segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Ah, se eu tivesse dinheiro sobrando...

Às vezes eu esbarro em coisas na internet que dá vontade de sacar o cartão de crédito e sair gastando. Quando vi isso, quase caí para trás.

Vejam bem, tenho filhas pequenas e logo imaginei como seria bacana ter esses móveis malucos nos quartos delas. Evidentemente, uma breve olhada na etiqueta de preço me fez voltar ao planeta Terra.

De toda forma, são muito bacanas e, como podem ver, todos baseados na loucura do mundo criado por Lewis Carroll.

Um olhar original

Ernesto "Che" Guevara foi e continua sendo uma lenda. Não compartilho de seus ideias - longe disso - e detesto ver sua imagem sendo explorada por todo revolucionariozinho imbecil da América Latina.

Por isso relutei muito para assistir Diarios de Motocicleta. Errei. Mas consertei o erro agora.

Walter Salles fez um filme muito bonito que independe do mito de "Che". Sim, claro, é uma espécie de viagem pelo auto-conhecimento e vemos as raízes românticas para as atitudes do futuro "revolucionário". No entanto, o filme é mais do que a estória de "Che" Guevara. É um belo passeio pela América Latina no ano de 1952, passeio esse que excluiu o Brasil, como se ele nem mesmo existisse.

Imagens belíssimas permeiam diálogos bem feitos e uma estória linear mas eficiente. Gael García Bernal, ótimo ator, ajuda o diretor a retirar o estigma de "Che" do personagem "Che". Ele afasta a estória do mito e nos coloca próximo do homem, ainda sem quaisquer ideais. O grande amigo de "Che", Alberto Granado (vivido por Rodrigo de la Serna), é quem impulsiona a viagem, sempre empolgado e oferece muitos comic reliefs.

Qualquer um que conseguir se despir do preconceito de um "filme sobre Che", deveria ver Diarios de Motocicleta.

Nota: 7,5 de 10

sábado, 9 de agosto de 2008

Gente sem tempo faz a alegria de gente como eu

É impressionante ver a dedicação de determinadas pessoas. São pessoas que ou são mestres em organizar o emprego de seu tempo ou são desocupados com muito dinheiro. Em ambas as opções, costumam ser no mínimo nerds, não que eu veja algo ruim nessa qualificação. Ela é o que é e eu sou um pouco nerd também, com orgulho. Gostaria de ter o tempo que alguns desses têm. Eu não tenho mas, ao menos, posso apreciar o trabalho deles.

Escrevi o parágrafo acima para prenunciar o site de um excelente maluco que tem como hobby - ou profissão, não sei - criar versões alteradas em bonecos de personagens famosos do cinema, especialmente da série Star Wars. O referido site é este.

Vejam especialmente as action figures Steampunk Star Wars e Steampunk Empire Strikes Back. São brilhantes!

Bom, não estou com tempo de fazer um comentário muito longo. Divirtam-se.

Crítica de filme: Alien vs Predator - Requiem

Não há nada mais irritante do que continuações inúteis de filmes. Bom, pelo menos não havia. Descobri que mais irritante que isso são continuações inúteis de filmes ruins. Isso é que o é AVPR (sigla ridícula para Alien v Predator: Requiem), dirigida pelos inábeis Brother Strause, uns diretores Zé-Ninguém.

AVP até que era um filminho divertido, com clara conexão com os clássicos de Ridley Scott e James Cameron (principalmente desse último). Era aquela pancadaria básica, no meio do nada e pronto, tudo acabava bem (ou mal, dependendo do seu ponto de vista) e a mitologia dos monstros permanecia mais ou menos intacta.

AVPR é ruim não só tecnicamente mas, também, por pisotear a estória dos classicos que o originou. Aqui, temos um Predalien, que foi o legado de AVP, como ponto focal. O nascimento desse bicho faz com que a nave que o carrega caia na Terra, bem na floresta vizinha à uma cidade perdida no Colorado. Junto com a nave cai um Predator semi-vivo, cujas únicas funções são mandar um pedido de socorro ao seu planeta natal e morrer. Alguns vidros com Facehuggers vivos se quebram e eles fogem pela floresta felizes da vida, junto com o Predalien.

No planeta natal dos caçadores interplanetários, um Predator metido a gostoso vai sozinho tentar resolver a "parada". Por alguns segundos, vislumbramos o planeta natal dele, que mais parece um daqueles conjuntos habitacionais da CEHAB... Bom, o bicho chega na Terra e trata de apagar quaisquer traços da nave de seu compatriota. Enquanto isso, os Aliens se reproduzem que nem coelhos...

