Kodak Theatre, sede da noite do Oscar).

Trata-se de um cinema único e especial, que a Disney comprou junto com o Pacific Theatres (dono do Cinerama que discuti abaixo) em 1989 e restaurou ao seus mínimos detalhes originais de 1926, quando foi inaugurado. Isso quer dizer que a decoração é bastante brega, com detalhes dourados, papéis de parede coloridos e carpetes em tons de verde. Acontece que, para obter os incentivos fiscais para a reforma, a Disney teve que fazer o cinema voltar a ser como era em sua origem. Na década de 20, Charles Toberman, chamado de "pai de Hollywood", foi responsável pela construção de diversos cinemas, sendo que três deles eram especiais e temáticos, construídos junto com Sid Grauman. O El Capitan era um deles, junto com os também famosos Chinese e Egyptian Theatres. Obviamente, não eram cinemas em sua origem, mas sim teatros.
De 1926 a 1989 o El Capitan passou por diversas reformas, sendo pintado e repintado diversas vezes. Foi uma verdadeira escavação arqueológica o que a Disney fez pois tudo está de volta como era e, agora, 100% dedicado a dar a melhor experiência cinematográfica possível ao espectador. O grande diferencial do El Capitan não é que ele seja o cinema em que todos os lançamentos da Disney estréiam. Na verdade, a grande jogada é o oferecimento de algo a mais. Phil Collins cantou lá na abertura de Tarzan. Sting fez o mesmo no lançamento de The Emperor's New Groove. Só de curiosidade, o primeiro filme da Disney que estreou por lá depois da reforma foi o ótimo The Rocketeer.

No dia que visitei o cinema, estavam projetando A Nightmare Before Christmas em 3D. Caso não saibam, desde o lançamento desse filme há 15 anos, ele é reprisado por uma ou duas semanas logo antes do Halloween e, nos últimos 3 anos, foi convertido para o 3D. Vi 10 minutos e posso dizer que é sensacional.

Voltando ao cinema propriamente dito, antes da abertura dos filmes, um órgão dourado surge do chão e é tocado para a platéia. Senti-me como se estivesse assistindo ao Fantasma da Ópera. O orgão foi outra achado da Disney que o comprou das sobras de um outro cinema em San Francisco que tinha nada mais nada menos que 6 mil lugares (o El Cap tem 1.100)! Imagina só um cinema com 6 mil pessoas assistindo a um filme. Devia ser uma experiência impressionante. Pena que não existe mais. Depois, o orgão desce novamente e um show de cortinas (!!!) começa. É que, lá pelos idos de antigamente, a sofisticação de um teatro era medida pela quantidade de cortinas que tinha. O El Capitan tem 3, cada uma diferente da outra, sendo que a últimá é um show de luz digno de uma parada na Disneyworld.

O El Capitan é definitivamente um grande cinema mas, sem querer ser chato, empalidece diante do Cinerama Dome.

domingo, 26 de outubro de 2008

Tão real que dá medo


Sabe quando você assiste a filmes que não são nenhuma "Brastemp" mas que uma ou duas caracteristicas dele o faz ficar maravilhado, com vontade de repetir a dose?

Pois é, W. é um desses filmes.

Oliver Stone, seu diretor, já passou há muito da sua melhor era. Dirigiu obras-primas como Platoon, Wall Street, Natural Born Killers e The Doors. Dirigiu bons filmes como JFK, Born on the Fourth of July e Any Given Sunday. Depois, dirigiu a bomba Alexander e o mediano World Trade Center. Agora vem W., na categoria de mediano mas com aquela característica especial que o distancia um pouco dos outros medianos de Stone.

Se tem algo que Oliver Stone faz bem é escolher seus atores. Em The Doors, transformou Val Kilmer em Jim Morrison ao ponto que ficava difícil perceber que estávamos vendo um filme sobre Morrison mas SEM o cara. Essa mágica Oliver Stone fez novamente em W.

O filme conta a estória de George W. Bush, o atual presidente americano. Aborda o assunto em dois momentos: logo antes da invasão do Iraque e, em flashback, começa a contar os anos de Bush longe da política, ainda na faculdade. O primeiro diálogo é uma tirada de gênio pois é a cúpula do governo americano tentando nomear a trinca de países "do mal", até chegarem ao famoso Axis of Evil.

O brilhantismo dessa cena, porém, vai além do diálogo. É a oportunidade de Stone de mostrar todos os atores que escolheu para viverem os membros do governo e, também, seus posicionamentos políticos. Josh Brolin é George W. Bush assim como Val Kilmer era Jim Morrison em The Doors. Os trejeitos são perfeitos: aquele olhar idiotizado, a ignorância. Está tudo ali na atuação de Brolin, que merece um Oscar. Mas não pára por aí. Vejam só os nomes e os papéis:

Richard Dreyfuss - Dick Cheney
Scott Glen - Donald Rumsfeld
Thandie Newton - Condoleezza Rice
Jeffrey Wright - Colin Powell

A lista continua, mas esses quatro mais Josh Brolin formam o primeiro time e são sensacionais. Rice é mostrada como uma completa débil mental, que mal tem opinião. Cheney e Rumsfeld são retratados como radicais de direita, partidários da tese do "atire antes e pergunte depois". Powell, por outro lado, é mostrado como um homem inteligente e comedido, um verdadeiro gênio no meio de tantos imbecis.