Aí começa a palhaçada de verdade. O Predalien é, também, uma rainha que, para por ovos, cospeo-os pela boca diretamente para a boca das pessoas. A fase do Facehugger é convenientemente eliminada. Por sua vez, o Predator que vem caçá-lo nem de longe lembra aquele outro que fez o Governator cortar um dobrado para matá-lo. O bicho desse filme só usa o manto de invisibilidade quanto não tem ninguém olhando. Quando tem, ele faz questão de desligá-lo... Da mesma forma, ele toma enormes cuidados para apagar todos os rastros de morte deixados pelos Aliens mas, ao se deparar com um policial, mata-o, tira sua pele e o pendura em uma árvore para todos verem. Seria um Predator perfeito para fazer uma trinca com Jim Carrey e Jeff Daniels em Dumb & Dumber. Ele poderia ser o "Dumbest".

Continuando a destruição dos mitos criados pelos filmes anteriores, os diretores de AVPR se esquecem do tempo de gestação de um bebê Alien e que só nasce um de cada hospedeiro. Nesse arremedo de filme, os Aliens nascem que nem coelhos - uns 5 de cada barriga - e crescem quase que instantaneamente. Além disso, todos - com exceção do Predalien - têm instinto assassino enquanto que, nos filmes originais, ou o instinto era de sobrevivência do tipo "matar ou morrer" ou do tipo "tenho que permitir a reprodução levando esses hospedeiros fresquinhos para a rainha".

Bom, ultrapassadas essa questões, vale dizer que eu me lembro vagamente de ter visto alguns humanos "heróicos" nesse filme... Tem um gostosão marginal, seu irmão abobalhado, a gostosa da cidade, o valentão imbecil e uma mulher que acabou de voltar da guerra do Iraque (esse foi o momento em que o roteirista achou que estava abafando e sendo cool).

Por fim, vale falar dos efeitos especiais. No entanto, o problema é que não tenho muito o que dizer pois tudo se passa no escuro, com chuva e tem cortes rápidos. Só dá para reconhecer o Predator pelo sangue fosforecente e o Predalien pelos dreadlocks idiotas. Aquele filme amador Batman: Dead End tem Predators e Aliens MUITO mais convincentes...

Em suma, o filme não presta para nada. Mesmo para aqueles que porventura tenham adorado AVP, sugiro que fiquem distantes de AVPR. Terei que rever Alien e Aliens umas 5 vezes seguidas cada para apagar da minha mente essa idiotice.

Nota: 0 de 10

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Club du Film: Pinocchio e Nosferatu

Toda semana eu e mais três amigos nos reunimos para ver um filme contido na lista de 100 do Roger Ebert no livro The Great Movies. Estamos há quase 3 anos nessa brincadeira e decidimos que acabaremos na penúltima semana desse ano, quando os 3 anos efetivamente completar-se-ão.

Para isso, ontem, decidimos assistir dois filmes de uma vez e escolhemos os dois mais curtos. Resultado: vimos Pinocchio e Nosferatu back-to-back. Não faz nenhum sentido, eu sei, mas foi divertido. Já tinha visto Pinocchio umas 10 vezes antes mas ver com amigos é mais divertido pois todas os comentários sobre as conotações pedófilas, atitudes gays e o quanto a Fada Azul é jeitosinha saíram... Foi, definitivamente, uma outra forma de assistir ao desenho do narigudo mais famoso do cinema.

Nosferatu - o do mestre F.W. Murnau, não o do Herzog - é um filme sensacional. É o precursor dos filmes de monstro e vampiros. A atuação de Max Schreck como o narigudo Count Orlock é inacreditável e o trabalho do maquiador foi sensacional, criando uma das mais horripilantes encarnações do bom e velho Dracula. A iluminação cria uma atmosfera aterradora, muito diferente dos sustos baratos dos filmes de terror atuais. É muito bacana imaginar como deve ter sido a reação da pláteia lá pelos idos de 1922, quando esse filme foi lançado.

O único senão - que não levo em consideração em minha nota abaixo - é a versão do filme que assistimos: algum cretino resolveu colocar como trilha sonora desse filme (que é mudo) músicas cantadas do grupo de rock Type O Negative. Nada contra o grupo mas a trilha não tem nada a ver com a atmosfera macabra do filme e fiquei com vontade de socar o responsável por essa mutilação cinematográfica. Sorte que eu já tinha assistido o filme com uma trilha bem mais satisfatória...

Nota de Pinocchio: 8 de 10

Nota de Nosferatu (descontando a trilha imbecil): 9 de 10

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Crítica de filmes: Buñuel

A cada filme que vejo do diretor espanhol Luis Buñuel, mais fascinado fico.

Há muitos anos vi Belle de Jour e considerei um dos mais sensacionais filmes que havia visto e isso sem nem saber quem foi Buñuel.

Há pouco tempo - uns 2 anos - passei a, vagorosamente, tentar ver tudo que ele fez. Ainda estou longe de ver os 34 filmes que ele dirigiu entre 1929 e 1977. No entanto, os sete filmes que vi são brilhantes. A única gradação que existe para eles são "muito brilhantes" e "menos brilhantes", como se fosse A+, A e A- em um prova.

Un Chien Andalou, primeiro filme dirigido por ele, em parceria com Salvador Dalí (!!!) é genial em todos os seus 16 minutos de surreal duração. Não tem como explicar, só vendo para crer (não propriamente para entender).

Ensayo de un crímen é a estória de um serial killer contada pelo próprio, em flashback. Só a mente do diretor para bolar algo tão sensacional!

Los Olvidados é um seríssimo filme sobre "juventude transviada" no México. Há claras e fortes denúncias sociais, mostrando a capacidade camaleônica do diretor.

Abismos de Passión é um ensaio fervoroso sobre amor e ódio.

Belle de Jour narra a famosa estória de uma linda mulher da alta sociedade que, à tarde, se prostitui. Doentio mas inacreditavelmente sensacional.

El Angel Exterminador é a surreal estória de convidados para um sofisticado jantar que, por uma inexplicável razão, não conseguem sair da festa. Só vendo para conceber.

Viridiana é uma virulenta crítica à Igreja Católica (algo que, aliás, ele deixa permear por todos os seus filmes) capitaneada pela futura freira que dá nome ao filme. Ela visita seu tio, logo antes de "entregar-se a Deus" e ele tenta estuprá-la mas desiste e, em seguida, se mata, iniciando a segunda parte de uma estória que só vai ladeira abaixo. A cena final - do jogo de cartas - é simplesmente perfeita.

Continuarei na luta para tentar completar a filmografia desse gênio da Sétima Arte e, como ele está em uma categoria acima, não vou nem me dar ao trabalho de dar notas aos seus filmes.

sábado, 2 de agosto de 2008

Crítica de filme: Rambo

Em um belíssimo país coberto por florestas, uma aventura romântica se inicia.

Ele, um velho e solitário sábio, cansado do que o mundo fez - ou deixou de fazer - por ele. Ela, uma bela e inocente mulher, em missão humanitária. Os dois se encontram no mais improvável lugar e iniciam um lindo amor platônico que, claro, só poderia acabar em catástrofe.

Quando o mundo ao redor dela acaba, junto com toda sua inocência, cabe ao velho sábio sair de sua reclusão e colocar as coisas em perspectiva, demonstrando seu verdadeiro id. As cenas de beleza onírica, tracejada pela beleza lírica natural do local, são extremamente bem executadas, com generosos closes em cenas cortantes e poderosas.

Tudo isso, claro, com a vantagem de servir de pano de fundo para uma denúncia social, de grave crise humanitária. O final nos deixa com lágrimas nos olhos e faz referência à um clássico do cinema oitentista.

Ah, esqueci de informar o nome do velho sábio que sai de sua reclusão e é obrigado a mostrar sua verdadeira natureza: John J. Rambo...

Nota: 8 de 10

Crítica de show: Joe Satriani no Rio de Janeiro

Perdi a conta de quantas vezes assisti shows do Joe Satriani, sozinho ou formando o G3. Deve ser maluquice minha mas o cara é muito cool.

Na quinta-feira, dia 31 de julho, fui novamente vê-lo no Citibank Hall, ex-Claro Hall, ex-Metropolitan. O show estava marcado para às 21:30h e começou atrasado... 2 minutos apenas! Pontualidade britânica.

Por 2 horas e 15 minutos, o mestre nos brindou com seus sucessos e muitas de suas músicas do mais recente disco, que tem um nome excelente: Professor Satchafunkilus and the Musterion of Rock. Ele tocou até mesmo músicas de quando eu tinha 20 aninhos (ou seja, de 15 ou 16 anos atrás): a louca mas elétrica The Time Machine e a melosa mas bonita Cryin'.

O Citibank Hall - que não estava lotado mas também não estava vazio - veio abaixo com os grandes sucessos de Joe, com o show de baixo de Stuart "STUUUUU" Hamm e a poderosa bateria de Jeff Campitelli.

Que venham o Joe e sua turma novamente!