Mas Bush é mesmo o ponto alto: o tempo todo ele é mostrado como um filhinho-de-papai que nunca fez nada na vida e que, de uma hora para outra, sem ter vocação, partiu para a política. Stone deve odiar Bush pois sempre que pode mostra o presidente comendo de boca aberta e falando, que nem um homem das cavernas.

Essas assombrosas semelhanças dos atores com as pessoas reais e o hábito repugnante do presidente em comer mostrando a comida também "jogam" contra o filme pois um assunto que é sério acaba virando uma comédia. É impossível não gargalhar com Bush atacando um sanduíche na Casa Branca enquanto Cheney mal consegue tocar na comida de nojo. Acho que foi essa a intenção de Stone mas o filme acaba oscilando entre um drama e uma comédia, sem muita definição, talvez até retratando com fidelidade a vida como ela é mas que, para um filme, fica um pouco estranho.

O certo é que cada um dos atores desse filme merece aplausos de pé por encarnarem tão bem seus papéis. O filme fica em segundo plano.

Nota: 7 de 10

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Estrelas e mais estrelas


Sobre Appaloosa eu não sabia quase nada. Vi um poster e percebi que era um Western. Olhei mais de perto e reparei no elenco:

- Ed Harris

- Viggo Mortensen

- Jeremy Irons

- Lance Henriksen

- Renée Zellweger

Definitivamente, era um grande elenco. Bem, talvez com exceção da eterna Bridget Jones, que tem uma cara tão idiota que não consigo levar muito a sério. Mas os demais, sem dúvida grandes atores. E a direção, vocês hão de me perguntar? Do próprio Ed Harris, que já se dirigiu em Pollock.

Isso foi suficiente para que eu entrasse às cegas no cinema. Sempre gostei de Westerns e gosto muito dos atores listados. É interessante como os "filmes de cowboy" conseguem reunir super-elencos. Essa expansão para o oeste americano deve realmente repercutir fundo no subconsciente coletivo americano pois os atores são levados à esse gênero de filme como abelhas ao mel (na verdade ao pólen mas o ditado diz ao mel e quem sou eu para alterá-lo?).

Vejamos a safra "nova" de filmes desse gênero: (a) Silverado, talvez o primeiro da geração recente, tinha Kevin Costner, Danny Glover, John Cleese, Kevin Kline, Jeff Goldblum, Rosanna Arquette e Brian Denehy; (b) Unforgiven tinha Clint Eastwood, Gene Hackman, Morgan Freeman e Richard Harris; (c) 3:10 to Yuma (o recente) tinha Russell Crowe e Christian Bale e (d) Tombstone tinha Kurt Russell, Val Kilmer, Sam Elliott, Bill Paxton, Charlton Heston e Powers Boothe. É, deve ser um fetiche fazer ao menos um filme de cowboy na carreira cinematográfica de atores estabelecidos.

Bom, estou divergindo. Voltemos a Appaloosa. O filme conta a estória (narrada por Viggo) de Virgil Cole (Harris) e seu parceiro Everett Hitch (Viggo) que são chamados para impor a lei em uma cidade (Appaloosa, claro) dominada pelo rico fora-da-lei Randall Bragg (Jeremy Irons) que fuzila o xerife local e seu dois ajudantes. A jogada é que Cole e Hitch só atuam de uma forma: tudo o que eles dizem ou fazem tem que se tornar lei na cidade, senão eles dão as costas e vão embora. Assim começa o embate entre eles, a cidade e Bragg.

Mas a estória tem um tom de autocrítica com Cole vivendo um homem durão que tenta ser refinado. Ele sempre lê livros e tenta usar palavras difíceis que ele não conhece ou não consegue pronunciar e Hitch - "naturalmente" culto - o ajuda sempre. No meio da bagunça, chega Allison French (vivida adivinha por quem) que acaba formando um curios triângulo amoroso com Cole e Hitch.

O filme é sobre lei e poder e, claro, o abuso de poder mas, sobretudo, é sobre amizade. Definitivamente não é um filme de tiroteio como se pode esperar. Está muito mais para Unforgiven e Tombstone do que para filmes efetivamente de ação. Ed Harris tem uma direção segura e as paisagens do Novo México emolduram bem sua obra. A dupla principal tem ótima química e passa completa segurança ao espectador. Zellweger foi mal escalada em minha opinião, pois ela parece uma boneca de porcelana, completamente diferente da mulher que ela interpreta. Mas o maior pecado da fita - assim como o de muitos filmes atuais - é ser um pouco longo demais.

De toda forma, vale ser visto.

Nota: 7,5 de 10

domingo, 19 de outubro de 2008

Crítica de filme: Max Payne

Não conheço todos os cinemas do mundo mas posso garantir que não existe um cineplex melhor do que o Arclight Cinemas, especialmente quando se assiste algum filme no chamado The Dome.

Para quem não conhece, a rede Arclight é uma rede modesta de cinemas feita para aquelas pessoas que realmente gostam de apreciar um filme em tela grande. Eles passam não somente os grandes blockbusters como, também, filmes de arte e reprises especiais de grandes filmes antigos. Para usar como exemplo, em Novembro agora, para comemorar o trabalho de Paul Newman e em homenagem ao grande ator que ele foi, a rede Arclight passará vários filmes dele em sessões únicas, ao longo do mês. Eles mostrarão Butch Cassidy and the Sundance Kid, Cool Hand Luke, The Hustler, entre outros. No lado blockbuster de ser, o Arclight, em outubro, em virtude do lançamento de Saw V, fará uma maratona dos outros quatro filmes da série. Em suma, tem para todos os gostos.

Mas não é só isso. A rede Arclight não passa anúncios, somente trailers. Só permite a entrada de espectadores até logo antes do início da sessão, nunca depois de ela começar. As salas são no estilo black box (totalmente escuras), têm formato stadium e cadeiras muito confortáveis. Tem algumas sessões que são para maiores de 21 anos (independente do tipo de filme, o objetivo é não ter criança "atrapalhando") com direito a drink e tudo. E a cereja em cima do bolo é o The Dome, um domo enorme, com uma tela arqueada feita originalmente para passar filmes no forma Cinerama (daí o grande logotipo da Cinerama na frente do local que vocês verificam na foto). Lá eles mostram os grandes blockbusters, como The Lord of the Rings, Spider-man e outros.

Por tudo isso, a rede cobra um ou dois dólares a mais que uma rede de cinemas comum mas podem ter certeza que esse valor premium mais do recompensa a experiência.

Foi lá que assisti um filme ontem: Max Payne.

O filme é o segundo filme desse ano tendo como estrela principal o Mark Wahlberg. O primeiro foi o estranho The Happening, dirigido pelo Shyamalan.

Acho que o ex-"Marky Mark and the Funky Bunch" não está com muita sorte para filmes depois que o fez o magistral The Departed, em um papel pequeno mas memorável.

Max Payne é uma adaptação de um videogame com o mesmo nome. Nunca o joguei mas o grande "tchan" do jogo é ser quase como um filme em sua movimentação de câmera e fazer o uso do "bullet time", criado para o filme Matrix. Pelo que sei, o jogo, e sua continuação, foram grandes sucessos de venda.

O filme conta a estória de Max Payne (Wahlberg) que ficou psicologicamente perturbardo (e quem não ficaria) após os cruéis assassinatos de sua esposa e de sua filhinha recém-nascida. Três anos se passaram e ele agora está na divisão de "Cold Cases" da delegacia, sempre investigando a morte de sua família. O que ocorre é que Max chegou em casa no momento do crime, matou dois criminosos mas um escapou pela janela. A incessante busca pelo terceiro homem fez com que Max chegasse ao fundo do poço, tornando-o um pouco louco. Ao esbarrar em um pista, encarnada por Natasha (Olga Kurylenko em uma ponta - ela fez a prostituta em The Hitman, outra adaptação de videogame e será a Bond Girl em Quantum of Solace), Payne descobre uma trama envolvendo drogas e muitas mortes que, no final das contas, ora, ora, quem diria, tem relaçao com a morte de sua esposa.

Os problemas do filme começam com a trama furada. Max Payne passou três anos dedicado ao estudo da morte de sua mulher e nunca, em momento algum, desconfiou da pista mais óbvia de todas: a tatuagem de asas no braço de um dos assassinos de sua família. Lembram em séries como CSI e outras de detetive que a tatuagem sempre leva ao assassino? Pois é: aparentemente Payne nunca assistitiu esses seriados. A trama continua capenga com mortes sem razão de ser e resoluções imbecis.

Mas o pior é a direção, ou melhor, o exagero na direção. John Moore (que, antes, dirigiu a refilmagem de The Omen que não tive o desprazer de ver e o mediano Flight of the Phoenix) começa bem, com a escolha de uma paleta de cores escura, tendendo quase para a ausência de cores. O filme, com isso, ganha visuais depressivos que mostram bem o estado de espírito de Payne. Ao mesmo tempo, permite uma bela fotografia. No entanto, o que ele fez de bom pára por aí. O resto são usos indevidos de câmeras lentas, closes e travellings que irritam o telespectador. Em determinada cena, Payne se joga de costas atirando com sua Doze. O momento é hilário tamanha foi a estilização que o diretor impôs. Todo mundo no cinema riu. Para que isso???

Ah, o filme tem também Beau Bridges e um evelhecido Chris "Robin" O'Donnell no elenco. Ou eles precisavam muito de trabalho ou a produção pagou muito bem pois vá escolher mal roteiros para atuar assim lá no inferno...

Acho que Max Payne só deve ser interessante - ou não, sei lá - para os fãs do jogo. No final das contas, a única coisa "boa" do filme é Olga Kurylenko, o que não é suficiente para compensar o preço do ingresso...

Sei que 90% dos críticos brincarão com o título do filme mas eu não resisto: dói assistir Max Payne.

Nota: 3 de 10