Nota: 8 de 10

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Crítica de filme: Journey to the Center of the Earth (Viagem ao Centro da Terra)

Pelo menos de uma coisa Hollywood não pode ser acusada: de ficar parada esperando a pirataria tomá-la de assalto. Não que eles estejam fazendo muita coisa para mudar seu método de fazer negócio mas, diferente da indústria fonográfica, que demorou mais de 10 anos para começar a pensar em fazer alguma coisa, Hollywood ao menos se movimentou mais rápido e está tentando mudar o panorama. Uma dessas tentativas - e das mais divertidas - é o renascimento da tecnologia 3D, aquela mesma dos anos 50.

A diferença, agora, é que não estamos lidando com aqueles óculos de lentes coloridas, mas sim algo bem mais confortável, os chamados óculos polarizados. A tecnologia de filmagem também avançou e ver um filme todo em 3D já não é mais um problema.

Viagem ao Centro da Terra é o primeiro filme live action em 3D depois do recente revival da tecnologia que somente tem razão de ser para se dar uma experiência aos espectadores que a pirataria não pode proporcionar. Ele é live action em termos pois são 3 atores atuando em frente a uma tela verde quase o tempo todo, para posterior inserção de cenários e efeitos digitais.

Brendan Fraser faz o professor de geologia (ou algo do gênero) que é odiado pelo sobrinho mas os dois têm que ficar juntos por alguns dias enquanto a mãe do garoto vai arrumar sua vida no Canadá. O descaso do garoto pelo tio desaparece em 2 segundos e ambos partem para uma aventura na Islândia, para encontrar o pai do garoto e acabam esbarrando em uma bela garota montanhista. Não vale nem tentar explicar o fio de estória que segura o filme. Esqueçam a trama pois é algo sem importância. O bacana, aqui, são os efeitos, que certamente divertem a garotada. Para os adultos, não sobra muita coisa senão ficar de cabelo em pé pelas "liberdades" que o roteirista tomou com a estória clássica de Jules Verne.

De toda forma, vale a experiência - cara, diga-se de passagem - de receber umas duas ou três cusparadas, de desviar de piranhas gigantes e outras coisinhas. Nada que quem já tenha ido à Disney não tenha visto (e em 4D, que é mais legal ainda).

Fico imaginando o que James Cameron pretende com Avatar, um filme que é para ser sério e totalmente filmado em 3D. Sinceramente, não consigo levar muito a sério filmes em 3D mas é James Cameron, o cara que nos trouxe Alien e Terminator, além de ser o diretor do filme que mais faturou na estória do cinema (se não levarmos em conta a atualização monetária, claro). Ele merece um crédito.

Nota: 3 de 10

terça-feira, 22 de julho de 2008

Crítica de filme: Be Kind Rewind (Rebobine, Por Favor - Uma Locadora Muito Louca)

Esse Michel Gondry é completamente aloprado.

Adorei Eternal Sunshine of the Spotless Mind (sou, talvez, o único entre todos os que conheço que efetivamente gostou desse filme) e não consegui não gostar de The Science of Sleep, vamos dizer assim.

Assisti hoje Be Kind Rewind e, novamente, adorei. A premissa é muito original e completamente fantástica: Jack Black, no papel de Jerry, tenta sabotar uma "power plant" e fica magnetizado. Ao entrar na locadora que está momentaneamente aos cuidados de seu amigo Mike (Mos Def), ele desmagnetiza todo o acervo de fitas VHS. Trata-se de uma pequena locadora de bairro, em prédio condenado, de propriedade de um senhor (Elroy Fletcher, vivido por Danny Glover) que não consegue se adaptar aos novos tempos (nem sabe o que é um DVD...).

Sem saída, Mike e Jerry partem para "suecar" os filmes. Suecar significa refilmar um filme da forma mais crua e amadora possível. Começam com Ghostbusters, passam para Rush Hour 2 e, quase que instantaneamente, encantam a cidade com seus curtas de 20 minutos totalmente suecados.

A originalidade do diretor é inacreditável. Seus personagens suecam Robocop, King Kong, 2001, Men in Black e uma variedade de outros filmes. O pessoal da cidade começa a participar - como atores - e o negócio prospera.

É um daqueles filmes que só a premissa já vale o preço do ingresso ou, no caso, da taxa de locação já que as chances dele passar no cinema no Brasil são, digamos, inexistentes, para usar um "eufemismo"...

A execução é brilhante e a estória vai bem ao ponto até de perdoarmos o final meio "sentimentalóide". Prestem atenção nos detalhes das filmagens suecadas de 2001, em que o Pod da nave é uma geladeira; de King Kong em que a frente de um caminhão de brinquedo serve de máscara de gorila; de Carrie em que um balde de geleca é o sangue que cai em "Sissy Spacek" e muitos outros. Outro detalhe que vale atenção é a descrição de um loja "moderna" de locação, segundo a visão do velho Elroy ao "espionar" o concorrente: funcionários que não sabem nada, quantidade no lugar de variedade, nada de filmes antigos e cults etc.

Enfim, é uma boa crítica sobre velhos valores versus novos valores, especialmente dedicada aos amantes do cinema.

Bem que a produtora - New Line - poderia lançar em DVD todos os filmes suecados da dupla e mais alguns outros que são apenas indicados no filme mas que não aparecem de verdade (até Lord of the Rings!). É verdade que tudo está no site do filme (www.bekindmovie.com) e no Youtube mas tenho preguiça de ver na telinha do computador...

Nota: 8 de 10

sábado, 19 de julho de 2008

O filme infilmável (ou não?)

Ontem fiz o download do trailer de Watchmen e o assisti umas 10 vezes. Não costumo fazer críticas de trailers apenas mas queria fazer apenas um comentário: duvido muito que Zack Snyder consiga fazer um filme à altura da mais importante HQ já escrita.

E olha que eu gosto muito desse diretor, especialmente depois de 300. No entanto, 300é uma estória linear, óbvia, sem nenhuma complexidade. Foi apenas um exercício estético que Snyder fez - muito bem - e transpôs para a tela aquilo que a galera queria: sangue e valentia.

Watchmen é um animal muito, mas muito diferente. O mais complexo filme de super-herói, o recente e sensacional The Dark Knight, não é nada comparado com Watchmen. A HQ, de 416 páginas, é o Ulysses dos quadrinhos. Quase infilmável. Talvez fosse melhor deixá-lo como quadrinhos apenas...

Mas, tudo é possível. O trailer é uma compilação de imagens que reproduzem com exatidão diversos trechos importantes da estória, como a morte do Comediante (isso só é spoiler para quem não faz a menor idéia do que estou falando) e a contrução do palácio de cristal em Marte pelo Dr. Manhattan. De fundo, temos uma música do Smashing Pumpkins, a mesma que foi apresentada ao mundo por meio do filme Batman and Robin, uma das obras cinematográficas mais execráveis da face da Terra. Isso Snyder fez de propósito pois faz sentido para a crítica de Watchmen aos super-heróis. Para quem gosta de Watchmen, o trailer é muito bom. No entanto, qualquer pessoa que não tenha lido a HQ não entenderá absolutamente nada do trailer e essa alienação pode forçar o diretor a alterar tanto a estória para agradar uma platéia alheia ao fato de que é um filme baseado em uma graphic novel, que tudo perderá o sentido. O filme arrisca se tornar um filmeco hollywoodiano.

Espero que não. Torço muito para que não.

De toda forma, estarei lá, na porta do cinema, no dia que estrear no Brasil, para o bem ou para o mal.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Crítica de filme: Dark Knight (Batman - O Cavaleiro das Trevas)

Tive a oportunidade de assistir The Dark Knight. A Warner fechou o Cinemark Downtown e projetou o filme nas 12 salas nessa segunda-feira. Foi uma grande festa, com direito até a alguns palhaços vestidos de... bem, palhaços...

Mas vamos ao que interessa.

Esse é o melhor filme de super-herói já feito. Não, apaga isso. Esse é o melhor filme de ação noir já feito. Não, apaga isso também. Vou imitar aqui alguns críticos que já viram o filme: esse filme é The Untouchables, trocando Eliott Ness por Batman/Bruce Wayne e Al Capone pelo Coringa. É um clássico instantâneo, muito superior a Batman Begins e milhares de anos luz à frente das versões de Tim Burton (considero as versões de Joel Schumacher inexistentes para todos os efeitos). É disparado o melhor filme de super-herói já feito mas também é disparado o melhor filme de ação/crime dos últimos anos.

Assistam e regozijem-se e isso vale para os fãs e para os não fãs de filmes de filmes de super-heróis em geral e de Batman em particular. Há um único porém: talvez seja um pouco longo demais mas a qualidade é tão boa que eu, sinceramente, ficaria mais uma hora e meia assistindo. Com poucos efeitos digitais e muitos efeitos no estilo antigo, Nolan trouxe um novo ar aos filmes do gênero. Trouxe também uma estória "pé no chão", sem bandidos que dependem de gases alucinógenos ou que são super-ninjas como em Batman Begins (não que esse filme também não tenha sido excelente mas é que ele empalidece diante de The Dark Knight).

Parece que Nolan se desprendeu de eventuais amarras impostas pelo estúdio em sua primeira criação do homem morcego e partiu para um filme "dark", pessimista, nihilista e, por isso mesmo, tão verdadeiro e atual.

Batman é um homem apenas que faz o bem de sua forma. Harvey Dent é o promotor idealista. Essa bondade toda, e todos os personagens que ajudam nesse time - Rachel e Jim Gordon - não são nada comparados à maldade pura representada pelo Coringa.

Lembram-se do Coringa de Jack Nicholson? Lembram de como todos acharam que ele roubou o filme do próprio Batman (e com razão, aliás)? Pois bem, Heath Ledger é a versão putrefata, mortal, verdadeiramente maligna do mesmo personagem. Nicholson foi muito bom mas Heath Ledger É o Coringa. Ledger conseguiu realmente uma façanha impressionante: criou um personagem asqueroso que simplesmente não pode ser derrotado por Batman nem por ninguém. Fico realmente com medo de imaginar o que Heath Ledger criaria se não tivesse falecido tão jovem (um Oscar póstumo é algo realmente a se pensar). Para fins de comparação, esse Coringa está no nível de crueldade do Coringa da HQ seminal The Dark Knight Returns.

Todos os momentos com o Coringa de Ledger são um prazer para os sentidos. A maquiagem borrada e realista, a horrenda cicatriz no rosto, os trejeitos corporais, a voz com altos e baixos falando frases sensacionais, a língua inquieta em sua boca como que toda hora passando saliva na cicatriz. Um ser realmente horripilante, muito mais horripilante que um homem fantasiado de morcego, posso garantir. O Coringa é a antítese de Batman e esse talvez seja o ponto do filme: todo o herói precisa de um vilão para se justificar. Sem o mal não há o bem (algo que não é tratado dessa maneira assim tão óbvia, claro). Nolan trata dessa questão de diversas formas, inclusive com o vilão Duas Caras cuja maquiagem é impressionante.

Vai ser difícil Nolan - ou qualquer outro diretor - fazer Batman 3 (ou qualquer outro filme do gênero melhor que esse mas eu pago um bom dinheiro para ver ele tentar.

Um detalhe final para quem tem filhos: apesar do filme não ter sangue, a temática é muito adulta e as discussões muito profundas para os pequenos apreciarem o filme. Na verdade, o Coringa os fará ter pesadelos por muitas noites. Realmente não é recomendado para eles.

Nota: 10 de 10

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Crítica de Filme: Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull (Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal)

Estava eu aqui em Berlim a trabalho quando, coincidentemente, descobri que meu hotel ficava em frente a um Cineplex. Melhor ainda, um Cineplex que só passa filmes nas respectivas línguas originais (não em alemão dublado). Ainda por cima, haveria uma premièrere de Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull (Indiana Jones und das Königreich des Kritallschädels para quem se interessar no título daqui...).

Obviamente, não resiti e comprei dois ingressos por 7 Euros, com direito a uma garrafa de cerveja cada um (isso se eu bebesse, claro)...

Bom, o Cineplex era muito bacana e a sala, enorme, com direito a cortina vermelha abrindo e fechando e tudo. Depois de 30 (sim, 30) minutos de anúncios e trailers e de um cara chato vendendo sorvete antes de começar o filme (o problema com a Europa são as "pequenas diferenças", como vocês devem saber), o mais esperado filme do ano começou.

Chega de enrolação. Vocês devem estar perguntando: é bom ou não é?

Sim, é muito bom. Não ouçam os críticos sérios e insurpotáveis que analisam Indiana Jones como se fosse Cidadão Kane (e, no gênero aventura, é mesmo). Senti-me de volta aos anos 80, no espírito dos filmes de aventura daquela época. Não há nada de errado no filme. Poderia ser o quarto filme sendo lançado poucos anos depois do sensacional Last Crusade.

Volta Harrison Ford, que entra no filme de forma muito original aliás. Volta Karen Allen como Marion Ravenwood. Voltam o chicote, o casaco de couro, o chapéu, as piadinhas, as acrobacias improváveis e os cenários surreais. Voltam, assim, o que era bom e o que Hollywood havia esquecido nessa era de efeitos digitais. Não é que não haja efeitos digitais: há muitos mas todos funcionando para o filme e não escravizando-o.

Shia LeBeouf é introduzido como Mutt (ótimo nome para quem entender a brincadeira) e os 3 partem para uma excelente aventura, no estilo guerra fria (Cate Blanchett é a vilã russa) e exatamente dentro do espírito da época conforme ela é vista hoje em dia em vários filmes. Aliás, o ano é 1957, exatamente 20 anos depois do último filme na ficção e na realidade. Indiana é um senhor de idade mas um senhor de idade que não deixa nada a dever à garotada que aparece em filmes novos por aí.

O filme vale ser visto e revisto. É um enorme prazer ver que George Lucas, depois daqueles fiascos (sim, esses filmes mesmo que vocês estão pensando), consegue escrever algo bom. Não é Shakespeare mas não é para ser mesmo. Aliás, o roteiro consegue reunir muito bem a mitologia da trilogia original, inserindo, ainda, detalhes referentes à série de televisão Young Indiana Jones Chronicles. Spielberg, claro, nunca perdeu a forma e faz mais um excelente filme pipoca.

Que venham Indiana Jones 5 e 6!

Nota: 10 de 10 (sou suspeito para dar notas para filmes dessa série mas, para fins de comparação, ainda que a nota 10 seja a máxima, na minha cabeça Raiders e Last Crusade são empatados em primeiro lugar, Crystal Skull em segundo e Temple of Doom em terceiro, sendo que os 4 filmes ficam em categoria hors concours).

domingo, 6 de abril de 2008

Morre Uma Lenda



Não costumo fazer isso mas não poderia deixar passar em branco o falecimento, ontem, aos 84 anos, de uma das maiores lendas do cinema mundial, o ator americano Charlton Heston.

Ganhador do Oscar de melhor ator pelo papel título no épico Ben Hur, Heston tinha uma carreira impressionante, com filmes como The Ten Comandments, El Cid, Planet of the Apes, The Omega Man, Soylent Green, Khartoum e muitos outros.

Apesar de sua intocável carreira, o que incluiu participações essenciais em proteção aos atores em seu sindicato e movimentos humanitários, Heston certamente deixará na cabeça de muitos a lembrança de um radical conservador de direita, garoto-propaganda da NRA (National Rifle Association). Realmente espero que os cinéfilos não o lembrem por suas posições políticas mas sim pelo conjunto de sua quase inigualável obra.

Uma breve história de sua carreira pode ser achada no site www.omelete.com.br.

Rendo minhas homenagens a esse grande ator. Resquiescat in Pace!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A Festa do Oscar 2008 - parte I


É verdade sim. Eu e minha esposa fomos convidados para a última festa de entrega do Oscar e para o baile que se segue. Foi uma experiência e tanto!
Chegamos na véspera, dia 23 de fevereiro, e já partimos para ver o ensaio e os preparativos da festa. Conseguimos ver o tapete vermelho - coberto por um plástico translúcido pois, por incrível que pareça, estava chovendo em L.A. - o teatro e o local do Governor's Ball.

No tapete vermelho, vimos a chegada das estatuetas, trazidas por alunos de algumas escolas e passeamos por toda a extensão da entrada reservada aos artistas e aos não-artistas (todos entram pelo mesmo lugar). O local estava cheio de pessoas arrumando tudo e também de repórteres fazendo entrevistas com algum responsável pelo show e informando para os ávidos fãs o que se passava na véspera da entrega do prêmio mais importante e famoso do cinema (talvez até do mundo).

Dentro do teatro, as cadeiras que seriam ocupadas pelos artistas estavam com enormes cartolinas com as fotos de cada um deles em tamanho real (só o rosto), de forma que os operadores de câmera pudessem treinar o foco e o tempo que eles precisam para virar as câmeras para os locais corretos.
Nada, absolutamente nada é improvisado. Eles treinam à exaustão em todos os detalhes. No sábado à noite, me disseram depois, o apresentador oficial do show este ano, Jon Stewart, fez um ensaio completo, em tempo real, para que os produtores pudessem cronometrar e eventualmente cortar ou adicionar ao roteiro aqui e ali. No domingo de manhã, outro ensaio completo foi feito. No total o "coitado" do Jon Stewart fez o mesmo show 3 vezes em menos de 24 horas...


Não vimos os ensaios completos, apenas alguns trechos na manhã do sábado e foi sensacional ver o nível de detalhes a que eles chegam. Cada ator era "representado" por um ser humano normal com uma cartolina pendurada no pescoço escrita "John Travolta" ou "Helen Mirren" por exemplo. Todos liam do gigantesco "teleprompter" montado no meio da platéia (na verdade, duas televisões de LCD bem grandinhas) exatamente aquilo que os atores reais leriam no dia seguinte. O roteiro era revisado freneticamente. Subimos até o terceiro mezanino e ficamos uns 15 minutos apreciando toda a movimentação do palco lá de cima.



Depois, descemos até a enorme sala onde estava sendo montado o cenário do Governor's Ball, o baile oficial da Academy of Motion Pictures Arts and Sciences - A.M.P.A.S. (Governor é de Board of Governors ou "Diretoria" da Academia, não de governador como eu achava). O local estava fervilhando de gente carregando cadeiras, pratos, copos, flores e tudo mais que é necessário para um grande jantar para 1.200 convidados (um terço do número de pessoas que efetivamente assistem à entrega, só para vocês terem uma idéia do quão concorrido é o baile). Apesar de ainda ser um "work-in-progress" já era possível ver os impressionantes detalhes da decoração. Havia grupos de mesas, cada um com o seu tipo de decoração, desníveis no chão para criar uma sensação de "estádio" no baile. Uma curiosidade: o salão original tem um enorme candelabro de cristal mas os organizadores não o queriam ali. Entretanto, no lugar de removê-lo, os organizadores simplesmente rebaixaram o teto da sala para encobri-lo completamente. Era, na verdade, a mágica de Hollywood convertendo um salão bastante "normal" em um esplendoroso salão de festas.



Depois dessa visita, fomos até a sede da Academia para coletar nosso kit ingresso. Ao chegarmos lá, o esquema de segurança era forte mas não ostensivo e havia grandes placas gentilmente "lembrando" que máquinas fotográficas e até celulares com câmeras era proibidas durante o show (as fotos que vocês vêem aqui foram todas tiradas na véspera). Uma pena!


Algumas (muitas) horas antes do espetáculo (a hora sugerida de chegada é às 15:30h hora local), eu e minha esposa nos preparamos devidamente com smoking e vestido longo e partimos para o Kodak Theater de carro. Ao nos aproximarmos, passamos a ver os fortíssimos esquemas de segurança montados para a cerimônia, o que envolvia carros da S.W.A.T., helicópteros e policiais por todo o canto. Apesar do clima caótico, tudo foi muito bem organizado e sem trânsito, muito diferente dos eventos corriqueiros que temos aqui no Rio de Janeiro na praia, por exemplo, quando o trânsito pára e reina a balbúrdia.

Há uns 4 quarteirões do tapete vermelho, colamos nosso passe no vidro pára-brisa do carro e passamos a ser instruídos por todos os guardas na rua a tomar essa ou aquela via até chegarmos ao quarteirão imediatamente anterior ao tapete vermelho. Lá nos indicaram a andar bem devagar fazendo zigue-zague pelas barreiras de concreto na rua (para evitar que um louco a 200 por hora atacasse o local de chegada do pessoal) até chegarmos ao local em que o valet pegaria o carro e nos daria um papel informando em que andar do estacionamento do shopping center Hollywood & Highland pegaríamos o carro. Tudo funcionou perfeitamente.

Para nossa surpresa, apesar de termos chegado às 15:30h em ponto, o local já estava abarrotado de convidados e muitos deles efetivamente importantes. Chegamos junto do Tommy Lee Jones, que foi saudado pelo pessoal das arquibancadas (há um sorteio para isso) ao som de seu primeiro nome como se ele fosse um garoto de 18 anos vocalista de uma "boy band". Chegamos também junto do menos conhecido Gary Busey, aquele ator "meio albino" que só faz papel de vilão (fez filmes como Lethal Weapon e Predator 2).


Depois de passarmos pelo detectores de metal, ingressamos no tapete vermelho propriamente dito. Lá, os famosos passam pela esquerda de quem entra e começa, então, a procissão deles pela infindável quantidade de repórteres. Do lado direito - o nosso lado - passam os ilustres desconhecidos. Mesmo assim, levamos uns 20 minutos para chegar na porta do teatro tendo em vista a quantidade de gente que anda por ali. Nesse tempo, esbarramos com a Helen Mirren, Jessica Alba, Seal e a Heidi Klum, dentre outros.


Dentro do teatro, ficamos no bar nos aclimatando e vendo o pessoal chegar. Nosso lugar era no segundo mezanino bem no centro e uns 15 minutos antes do show nos sentamos. A visão era perfeita. A missão, agora, era não mais se levantar até o final pois se alguém se levantasse para ir ao banheiro em um intervalo e não voltasse antes que ele acabasse, só re-entraria no próximo intervalo (o que significa longos 20 a 25 minutos do lado de fora e sem ver o show). Essa tarefa foi mais árdua para minha esposa do que para mim mas ela passou com louvor.


Mais sobre o evento em si no próximo post!